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Após chegar ao HBO Max, Linha de Fogo tenta impressionar, mas não sai do básico

Filme aposta na urgência, mas falta impacto e coragem para sair do comum.

Por Matheus Amorim3 Minutos de leitura
Cuba Gooding Jr. e Jason Patric em cena de Linha de Fogo, filme de ação e suspense no Max Brasil
Imagem: Divulgação

Linha de Fogo chegou ao HBO Max Brasil com uma proposta que parece interessante no papel, mas que rapidamente revela suas limitações. A ideia do ex-agente que tenta abandonar a violência e é puxado de volta não é nova, e o filme também não faz nenhum esforço real para renovar essa fórmula.

Dirigido por Matt Shapira, o longa de 2025 aposta no luto como motivação principal, mas trata esse elemento de forma superficial. A dor do protagonista existe, mas raramente ganha profundidade. Ela funciona mais como justificativa narrativa do que como algo realmente explorado.

Logo no início, quando o filme acelera para colocar Jack de volta à ação, fica evidente o problema de construção. Quando assisti essa virada, a sensação foi imediata: o roteiro quer chegar rápido demais no conflito e simplesmente pula etapas importantes, o que enfraquece o impacto.

Personagem central carrega o filme, mas roteiro limita tudo

Jack Conry, interpretado por David A. R. White, tem potencial para ser um personagem interessante. A ideia de um pai dividido entre proteger as filhas e enfrentar o passado poderia gerar um conflito forte, mas o roteiro nunca leva isso longe o suficiente.

Confesso que em algumas cenas mais emocionais, principalmente quando ele tenta equilibrar o papel de pai com o retorno ao submundo, existe um esforço claro de atuação. O problema é que o texto não sustenta esse peso, e tudo se resolve rápido demais.

O retorno ao submundo, que deveria ser um momento marcante, acontece de forma previsível. Quando essa decisão finalmente acontece, a sensação não é de tensão, mas de inevitabilidade. O filme não constrói dúvida, apenas executa o que já era esperado.

Isso afeta diretamente o envolvimento. Em vários momentos, a impressão é de que o filme está seguindo um checklist do gênero, sem realmente tentar criar algo mais marcante ou emocionalmente forte.

Ritmo alto esconde falta de profundidade

A principal estratégia de Linha de Fogo é manter o ritmo acelerado o tempo todo. E isso funciona até certo ponto. O filme raramente fica parado, e sempre existe alguma ação empurrando a narrativa.

Mas esse ritmo também entrega uma sensação clara durante a experiência. Em várias cenas, principalmente nas viradas envolvendo a conspiração, fica a impressão de que o filme está correndo para não precisar explicar melhor o que está acontecendo.

Cuba Gooding Jr. e Jason Patric em cena de Linha de Fogo, filme de ação e suspense no Max Brasil
Imagem: Divulgação

A conspiração central, que deveria ser o grande motor da trama, nunca ganha complexidade real. Quando ela começa a se desenhar, a expectativa é de algo maior, mas rapidamente tudo se resolve de forma simples demais.

Cuba Gooding Jr. e Jason Patric aparecem como nomes que poderiam elevar o nível da história, mas acabam subutilizados. Em especial, existe um momento em que um desses personagens poderia mudar completamente o rumo da narrativa, mas a cena passa rápido e sem impacto.

Até mesmo a tensão, que deveria ser o ponto forte, se torna irregular. Existem bons momentos, mas eles não se sustentam. O filme até cria situações interessantes, mas não consegue extrair o máximo delas.

Linha de Fogo não é um desastre, mas também não deixa qualquer marca. Durante a exibição, a sensação é de estar assistindo algo funcional, mas descartável. Ele cumpre o básico, entrega entretenimento rápido e segue em frente sem realmente ficar na memória.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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