Paramount e Warner Bros. Discovery (WBD) travam nos bastidores uma disputa que pode redefinir o mercado de entretenimento. Em cartas enviadas aos advogados da rival, a gigante de Hollywood afirmou que um eventual acordo entre Warner Bros. Discovery e Netflix ou Comcast não passará sem questionamentos pesados.
Nesses documentos, a empresa sustenta que sua oferta é mais segura, enquanto as concorrentes enfrentariam, segundo ela, obstáculos regulatórios quase intransponíveis. O tom duro indica que a batalha jurídica já começou, mesmo antes de WBD escolher um comprador.
Paramount se diz “melhor caminho” para fechar a transação
Conforme os papéis trocados entre os escritórios de advocacia, a Paramount argumenta possuir “um caminho claro para concluir o negócio com base em décadas de precedentes legais”. A companhia enfatiza que seu histórico de fusões bem-sucedidas demonstraria solidez diante de órgãos antitruste.
A carta — anexada a uma oferta revisada — ainda declara que qualquer acordo entre Warner Bros. Discovery e Netflix ou Comcast causaria “problemas sérios que reguladores não ignorariam”. A posição da Paramount é direta: ela vê a própria proposta como a única capaz de evitar um processo longo, caro e, possivelmente, frustrado.
Acusações de venda injusta
Um dia antes de atualizar sua proposta, a Paramount já havia enviado outro documento no qual acusa a WBD de conduzir um processo de venda pouco transparente. Para executivos ouvidos pelo mercado, o texto soa como um alerta de que, se preterida, a Paramount recorrerá aos tribunais.
Principais críticas às rivais Netflix e Comcast
Nos relatórios anexados, a Paramount descreve detalhes que, segundo seu entendimento, inviabilizariam a negociação com os dois gigantes:
- Netflix, líder absoluta do streaming, enfrentaria forte escrutínio antitruste por ganhar ainda mais participação de mercado ao incorporar HBO Max.
- Comcast, dona de uma das maiores operações de banda larga e TV por assinatura dos Estados Unidos, também levantaria questionamentos sobre concentração de poder em múltiplos segmentos.
A Paramount acrescenta que a Netflix é “a única big tech que ainda não encarou bloqueios regulatórios globais relevantes” e que tentar comprar a WBD mudaria esse cenário. A empresa calcula que a revisão antitruste seria longa e custosa, atrasando ou até inviabilizando o fechamento.
No caso da Comcast, a preocupação gira em torno de sua atuação dupla: provedora de internet e operadora de TV. Segundo a Paramount, isso ampliaria o risco de práticas anticompetitivas.

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Impacto no cinema e no streaming
Outro ponto de tensão envolve a distribuição de filmes. A análise entregue à WBD sugere que um acordo entre Warner Bros. Discovery e Netflix reduziria o número de lançamentos nos cinemas. Para a Paramount, esse cenário empurraria ainda mais o público para o streaming, prejudicando as salas que já lutam para atrair espectadores pós-pandemia.
Embora a Netflix tenha prometido honrar contratos atuais de lançamento em tela grande, a Paramount rebateu: compromissos desse tipo seriam “limitados, transacionais e defensivos”, servindo apenas para frear críticas imediatas de autoridades regulatórias.
Mercado vê possibilidade de embate prolongado
Analistas do setor acreditam que, se WBD escolher qualquer empresa que não seja a Paramount, o desfecho envolverá processos judiciais e recursos em órgãos de concorrência. Afinal, os documentos deixam claro que a interessada está disposta a lutar até o fim.
Por outro lado, executivos próximos à negociação comentam que Netflix e Comcast seguem na disputa. A decisão final de WBD, portanto, poderá desencadear meses — ou anos — de batalhas burocráticas. O site 365 Filmes seguirá acompanhando cada capítulo dessa novela corporativa.
O que esperar nos próximos passos
Enquanto a diretoria da Warner Bros. Discovery avalia prós e contras, fontes internas prevêem que novas ofertas deverão ser apresentadas nas próximas semanas. Resta saber se os argumentos sobre riscos antitruste pesarão mais que os valores colocados à mesa.
Seja qual for a escolha, a Paramount deixou registrada sua posição: considera o próprio acordo o único viável e promete contestar qualquer resultado diferente. Para o público, a definição impactará não só catálogo de streaming, mas também o fluxo de estreias nos cinemas — e daqui até lá, muita água ainda vai rolar.
