A surpresa negativa da temporada de premiações de 2026 ficou por conta de Wicked: For Good, sequência do fenômeno musical de 2024, que não garantiu uma única indicação ao Oscar. A ausência chamou atenção sobretudo após o primeiro filme ter sido lembrado em dez categorias e vencido duas estatuetas.
Agora, a vencedora do Oscar Michelle Yeoh quebrou o silêncio. Em entrevista exclusiva, a intérprete de Madame Morrible se disse “em choque” com o resultado e destacou que o segundo longa é ainda mais ambicioso que o original, tanto em escala narrativa quanto em realizações técnicas.
Choque com o Oscar 2026
As indicações foram anunciadas na manhã de 22 de janeiro. Enquanto títulos concorrentes dominaram as categorias de design de produção, figurino e fotografia, Wicked: For Good ficou de fora. Michelle Yeoh, lembrada em 2023 por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, contou ter acreditado em, no mínimo, chances em Figurino, Maquiagem e Direção de Arte.
A atriz questionou se membros da Academia não teriam preferido “dar espaço a outros” após o reconhecimento da primeira parte. Segundo ela, a produção comandada por Jon M. Chu apresenta cenários inéditos e exige ainda mais da equipe criativa. “Não é uma réplica”, afirmou.
Como o elenco sustenta a sequência
Parte da força de Wicked: For Good repousa nas atuações de Cynthia Erivo e Ariana Grande. A química já estabelecida entre Elphaba e Glinda evolui para um confronto emocional mais maduro, permitindo que Erivo explore nuances sombrias da “Bruxa Má” enquanto Grande alterna leveza e convicção.
Yeoh, que retorna como Madame Morrible, acrescenta camadas de manipulação política à trama. Apesar de não ser cantora profissional, a malaia revelou ter encarado aulas intensivas com um “coach vocal incrível”, entregando números falados que preservam seu timbre grave e impõem autoridade. O esforço ecoa escolhas de elenco corajosas vistas em outras franquias que expandem personagens, algo semelhante ao que Top Gun 3 promete fazer com Maverick.
Direção e roteiro ampliam o universo de Oz
Jon M. Chu, conhecido pelo ritmo pulsante de Podres de Ricos e pela experiência prévia no primeiro Wicked, acentua a grandiosidade dos espaços urbanos de Oz. A fotografia de Alice Brooks utiliza paletas contrastantes para separar os mundos de Glinda e Elphaba, reforçando a dualidade central.
Imagem: Imagem: Divulgação
No texto, Winnie Holzman e Dana Fox expandem arcos secundários, revelam novas regiões – algumas apenas citadas no espetáculo da Broadway – e trabalham paralelos políticos que dialogam com o presente. A intenção, segundo a equipe, era evitar a sensação de “mais do mesmo”, ponto frisado por Yeoh ao defender a originalidade da continuação.
Desempenho técnico e ausência nas categorias visuais
Paul Tazewell, vencedor do Tony por Hamilton, desenhou figurinos ainda mais detalhados que os da primeira parte. Tecidos metálicos e bordados artesanais marcam a evolução de Glinda, enquanto o guarda-roupa de Elphaba ganha cortes assimétricos para refletir a tensão interna da personagem.
Nos bastidores, o departamento de efeitos práticos montou maquetes de Emerald City em escala maior, combinadas a CGI para profundidade. O resultado, elogiado pelos 93% do público no Rotten Tomatoes, não bastou para conquistar a Academia. Para Yeoh, a omissão ignora o esforço “de centenas de pessoas” e vai na contramão do reconhecimento dado anteriormente a áreas técnicas semelhantes.
Vale a pena assistir Wicked: For Good?
A crítica especializada dividiu opiniões, refletida nos 66% de aprovação no Rotten Tomatoes, enquanto a plateia manteve entusiasmo próximo ao do primeiro filme. Com bilheteria global de 528 milhões de dólares, o longa não atingiu os números de 2024, mas consolidou interesse suficiente para chegar ao streaming em 20 de março, via Peacock.
Fãs que valorizam performances musicais de alto nível, direção de arte rebuscada e a conclusão da jornada de Elphaba e Glinda encontrarão motivos para conferir. Mesmo sem indicações ao Oscar, a produção registra um capítulo relevante na adaptação cinematográfica do musical vencedor do Tony e mantém viva a discussão sobre critérios de premiação em Hollywood, tema que o site 365 Filmes continuará acompanhando de perto.
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