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Mesmo com 8% no Rotten Tomatoes, Tin Soldier vira fenômeno no streaming e coloca De Niro de volta ao radar

Por Matheus Amorim5 Minutos de leitura

Lançado quase sem alarde nos cinemas em 2025, Tin Soldier parecia condenado ao esquecimento. O longa, orçado em US$ 45 milhões e com arrecadação de meros US$ 89,5 mil, mal chamou atenção na bilheteria.

Quase um ano depois, a trama ressurgiu na Hulu e subiu direto para o sexto lugar no ranking diário. O contraste entre o desempenho discreto nas salas e o repentino interesse on-line reacendeu o debate sobre o poder do streaming para reavaliar produções fracassadas.

Tin Soldier chega ao streaming pelas portas dos fundos, mas conquista o público

A plataforma liberou o filme em 30 de janeiro, e, desde 1º de fevereiro, ele figura no Top 15 dos títulos mais vistos nos Estados Unidos. Em determinados momentos, ultrapassou pesos-pesados como Pantera Negra e Superbad, mantendo-se atrás apenas de produções já consolidadas. Curiosamente, ficou logo abaixo de Django Unchained, clássico de Quentin Tarantino que voltou a liderar listas 14 anos após a estreia.

A ascensão relâmpago surpreende, sobretudo quando se olha a recepção crítica: 8 % de aprovação no Rotten Tomatoes entre especialistas e 9 % entre espectadores. As notas apontam problemas graves de coesão narrativa, mas, ainda assim, o buzz digital mostra que a curiosidade em ver Robert De Niro e Jamie Foxx dividir a tela fala mais alto.

Elenco de estrelas não salva um roteiro considerado truncado

Tin Soldier reúne nomes que, em tese, bastariam para garantir interesse imediato. Robert De Niro vive Emmanuel Ashburn, ex-militar envolto em mistério; Jamie Foxx interpreta o líder de um culto paramilitar; Scott Eastwood assume o protagonista Nash Cavanaugh, soldado que retorna ao complexo para resgatar a esposa desaparecida. John Leguizamo, Nora Arnezeder, Shamier Anderson e Rita Ora completam o pacote.

O problema, segundo a maioria das análises, está na falta de foco do roteiro assinado por Brad Furman, Jess Fuerst e Pablo Fenjves. A história salta entre o drama de reintegração do veterano, a ameaça sectária e discussões sobre fé e lealdade sem aprofundar nenhum ponto. De Niro, apesar de imprimir presença, recebe diálogos expositivos que pouco contribuem para o desenvolvimento de seu personagem.

Direção de Brad Furman oscila entre cenas de impacto e tom irregular

Conhecido por produções como Justiça em Família e O Poder e a Lei, Brad Furman filma com câmera nervosa, planos fechados e cortes rápidos. A intenção é criar urgência, mas o excesso de close dificulta a compreensão geográfica dos confrontos, especialmente nos tiroteios dentro do complexo.

Em 87 minutos, Furman empilha set pieces sem transições suaves. A montagem fragmentada aumenta a sensação de descontinuidade já apontada pelos críticos. Mesmo com fotografia granulada que confere textura áspera, escolhas de iluminação por vezes ocultam detalhes fundamentais da ação. O resultado é um thriller que parece alternar promessas de tensão com sequências abruptas que esvaziam o clímax.

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Imagem: Imagem: Divulgação

Recepção negativa, bilheteria pífia e curiosidade online: o caso Tin Soldier

Sob o ponto de vista comercial, o longa é um fiasco clássico. A estreia limitada em maio de 2025 rendeu menos de 0,2 % do investimento, valor que dificilmente será compensado, mesmo com a venda para streaming. Ainda assim, a presença no Top 10 da Hulu — ao lado de títulos como Ghostbusters: Frozen Empire e Springsteen: Deliver Me from Nowhere — prova que números de tela grande não determinam a longevidade de uma produção.

Críticos de veículos como The Guardian chamaram o filme de “bagunça de dar dó”; já o site FandomWire classificou a experiência como “um dos thrillers mais incoerentes dos últimos anos”. Mesmo fãs de cult movies, acostumados a abraçar falhas, reclamaram do cansaço que a narrativa provoca. No entanto, a possibilidade de ver Foxx contracenando com De Niro, e a curiosidade sobre como tanto talento resultou em um projeto tão confuso, gerou um fenômeno de “hate-watch” que tem se espalhado nas redes.

Vale a pena assistir?

A resposta depende do que o espectador procura. Para fãs incondicionais de Robert De Niro, há momentos dignos da intensidade característica do ator, mesmo quando o roteiro o coloca em situações improváveis. Jamie Foxx entrega carisma habitual, mas é prejudicado por motivações mal explicadas. Quem gosta de analisar fracassos de alto orçamento encontrará em Tin Soldier um prato cheio para discutir decisões de produção e o impacto da montagem no resultado final.

Por outro lado, quem espera coesão e suspense bem calibrado pode se frustrar. A trama avança sem explicar pontos-chave, e o ritmo acelerado impede vínculos emocionais. Ainda assim, o curto tempo de duração — menos de 90 minutos — e a curiosidade despertada pelo burburinho nas redes tornam o filme uma opção rápida para quem deseja conferir o motivo de tanta polêmica.

No fim, Tin Soldier confirma a máxima de que o streaming tem vida própria: o que fracassa no cinema pode, sob certas circunstâncias, encontrar novo público na tela pequena. O 365 Filmes seguirá acompanhando o desempenho da produção e de outros longas que, mesmo com críticas negativas, conseguem reinventar-se no universo digital.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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