Musicais seguem vivos nas telas, mas grande parte do público ainda limita o gênero aos blockbusters de sempre. Entre um lançamento de peso e outro, diversos filmes menores — mas não menos cativantes — acabam ignorados.
Se você gosta de descobrir obras fora do radar, esta lista reúne dez filmes musicais que merecem atenção. Há animações, dramas juvenis, comédias e até zumbis dançando ao ritmo de canções originais. Prepare a pipoca e aumente o som.
Vivo (2021) leva a assinatura de Lin-Manuel Miranda
Disponível na Netflix, Vivo apresenta a voz e as composições de Lin-Manuel Miranda, nome por trás de Hamilton. A animação conta a jornada de um jupará que precisa entregar uma música de amor após a morte do parceiro de palco, Andrés. Além das canções contagiantes, o filme exibe visual colorido e elenco vocal que inclui Zoe Saldaña, Brian Tyree Henry e Gloria Estefan. Críticos elogiaram a trilha sonora e a energia latina, credenciando-o como um dos filmes musicais mais vibrantes dos últimos anos.
Com orçamento modesto, Vivo mostra como criatividade e roteiro sensível conseguem cativar públicos de todas as idades, ainda que sem o alarde de produções mais caras.
Sing Street (2016) transforma a formação de uma banda em poesia
Ambientado na Dublin dos anos 1980, Sing Street troca coreografias espontâneas por ensaios de garagem. O protagonista monta um grupo para impressionar a garota que admira, e dessa motivação simples nascem faixas originais que grudam na cabeça. A ambientação nostálgica, somada à atuação de Lucy Boynton e Jack Reynor, garantiu indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme ‑ Musical ou Comédia.
Se você busca um longa sobre descobertas adolescentes, música independente e sonhos grandes demais para uma cidade pequena, Sing Street é escolha certeira.
Oliver & Company (1988) merece voltar ao repertório da Disney
Inspirado em Oliver Twist, o filme coloca um gatinho de rua entre cães músicos na Nova York oitentista. Apesar das críticas mistas na época, a trilha sonora continua impecável. Why Should I Worry?, cantada por Billy Joel, permanece entre as melhores canções da Disney. Hoje, a animação é tida como joia esquecida, pronta para ser redescoberta por quem gosta de filmes musicais cheios de ritmo urbano.
Com apenas 74 minutos, Oliver & Company entrega história ágil, personagens carismáticos e ambientação que agrada tanto crianças quanto adultos nostálgicos.
Sing 2 (2021) amplia o palco com números ainda mais ousados
O primeiro Sing arrecadou mais de 600 milhões de dólares, mas a sequência sofreu com salas fechadas na pandemia. Mesmo assim, Sing 2 inclui covers potentes, de Heads Will Roll a Could Have Been Me, além da participação de Bono. A trama coloca o coala Buster Moon em busca de uma estrela reclusa para estrear novo espetáculo em Las Vegas.
Quem curtiu o original encontra aqui mais variedade musical, animação brilhante e mensagens sobre perseverança que conversam bem com públicos de diferentes idades.
Zoey’s Extraordinary Christmas (2021) encerra série cult com espírito festivo
Após duas temporadas de audiência modesta, Zoey’s Extraordinary Playlist ganhou desfecho em formato de telefilme natalino. A protagonista continua enxergando pensamentos alheios convertidos em performances musicais que apenas ela presencia. O enredo fecha pontas soltas da série enquanto inclui interpretações de clássicos de fim de ano e hits pop, como Call Me Maybe.
Mesmo para quem nunca viu o seriado, a produção funciona como comédia romântica de feriado, ideal para maratonas de dezembro.
Roald Dahl’s Matilda The Musical (2022) reinventa a menina prodígio
Baseado no espetáculo teatral de 2010, este remake apresenta Alisha Weir como Matilda e Emma Thompson irreconhecível na pele da temida Trunchbull. O filme mantém a rebeldia da obra original, adicionando canções que vão de baladas introspectivas — caso de Quiet — ao grandioso número Revolting Children, que fecha a história em alta.
Imagem: Imagem: Divulgação
Com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, Matilda The Musical confirma que bons filmes musicais não precisam de franquias para conquistar público fiel.
Across The Universe (2007) costura romance e política com músicas dos Beatles
A diretora Julie Taymor usa mais de 30 faixas dos Beatles para narrar um amor em meio aos protestos contra a guerra do Vietnã. Jude deixa Liverpool para encontrar o pai nos Estados Unidos e acaba se apaixonando por Lucy, ativista pacifista. A estética psicodélica e a combinação de drama histórico com canções clássicas renderam indicação ao Globo de Ouro.
Para fãs dos Fab Four, Across The Universe é oportunidade de ouvir sucessos revisitados em arranjos ousados, sem perder a essência das letras originais.
Burlesque (2010) aposta no dueto explosivo de Christina Aguilera e Cher
Cidade grande, clube decadente e uma aspirante a cantora disposta a tudo para brilhar formam a base do enredo. Aguilera e Cher sustentam performances poderosas que compensam diálogos simples. Figurinos, coreografias e setlist glamouroso fazem de Burlesque um espetáculo visual e sonoro.
Quem procura entretenimento leve, cheio de agudos impossíveis e números de dança iluminados por neon, encontrará aqui um passatempo vibrante.
Everybody’s Talking About Jamie (2021) celebra a busca pela própria voz
Adaptado de peça homônima, o filme acompanha Jamie, adolescente que sonha ser drag queen. Entre bullying e preconceito, ele persiste na vontade de subir ao palco usando saltos altos. Max Harwood impressiona na estreia, enquanto Richard E. Grant rouba cenas como mentor experiente.
A produção foi indicada ao BAFTA de Filme Britânico do Ano e soma 82% de aprovação no Rotten Tomatoes, provando que histórias LGBTQIA+ ganham força extra quando aliadas a canções cheias de alma.
Anna and the Apocalypse (2017) mistura zumbis, Natal e rock
Musical, terror e clima festivo raramente dividem a mesma tela, mas aqui funcionam em perfeita harmonia. Durante as festas de fim de ano, uma praga zumbi toma a cidade da protagonista. Entre ataques sangrentos, os personagens cantam hits originais como Break Away, Soldier at War e Hollywood Ending, combinando coreografias com correria desesperada.
O resultado é experiência única, ideal para quem quer fugir dos clichês natalinos sem abrir mão de cantar junto. Em tempos de maratonas, Anna and the Apocalypse garante risadas, sustos e refrões pegajosos.
Por que esses filmes musicais merecem nova chance?
Embora não ostentem números de bilheteria comparáveis a La La Land ou O Rei do Show, as dez produções listadas entregam variedade de estilos, boas histórias e trilhas capazes de ficar na cabeça por dias. Para leitores do 365 Filmes, eles representam convite a explorar um catálogo menos óbvio, cheio de surpresas e paixões à primeira vista.
Então, da próxima vez que buscar filmes musicais que fujam do convencional, lembre-se dessas obras. Cada uma prova que, longe dos holofotes, existe um universo de melodias prontas para conquistar novos fãs.
