Tom Cruise levou a franquia Missão: Impossível a um novo patamar de risco físico em The Final Reckoning. O longa, já disponível no Paramount+, não é o melhor capítulo da série, mas exibe duas cenas que entram direto para a galeria de ouro do cinema de ação.
Dirigido e coescrito por Christopher McQuarrie, o filme transforma trama em mero trampolim para set-pieces estonteantes. O ator, que há três décadas vive Ethan Hunt, encara aqui um possível ponto final — ainda sem confirmação oficial de um nono capítulo — e aposta tudo em uma entrega corporal quase suicida.
Atuações: Cruise segue infalível, elenco de apoio cumpre função
Tom Cruise continua dono de uma disciplina física impressionante, mas é na expressão corporal que ele mais se destaca. Na sequência submarina, onde Ethan luta para sair de um torpedo preso, o astro comunica desespero apenas com gestos e olhar, lembrando que ele também é ator, não só dublê de luxo.
Rebecca Ferguson, Hayley Atwell e Simon Pegg retornam como peças de confiança no tabuleiro de Ethan. Todos oferecem a química já conhecida, embora muitas falas sejam engolidas por longas exposições sobre a “Entidade”, a inteligência artificial vilanesca que move o enredo. Mesmo assim, cada um consegue marcar presença: Atwell equilibra vulnerabilidade e malícia, Ferguson reafirma o tom soturno de Ilsa e Pegg garante alívio cômico, sem comprometer a tensão.
Direção de Christopher McQuarrie: foco absoluto na escala das cenas
Desde que assumiu Missão: Impossível, McQuarrie adotou a lógica do “maior, mais alto, mais perigoso”. Em The Final Reckoning ele dobra a aposta. O roteiro — escrito por ele e Erik Jendresen — serve principalmente para ligar um ponto de ação ao outro. Isso fica claro na estrutura quase episódica: explicação, catástrofe, nova explicação.
O diretor administra bem a geografia cênica: no interior do submarino, a câmera acompanha Ethan em planos longos e claustrofóbicos, convertendo cada centímetro em risco real. Já na perseguição aérea, os enquadramentos amplos destacam o contraste entre o céu aberto e a fragilidade de um ator pendurado na asa de um biplano.
As duas manobras que entraram para a história da franquia
1. A descida ao submarino afundado. No meio da narrativa, Hunt precisa recuperar um artefato em um submarino cravado num precipício submarino. Tudo falha em sequência: a embarcação desliza, ogivas nucleares batem de um lado a outro e a saída pelo tubo de torpedo emperra. É cinema físico e quase mudo, lembrando o clímax aquático de Thunderball, mas com intensidade multiplicada.
2. Duelo de biplanos na terceira hora. Anunciada desde o marketing do filme anterior, a perseguição finalmente acontece. Ethan rouba um biplano amarelo para caçar o antagonista em outro vermelho — uma cartela de cores que remete às aventuras pulp de Tintim. Cruise se pendura na asa, gira com a aeronave e executa loops insanos sem dublê visível, provando que ainda está disposto a ir além do que já vimos.
Imagem: Imagem: Divulgação
Roteiro e ritmo: quando a exposição engole a adrenalina
Se as manobras de Missão: Impossível – The Final Reckoning brilham, o texto tropeça. O arco envolvendo a “Entidade” reúne conspirações globais, corrida nuclear e tentativas de amarrar todos os oito filmes num único fio. O resultado é verborrágico: personagens repetem o mesmo bloco de informações enquanto o público só quer voltar à ação.
Essa dilatação narrativa faz o longa ultrapassar as três horas, sentimento semelhante ao provocado por outros épicos recentes, como Indiana Jones e o Chamado do Destino. Ainda assim, vale lembrar que, em troca da paciência, o espectador recebe dois dos melhores set-pieces já filmados por Cruise, comparáveis à perseguição de Fallout ou ao salto HALO registrado em Nação Secreta.
Missão: Impossível – The Final Reckoning vale a pena?
Para fãs de Tom Cruise, a resposta é rápida: sim, nem que seja para ver até onde o ator consegue levar seu próprio corpo. Quem prefere um roteiro coeso talvez encontre obstáculos, mas dificilmente ficará imune ao impacto visual das duas sequências centrais.
No fim das contas, The Final Reckoning confirma a vocação da saga como vitrine para acrobacias radicais. Resta saber se haverá continuação ou se este foi o “último rodeio” de Ethan Hunt — tema que já alimenta debates entre leitores do 365 Filmes.
Enquanto dúvidas sobre o futuro persistem, vale lembrar que o Paramount+ tem reforçado seu catálogo de títulos nostálgicos. O drama esportivo Hardball, estrelado por Keanu Reeves, por exemplo, acaba de ganhar nova vida na plataforma, como mostra a reportagem sobre o retorno de Hardball. Uma boa chance de conferir outras facetas da ação distribuída pelo serviço.
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