Star Trek: Starfleet Academy chega ao Paramount+ com a missão de atualizar a franquia para uma geração que cresceu entre redes sociais e séries colegiais. Nos seis episódios iniciais, a produção mistura romance açucarado, conflitos de ego e grandes discursos sobre colaboração interestelar.
A série, criada por Gaia Violo e comandada por Alex Kurtzman e Noga Landau, aposta em veteranos carismáticos para sustentar a narrativa. Já o grupo de calouros, foco da trama, entrega energia, mas carece de profundidade para ficar na memória.
Contexto e premissa da nova série
A história se passa no século XXXII, 150 anos após o fechamento da Academia devido aos efeitos políticos de “The Burn”, evento apresentado em Discovery. A reabertura no icônico campus de São Francisco, agora complementado pela U.S.S. Athena, serve de palco para um curso intensivo de missões no espaço real e simulações na Terra.
Caleb Mir (Sandro Rosta) aparece como protagonista. Rebelde e genial, ele aceita a matrícula para fugir de uma sentença no planeta Toroth e tentar reencontrar a mãe, Anisha (Tatiana Maslany). O acordo é costurado pela nova chanceler, Nahla Aké, interpretada por Holly Hunter, que também carrega culpa por ter separado mãe e filho quinze anos antes.
Atuações: veteranos brilham, novatos nem tanto
Hunter domina cada cena com uma Aké descalça, sarcástica e entusiasta de livros de papel e discos de vinil. A atriz adiciona graça boêmia ao arquétipo de capitã Trek e se consolida como força motriz da temporada.
Outro destaque é Gina Yashere, a meio-Klingon Lura Thok, oficial disciplinadora cuja veia cômica equilibra a rigidez militar. Robert Picardo, retornando como o Doutor holográfico, rouba atenções ao acumular as funções de chefe médico, professor de debates e regente do clube de ópera — uma autêntica homenagem aos fãs.
Entre os cadetes, Sandro Rosta exibe carisma físico, mas Caleb ainda parece uma variação menos complexa de Michael Burnham. Karim Diané (Jay-Den Kraag) luta para mostrar nuances de um Klingon pacifista, enquanto George Hawkins (Darem Reymi) surge como adversário musculoso sem diferencial marcante. Bella Shepard (Genesis) e Kerrice Brooks (SAM, a primeira cadete holograma) oferecem frescor, porém carecem de tempo em tela para firmar personalidade.
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Roteiro e direção apostam em tom otimista
Violo, Kurtzman e Landau mantêm o idealismo clássico de Gene Roddenberry. Debates interculturais e dilemas éticos aparecem, ainda que envoltos em competições estudantis que lembram Harry Potter ou produções da CW. O roteiro flerta com a leveza de A Vida Sexual das Universitárias, mas não mergulha a fundo em questões políticas que tornaram outras séries Trek inesquecíveis.
A direção de Kurtzman valoriza ambientes amplos, alternando corredores futuristas da Athena e salas de aula banhadas pelo pôr do sol da baía de São Francisco. As cenas de treinamento reforçam a mensagem sobre trabalho em equipe, embora por vezes soem como exercícios motivacionais prolongados.
Efeitos visuais e ligação com o cânone
Os efeitos digitais mantêm o padrão cinematográfico que a franquia adotou desde Discovery. A Athena exibe design elegante e pontes luminosas, enquanto holo-salas permitem transições rápidas entre cenários planetários. Nada revoluciona, mas tudo convence o olhar.
Participações de Oded Fehr como almirante Vance e referências a “The Burn” situam a série dentro da cronologia sem exigir manual prévio. Ainda assim, a sensação de déjà-vu paira: muitas ideias já foram exploradas, e até comentadas de forma mais sarcástica em Lower Decks. A nostalgia de rever o Doutor compensa parte desse terreno repetido, mas não sustenta toda a empreitada.
Vale a pena assistir Star Trek: Starfleet Academy?
Com dez episódios na primeira temporada — seis já exibidos para a imprensa — Star Trek: Starfleet Academy apresenta ritmo leve e visual atraente. O brilho de Holly Hunter e a presença de nomes conhecidos garantem bons momentos, mas a formação de seu elenco jovem ainda precisa amadurecer para alcançar o peso dramático que a bandeira da Frota Estelar costuma carregar. Para o público que acompanha 365 Filmes e procura entretenimento espacial sem grandes desafios éticos, a produção cumpre seu papel; quem busca profundidade comparável a temporadas clássicas talvez fique na expectativa de voos mais altos.
