O Super Bowl de 2026 não trará o tradicional desfile de grandes trailers de super-heróis. Embora quatro produções aguardadíssimas — Avengers: Doomsday, Spider-Man: Brand New Day, Supergirl e Clayface — já tenham concluído as filmagens principais, nenhum material inédito será exibido durante o intervalo mais caro da TV.
A decisão, confirmada por fontes próximas aos estúdios, muda pouco o calendário de divulgação, mas reforça a curiosidade sobre como cada longa pretende se diferenciar em um mercado saturado de capas e poderes. A seguir, analisamos elenco, diretores e roteiristas desses projetos, todos em estágio avançado de pós-produção.
Avengers: Doomsday amplia a escala e reúne veteranos em busca de frescor
Com estreia marcada para 18 de dezembro de 2026, Avengers: Doomsday inaugura oficialmente a Fase 6 do MCU. A direção volta às mãos de Anthony e Joe Russo, dupla que comandou os dois capítulos de Guerra Infinita. A expectativa em torno dos irmãos é alta, mas também pesa a necessidade de manter a franquia relevante após quase duas décadas de tela grande.
O elenco mescla rostos familiares e novidades. Chris Hemsworth retorna como Thor, enquanto o Quarteto Fantástico de Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach surge para reforçar o time na batalha contra Victor Von Doom. A presença de Robert Downey Jr. como o vilão é, sem dúvida, a principal atração. Questiona-se se o ator, tão associado a Tony Stark, conseguirá reinventar-se como antagonista sem provocar comparações diretas.
Nos bastidores, a Marvel realizou sessões de pick-ups agendadas para a primavera norte-americana. É um procedimento habitual em títulos dessa escala, voltado a polir cenas de ação e testar interações de personagens. A estratégia lembra movimentos recentes da franquia, que busca um tom mais adulto e atuações densas para evitar a fadiga do público.
Roteiristas veteranos da saga assumem a tarefa de equilibrar humor, drama e um número crescente de egos em cena. Se a química entre Hemsworth e Kirby convencer, o filme pode consolidar um novo núcleo para os próximos passos da Marvel, algo crucial após Vingadores: Ultimato.
Spider-Man: Brand New Day investe em amadurecimento de Peter Parker
A Sony também segurou o primeiro trailer de Spider-Man: Brand New Day, mesmo com estreia prevista para 31 de julho de 2026. A escolha surpreende, pois a aventura de Tom Holland costuma ser tratada como trunfo de marketing do estúdio. A direção está nas mãos de Destin Daniel Cretton, conhecido por Shang-Chi e pelo vigor visual em cenas de combate.
Chris McKenna e Erik Sommers, dupla de roteiristas que já domina a voz cômica de Peter Parker, trabalham agora com a tarefa de mostrar as consequências emocionais da trilogia original. A volta de Zendaya, Jacob Batalon e, curiosamente, Mark Ruffalo como Hulk promete ampliar o escopo, mas o coração da história permanece na jornada pessoal de um herói que tenta, mais uma vez, equilibrar vida adulta e responsabilidades cósmicas.
Fontes indicam que a aventura terá menos piadas internas sobre multiverso e maior atenção ao drama, tendência alinhada à nova fase da Marvel. Em termos de performance, Holland tem a chance de entregar o Peter Parker mais maduro de sua carreira, algo que pode colocá-lo na esteira de evoluções como a de Andrew Garfield em No Way Home.
Para quem acompanha o calendário da cultura pop, a ausência de imagens no Super Bowl gera ansiedade, mas também sugere confiança do estúdio em campanhas alternativas — possivelmente atreladas a parcerias com franquias de streaming e exibições exclusivas em salas IMAX.
Supergirl aposta no carisma de Milly Alcock sob direção de Craig Gillespie
Em 26 de junho de 2026, Milly Alcock entra oficialmente para o panteão de heróis da DC ao viver Kara Zor-El. O primeiro trailer, liberado em dezembro, destacou o equilíbrio entre vulnerabilidade e força da protagonista, um ponto crítico para diferenciar a prima de Superman de outras heroínas espaciais.

Imagem: Andy Behbakht
Craig Gillespie, cineasta que transita com naturalidade entre humor ácido e tensão — basta lembrar de Eu, Tonya —, assume o comando. A escolha sugere um filme menos sisudo do que o antigo DCEU, mas ainda firme na ação. Matthias Schoenaerts, Jason Momoa e Eve Ridley completam o elenco, entregando antagonistas e aliados com potencial dramático.
O roteiro pretende adaptar a graphic novel Woman of Tomorrow, conhecida por sua abordagem mais existencialista. Alcock, elogiada em House of the Dragon, terá a oportunidade de sustentar sequências extensas de diálogo e ação sem o tradicional apoio de Clark Kent. A DC encara o projeto como porta de entrada para seu novo universo cinematográfico, que já desperta curiosidade após indícios do retorno de personagens clássicos, como o Caçador de Marte.
Clayface leva horror corporal ao DCU e marca primeiro filme R-rated da franquia
Agendado para 11 de setembro de 2026, Clayface sai do status de vilão secundário do Batman para protagonista de um thriller de horror. James Watkins dirige, com roteiro de Mike Flanagan e Hossein Amini. A mistura chama a atenção: Flanagan domina o terror psicológico, enquanto Amini transita bem por dramas noir.
Tom Rhys Harries assume Matt Hagen, ator decadente que ganha o poder de mudar de forma a partir de um acidente químico. A aposta em classificação indicativa R sugere cenas de violência gráfica e transformação corporal, aproximando o filme de tendências recentes do gênero, como o resgate do terror de sobrevivência que Sam Raimi faz em Don’t Move.
Para a performance de Harries funcionar, o longa precisará equilibrar empatia e repulsa. Efeitos práticos, aliados a CGI minimalista, devem reforçar a sensação de desconforto que a história pede. Caso acerte o tom, a produção pode abrir caminho para narrativas mais ousadas dentro do novo DCU, rompendo o molde de aventuras familiares.
A Warner, no entanto, optou por não exibir material no Super Bowl, alinhando a campanha a estratégias de horror que apostam em mistério prolongado. A julgar pelos resultados de títulos semelhantes, manter a criatura fora dos holofotes até perto da estreia pode aumentar o impacto.
Vale a pena ficar de olho?
A ausência desses trailers no Super Bowl não diminui o interesse por Avengers: Doomsday, Spider-Man: Brand New Day, Supergirl e Clayface. Todas as filmagens principais já foram concluídas, e os estúdios focam agora em pós-produção, refinando efeitos e performances. O ponto em comum é a tentativa de aprofundar personagens: da complexidade de Victor Von Doom ao amadurecimento de Peter Parker, passando pela solidão cósmica de Kara Zor-El e o terror visceral de Matt Hagen.
Para o leitor de 365 Filmes, fica a sensação de que 2026 pode marcar um ponto de virada no gênero, privilegiando diretores autorais e roteiros menos formulaicos. Se a execução corresponder às promessas, teremos quatro experiências distintas, capazes de redefinir a percepção de filmes de herói no cinema contemporâneo.
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