Peaky Blinders: O Homem Imortal (2026) chegou ao catálogo da Netflix e assume, sem rodeios, a tarefa de encerrar a jornada de Thomas Shelby (Cillian Murphy).
O longa é ambientado seis anos após a 6ª temporada e desloca a família para o centro da Segunda Guerra Mundial, em uma Birmingham tomada por paranoia, infiltração e guerra de bastidores. O que era crime de rua vira conflito de Estado, e a velha lógica dos Shelby encontra um inimigo que mata com a mesma frieza com que imprime dinheiro.
Peaky Blinders: O Homem Imortal também deixa claro que o fim não seria confortável. Entre segredos familiares, luto acumulado e a sensação de que cada vitória sempre cobrou outra perda, O Homem Imortal constrói o desfecho como uma espécie de descanso caro. Não é “glória final”. É consequência. E, para Tommy, consequência sempre foi sinônimo de sacrifício.
O que o final revela: exílio, Operação Bernhard e a morte que vira passagem de comando
No início, Tommy está longe do clã e longe do mundo. Ele vive em um exílio autoimposto, isolado, escrevendo e conversando com os espíritos dos mortos, especialmente Ruby.
A imagem não é decorativa: ela define o tom do filme. Tommy não está apenas escondido, está preso dentro da própria cabeça. E a razão do isolamento é um segredo que reescreve a família por dentro: em um momento de fúria e embriaguez, ele matou Arthur. A confissão vem como sentença moral, porque a culpa não é um detalhe da trama, é o motor do personagem.
É nesse cenário que entra a engrenagem histórica que move o thriller. O filme usa a Operação Bernhard como pano de fundo para colocar os Shelby em rota de colisão com uma conspiração nazista.
A lógica é simples e assustadora: inundar a economia britânica com notas falsas para causar colapso financeiro. Beckett (Tim Roth), agente fascista, é o homem encarregado de espalhar o dinheiro por meio de gangues, transformando crime local em peça de guerra global.
O gatilho interno, porém, é familiar. Duke (Barry Keoghan), filho de Tommy, se aproxima do plano e envolve os Peaky Blinders, seduzido pela promessa de riqueza e pelo vazio deixado pela ausência do pai.
A série sempre foi sobre herança, e Peaky Blinders: O Homem Imortal transforma isso em perigo: o sucessor não é apenas “novo líder”, é alguém ainda inexperiente lidando com forças maiores do que ele entende.
O ponto de ruptura vem com Ada. Ao tentar impedir Duke de seguir com Beckett, Ada (Sophie Rundle) é assassinada diante da família. A morte não funciona apenas como choque; ela elimina qualquer possibilidade de negociação e devolve Tommy ao único idioma que ele dominou por décadas: vingança. A partir daí, o filme se torna uma missão final, com Tommy reunindo aliados antigos para atacar o armazém de Beckett em Liverpool e destruir o carregamento de dinheiro falso.
O clímax faz o que o título promete: coloca Tommy frente a frente com a própria mortalidade. Em meio a explosões e tiros, ele encara Beckett, leva dois disparos no abdômen, mas ainda consegue matá-lo com um tiro na cabeça.
A vitória, no entanto, já nasce como despedida. Sem chance de sobreviver, Tommy pede que Duke o mate, tratando-o “como um cavalo” ferido que precisa de misericórdia. Duke usa a tradição da bala cigana com o nome gravado e atira no pai. O gesto sela o ciclo e, ao mesmo tempo, transfere o peso do sobrenome.

O filme confirma a morte de Tommy com um funeral tradicional cigano: o corpo é queimado em um vardo, cercado por fotos de quem ele amou e perdeu. Antes do fim, ele murmura “In the bleak midwinter” e a voz em off fecha a porta com uma frase curta, quase cansada: “Eu estou livre”. A obra termina como começou: com poesia sombria e a certeza de que liberdade, para Tommy, sempre significou pagar o preço mais alto.
Para acompanhar outras estreias e guias do catálogo, vale navegar pela editoria de streaming no 365 Filmes e pela página da Netflix. Se a ideia é ver tudo sobre o longa, a tag de Peaky Blinders: O Homem Imortal organiza os conteúdos relacionados.
O que fica para o futuro da franquia
O Homem Imortal encerra a história de Tommy Shelby sem margem para dúvida: ele morreu, foi velado e teve seu legado queimado com ele. O que permanece é o nome e a estrutura que ele deixou. Duke emerge como novo líder, mas o filme faz questão de não prometer estabilidade: herdar os Peaky Blinders não é prêmio, é condenação.
A franquia, porém, não termina aqui. Já há um spin-off confirmado para os anos 1950, centrado na nova geração. Ainda não está claro quem retorna em cena, mas o recado do filme é evidente: Tommy virou mito, e mitos não voltam para viver. Eles voltam para assombrar.
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