365Filmes
Criticas

Crítica: O romance proibido de Paul Mescal que chegou aos cinemas e vai dilacerar o seu coração

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura
A História do Som está conquistando nos cinemas.
Imagem: Divulgação

Para nós, no portal 365Filmes, o silêncio muitas vezes fala mais alto do que qualquer diálogo expositivo. Recém-chegado ao cinema nesta última quinta-feira (26), A História do Som é um drama histórico de 2 horas e 9 minutos que desafia o formato padrão do romance. A obra não tem pressa alguma para fisgar o coração do espectador.

Sob a direção elegante e o roteiro intimista de Oliver Hermanus, A História do Som aposta em uma narrativa altamente contemplativa. Como destacamos frequentemente em nossa seção de críticas, a preservação da memória dita o tom emocional da fita. A viagem sensorial pelas estradas dos Estados Unidos constrói um amor inegável nascido através das músicas antigas.

A química devastadora entre Paul Mescal e Josh O’Connor é um dos pontos fortes de A História do Som

A jornada poética acompanha os jovens Lionel e David, que se conheceram inicialmente em 1917, nos frios corredores do Conservatório de Boston. Paul Mescal carrega a mesma melancolia dilacerante que o consagrou mundialmente no drama Aftersun e na minissérie Normal People. Sua atuação vulnerável e carismática encontra um eco absolutamente perfeito no talento do seu parceiro de cena.

O britânico Josh O’Connor brilha intensamente e abandona de vez a postura esnobe do Príncipe Charles da série The Crown. Juntos, eles embarcam em uma viagem transformadora pelas belas paisagens rurais da Nova Inglaterra. A missão profissional dos dois é registrar canções tradicionais e as vozes esquecidas de ex-soldados traumatizados pela Primeira Guerra Mundial.

A coleta meticulosa desse material histórico serve como o pano de fundo ideal para o florescimento de um amor proibido. Hermanus utiliza a música folk americana não apenas como trilha sonora, mas como uma verdadeira personagem viva e pulsante da trama. Cada fita gravada revela dores antigas, enquanto os dois protagonistas percebem seus próprios sentimentos ganhando uma força brutal.

É fantástico observar como o roteiro dispensa totalmente as grandiosas declarações dramáticas típicas do gênero de romance pop. O longa se constrói na delicadeza dos pequenos gestos, nos olhares demorados e nas pausas respiradas que antecedem um leve toque físico. A conexão profunda entre Lionel e David floresce com a mesma naturalidade crua das paisagens interioranas do estado do Maine.

Enquanto a talentosa dupla de protagonistas domina a tela com uma intimidade palpável, o elenco de apoio reforça a bagagem dramática da época. O veterano Chris Cooper entrega uma participação pontual, mas absurdamente cheia de significado emocional. Eternizado pela sua intensidade oscarizada no brilhante Adaptação, ele traz o peso de uma geração americana que lutou nas trincheiras.

A fotografia intimista explora o contraste profundo entre a juventude apaixonada dos pesquisadores e a velhice calejada dos veteranos entrevistados nas fazendas. O diretor consegue equilibrar a descoberta vibrante do primeiro amor com a tristeza sufocante das vidas ceifadas na Europa. O resultado final é uma produção madura que entende perfeitamente como o passado doloroso molda quem nós somos.

A História do Som está conquistando nos cinemas.
Imagem: Divulgação

O filme acerta em cheio

O título acerta em cheio ao preparar a plateia para um mergulho profundo na beleza frágil dos sons cotidianos e da natureza. A História do Som exige calma, pedindo que o público descanse a mente apressada e aprecie a sutileza de uma relação perigosa.

É um drama histórico e sensorial arrebatador que respeita a inteligência e a emoção de quem pagou o ingresso. Se você procura um romance adolescente apressado, recheado de brigas artificiais e reviravoltas chocantes, fuja correndo desta sessão mais silenciosa.

Porém, para aqueles dispostos a ouvir com atenção o que não é dito em voz alta, a produção entrega uma das histórias mais belas do ano. O amor deles reverbera forte na nossa própria memória muito tempo depois que a tela escurece.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

Mais artigos