A minissérie Ângela Diniz resgata uma das vozes mais ousadas da imprensa brasileira. Interpretado por Thiago Lacerda, Ibrahim Sued surge na tela como o colunista que transformou fofoca de salão em notícia de capa.
Figura indispensável nos anos 1950 a 1980, ele misturava reportagens, entretenimento e um humor afiado, moldando o colunismo moderno. Entender quem foi Ibrahim Sued ajuda a perceber por que sua presença ainda ecoa, mais de 30 anos após sua morte.
Da fotografia ao estrelato: a origem de Ibrahim Sued
Nascido no Rio de Janeiro em 1924, Ibrahim Sued começou a vida profissional atrás das lentes. Repórter fotográfico, ganhou destaque ao cobrir a passagem do general norte-americano Dwight Eisenhower pelo país, em 1946. O furo garantiu espaço em grandes redações e abriu portas na alta sociedade carioca.
Ao lado de boêmios e herdeiros da elite, Sued ajudou a fundar o irreverente Clube dos Cafajestes, famoso pelas festas extravagantes. Esses contatos renderiam histórias que, anos mais tarde, abasteceriam sua coluna no jornal O Globo, ponto de virada definitivo na carreira.
Revolução na coluna social brasileira
Em O Globo, Ibrahim Sued criou um estilo pioneiro, apontado por colegas como o embrião do jornalismo de celebridades no país. Ele não se limitava a comentar jantares sofisticados: revelava bastidores políticos, falava de esportes, moda e expunha segredos da alta roda com bom humor.
A linguagem leve, direta e recheada de causos deixou a coluna entre as mais lidas do periódico. O público aguardava ansioso pelos apelidos bem-humorados e pela combinação de frases curtas, perfeitas para quem precisava ler rápido no café da manhã.
Bordões que viraram cultura pop
Parte do sucesso da coluna vinha dos bordões criados pelo próprio Ibrahim Sued. Expressões como sorry, periferia, cavalo não desce escada, de leve e o emblemático ademã, que eu vou em frente se espalharam pelo país. As falas atravessaram gerações e continuam citadas na cultura popular.
Imagem: Imagem: Divulgação
Ibrahim Sued além do jornal impresso
O carisma do colunista logo migrou para a televisão. Na TV Rio, comandou o programa Ibrahim Sued Repórter; depois, levou o formato para a recém-criada TV Globo. Nos estúdios, repetia o estilo descontraído das páginas do jornal, conversando diretamente com o público.
Ele ainda se aventurou como compositor, mostrando versatilidade artística rara. A rotina intensa resultou em mais de 15 mil colunas publicadas, o que lhe garantiu lugar no Guinness Book como um dos jornalistas mais prolíficos do mundo.
Um legado que atravessa gerações
A importância de Ibrahim Sued ultrapassa números. Uma estátua em frente ao Copacabana Palace, hotel símbolo do Rio, lembra diariamente quem contribuiu para eternizar o glamour das noites cariocas. Em 2022, o documentário Ademã – A Vida e as Notas de Ibrahim Sued recontou sua história para novas audiências.
Agora, a minissérie Ângela Diniz reacende a curiosidade sobre o jornalista, reforçando a relevância de suas crônicas mordazes. Para quem acompanha o 365 Filmes, a produção serve de convite para rever a trajetória de um personagem que, entre flashes e manchetes, reinventou a forma de narrar o cotidiano nacional.
