O Prime Video colocou no ar a série Tremembé e, de imediato, reacendeu o interesse por um dos casos criminais mais falados do país: o homicídio seguido de esquartejamento de Marcos Kitano Matsunaga, em 2012. A produção dramatiza o dia a dia da Penitenciária Feminina de Tremembé, em São Paulo, conhecida como “prisão dos famosos”.
Com foco em Elize Matsunaga, interpretada por Carol Garcia, Tremembé busca mostrar como a ex-babá condenada a 19 anos de prisão tenta sobreviver em um ambiente marcado por poder, medo e relações de dependência. O 365 Filmes traz tudo o que você precisa saber sobre essa adaptação e os desafios enfrentados pela equipe para contar a história.
Série Tremembé mergulha no caso Elize Matsunaga
Lançada em 31 de maio, a série Tremembé se baseia nos livros do jornalista Ulisses Campbell e mistura fatos reais com elementos de dramatização. A trama acompanha Elize desde sua chegada à penitenciária até sua convivência com detentas que também viraram manchetes, como Suzane von Richthofen e Anna Carolina Jatobá.
O objetivo declarado pelos criadores foi humanizar a protagonista sem minimizar o crime. Por isso, diversos eventos ocorridos após o julgamento ganharam espaço na narrativa, entre eles o trabalho de Elize na sala de costura do presídio e suas tentativas de manter contato com a filha.
Transformação física de Carol Garcia
Conhecida por papéis cômicos, Carol Garcia passou por uma mudança radical para viver Elize Matsunaga. Cabelos descoloridos, lentes de contato e sutis alterações de tom de pele foram adotados para aproximar o visual da condenada. A atriz comenta que a preparação física foi apenas o primeiro passo da imersão.
Imersão emocional e aulas práticas
Além do visual, a atriz se submeteu a aulas de tiro, sessões com fonoaudióloga para reproduzir o sotaque da verdadeira Elize e longas horas de estudo sobre a dinâmica prisional. Garcia também conversou com ex-detentas, buscando entender códigos de convivência e vocabulário interno. Segundo ela, esse mergulho intenso causou insônia no início das gravações.
Reconstituição do crime e recepção do público
Um dos momentos mais delicados da série Tremembé é a cena que reconstitui o esquartejamento de Marcos Matsunaga, filmada com forte carga emocional e alto grau de realismo. A direção optou por mostrar detalhes do ato para contextualizar o choque que o caso causou em 2012.
Desde o anúncio do projeto, parte do público reagiu com curiosidade; outra parcela questionou se a produção romantizaria a assassina. As primeiras críticas apontam que a série não glamuriza o crime, mas também não o reduz a um único ato, explorando as contradições de uma personagem complexa.
Condenação e detalhes do julgamento
O assassinato ocorreu no apartamento do casal, na capital paulista, em maio de 2012. Quatro anos depois, após uma semana de julgamento, Elize foi sentenciada a 19 anos e 11 dias de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O júri concluiu que o crime foi motivado por interesse financeiro e impossibilitou a defesa da vítima.
Imagem: Divulgação
Empatia e repercussão popular
Ulisses Campbell, autor do livro que baseia a série, afirma que Elize é a criminosa que mais desperta empatia entre os biografados. Quando recebeu a primeira saída temporária, pessoas chegaram a aplaudi-la na porta da penitenciária, motivadas por relatos de que Marcos Matsunaga teria histórico de violência doméstica. Esse conflito de percepções também é um ponto central da narrativa.
Dinâmica na Penitenciária de Tremembé
Grande parte da ação se desenrola dentro do presídio, onde Elize busca proteção na chamada “Sandrão”, liderança informal da ala. A chegada de Suzane von Richthofen cria um triângulo de poder, já que ambas competem pela confiança de Sandrão, expondo alianças e rivalidades.
Os roteiristas destacam rotina, horários rígidos, trabalho na costura e momentos de ócio que potencializam conflitos. Ao mesmo tempo, deixam claro que, apesar de crimes diferentes, as detentas compartilham medos parecidos, sobretudo o futuro incerto fora dos muros.
Relação com outras detentas famosas
A convivência com Suzane e Anna Jatobá ganha espaço, mas não rouba o protagonismo de Elize. A série mostra conversas sobre maternidade, arrependimento e estratégias de sobrevivência, sempre sob a vigilância de agentes penitenciárias.
Participação de ex-presidiárias nas filmagens
A equipe de Tremembé trouxe ex-detentas para atuar como figurantes e consultoras. Segundo Carol Garcia, o contato direto com essas mulheres escancarou as dificuldades de reinserção social. “Percebi que, do jeito que está, o sistema pune, mas não prepara ninguém para voltar à sociedade”, contou a atriz.
Reflexões sobre o sistema carcerário e a continuação da vida
Mais de dez anos após o crime, Elize Matsunaga permanece como figura controversa. A série Tremembé tenta equilibrar o desejo de punição com a necessidade de discutir ressocialização. Ao expor contradições e dilemas, a produção abre espaço para questionamentos sobre violência doméstica, justiça e reabilitação.
Para Carol Garcia, compreender Elize foi entender um pouco do Brasil: o que a sociedade julga, perdoa ou prefere ignorar. O resultado é um retrato que evita absolvição fácil, mas também recusa a simplificação de uma história repleta de nuances.
