A Arte de Sarah constrói seu mistério como um truque de palco: você acha que viu o principal ato no começo, mas só descobre onde estava o truque quando a cortina cai. Desde o primeiro episódio, a série faz o público acreditar que o corpo encontrado nos esgotos de Seul é o de Sarah Kim, a socialite poderosa ligada à marca de bolsas Boudoir. A pista “perfeita” está ali, ao lado do cadáver: uma bolsa Boudoir, como se a identidade estivesse assinada.
Só que o final vira a mesa com frieza. O que parecia ser um crime direto, com uma vítima óbvia e uma investigação em torno de segredos de luxo, se transforma em uma história de inveja, ambição e troca de identidade. E, no fim, o maior mistério não é apenas “quem morreu”, mas “quem escolhe viver como outra pessoa”.
Aviso de spoiler: o texto abaixo revela a grande virada do final de A Arte de Sarah e explica quem realmente é Sarah Kim.
O corpo encontrado no começo não era de Sarah Kim
A grande revelação do desfecho é que o corpo encontrado no início da série não era de Sarah Kim. A bolsa Boudoir funcionava como isca, um detalhe colocado para conduzir a investigação para a direção errada. A vítima, na verdade, era Kim Mi-jeong, uma artesã extremamente talentosa, responsável por fabricar as bolsas Boudoir que viraram símbolo de status.
Esse detalhe muda tudo porque recontextualiza o poder de Sarah. A série deixa claro que, por trás do luxo, existe um império sustentado por trabalho invisível, talento não reconhecido e relações de hierarquia. Mi-jeong não era só “mais uma funcionária”. Ela era parte essencial da marca, e justamente por isso a inveja e o desejo de ocupar o topo ganharam forma.
Kim Mi-jeong queria tomar o lugar de Sarah e isso levou ao confronto
O final revela que Mi-jeong alimentava um ressentimento crescente. Ela queria assumir o lugar da chefe, como se o talento artesanal fosse suficiente para justificar a troca de papéis. Ao mesmo tempo, a série mostra que essa ambição não nasce do nada: ela é construída a partir de humilhações, invisibilidade e da sensação de que a pessoa que aparece na capa leva todo o crédito enquanto a criadora real fica no escuro.
O ponto de ruptura acontece na festa de lançamento da marca. Em vez de um evento de celebração, a noite vira campo de batalha. Mi-jeong e Sarah entram em confronto, e a discussão explode para além do profissional. Ali, a disputa não é só por status. É por identidade.
Sarah mata Mi-jeong e encena a própria morte para inverter os papéis
O embate termina da forma mais brutal possível: Sarah acaba matando Mi-jeong. E é aqui que A Arte de Sarah revela o quanto sua protagonista é calculista. Em vez de tentar fugir ou apagar evidências do jeito tradicional, Sarah toma a decisão mais radical: ela encena sua própria morte e faz uma inversão completa de narrativas.
Quem realmente é Sarah Kim no final: a confissão que redefine tudo
O momento mais chocante vem quando Sarah confronta o detetive Park Mu-gyeong. Para preservar a marca e tudo o que construiu, ela escolhe uma saída que parece loucura, mas faz sentido dentro da lógica dela: ela diz que é Mi-jeong e confessa que assassinou Sarah Kim.
É uma confissão que funciona como sacrifício de identidade. Sarah abre mão de si como indivíduo para manter intacto o que considera eterno: o legado da Boudoir. Na prática, ela cria um “fim” para Sarah Kim e transforma a marca em algo que sobreviverá até mesmo à prisão. A mensagem é amarga e poderosa: para ela, legado vale mais do que liberdade.

O que o final significa e o que fica em aberto
A Arte de Sarah encerra o mistério principal com clareza: sabemos quem estava morto, sabemos quem matou e sabemos como a troca de papéis aconteceu. Mas a série da Netflix deixa um espaço aberto proposital: o futuro da Boudoir e o destino real dessa mulher após a prisão.
Mesmo atrás das grades, Sarah pode ter conseguido o que queria: eternizar a marca como algo maior do que qualquer pessoa. Ao escolher desaparecer como indivíduo, ela vira o paradoxo final do dorama: alguém que perde a liberdade para manter o poder simbólico. E o que fica para o espectador é a pergunta que dói mais do que o crime: quando a vida vira produto, quem ainda consegue existir sem virar personagem?
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