O universo criado por Quentin Tarantino em Era Uma Vez em… Hollywood vai ganhar um desdobramento, mas sem um de seus pilares. Leonardo DiCaprio confirmou que não aparecerá em The Adventures of Cliff Booth, sequência centrada no dublê interpretado por Brad Pitt.
Com direção de David Fincher e produção da Netflix, o novo longa mergulha em um tom mais sombrio, acompanhando Booth depois de trocar os sets de filmagem pelo submundo de Los Angeles. A ausência de Rick Dalton, vivido por DiCaprio, altera a dinâmica que conquistou público e crítica no primeiro filme.
Da parceria Tarantino-DiCaprio ao comando de David Fincher
Em 2019, Tarantino guiou DiCaprio a uma das atuações mais elogiadas de sua carreira recente. Rick Dalton, ator em decadência que busca redenção entre faroestes de TV e fitas italianas, ganhou vida graças ao carisma nervoso de DiCaprio, contrastando com a frieza relaxada de Brad Pitt. O duo rendeu ao filme um curioso balanço entre melancolia pop e humor ácido, características presentes na assinatura do diretor.
Agora, Fincher assume o leme e promete uma guinada estética. Conhecido pelo olhar clínico sobre o lado escuro da alma humana, o cineasta de Clube da Luta e Zodíaco troca as cores quentes de Tarantino por paleta fria, lembrando thrillers policiais. A mudança de diretor não apenas altera a fotografia, mas reposiciona Cliff Booth como protagonista absoluto, sem depender da química estabelecida com Dalton.
A virada de Cliff Booth e o que muda na trama
O trailer de The Adventures of Cliff Booth mostra o personagem atuando como “fixer”, tarefa que exige braços fortes e discrição nos bastidores da indústria. A transformação faz sentido após o clímax sangrento do primeiro longa: Booth provou ser capaz de lidar com situações extremas, então nada mais natural do que ver seu talento colocado a serviço de negócios escusos.
Nesse cenário, a participação de Rick Dalton deixaria de ser orgânica. O ator envelhecido e seu fiel dublê já não dividem a rotina de gravações, e a vida noturna perigosa da nova história reduziria Dalton a mero espectador. A decisão de DiCaprio, portanto, reforça a coerência narrativa e evita participações pontuais que soariam forçadas.
A ausência de Rick Dalton e o impacto na performance do elenco
Sem o contraponto de DiCaprio, cabe a Brad Pitt sustentar o carisma. O ator, que recebeu o Oscar de coadjuvante pelo papel, ganha oportunidade de aprofundar as ambiguidades de Cliff Booth. O personagem já carregava rumores sombrios – o suposto assassinato da esposa, por exemplo – e Fincher costuma explorar nuances morais com habilidade cirúrgica.
Timothy Olyphant retorna como James Stacy, ampliando o arco de atores que lutam para se manter relevantes em Hollywood. Entre as novidades, Carla Gugino, Yahya Abdul-Mateen II e Scott Caan se juntam ao elenco. A escalação indica equilíbrio entre rostos experientes e nomes em ascensão, algo semelhante ao que vimos em Crime 101, outro projeto recente elogiado pela crítica por reunir talentos complementares.
Imagem: Imagem: Divulgação
Quem volta e quem chega para ampliar o universo
A permanência de Olyphant reforça a ideia de continuidade discretamente. Ele representa a antiga Hollywood televisiva, contraponto interessante ao submundo que Booth agora frequenta. A adição de Gugino pode oferecer o toque de dramaturgia que Fincher aprecia, enquanto Abdul-Mateen II tende a trazer eletricidade, repetindo a energia vista em produções de ação contemporâneas.
Esses movimentos também permitem que o longa dialogue com tendências atuais do cinema de gênero. Basta lembrar como Top Gun: Maverick modernizou a saga de Tom Cruise e ainda assim manteve a essência do material original — algo que já gerou expectativa pelo roteiro de Top Gun 3. Fincher, portanto, parece empenhado em equilibrar legado e novidade.
Vale a pena ficar de olho em The Adventures of Cliff Booth?
A aposta da Netflix em expandir o universo criado por Tarantino sem Leonardo DiCaprio pode soar arriscada, mas fornece terreno fértil para explorar facetas de Cliff Booth que ficaram em aberto. Brad Pitt, agora no centro da cena, terá espaço para construir um anti-herói ainda mais complexo.
David Fincher, por sua vez, leva sua marca de suspense psicológico ao glamour decadente de Hollywood dos anos 1970. A combinação de estética sombria, elenco afiado e roteiro que mergulha no crime promete diferenciar o filme do original, evitando comparações diretas com a celebração pop de Tarantino.
Para quem acompanha 365 Filmes, a curiosidade reside em ver como os novos personagens — e a total ausência de Rick Dalton — influenciarão a trajetória de Booth. Resta aguardar a estreia para descobrir se essa mudança de foco manterá o charme do universo e garantirá vida longa ao derivado.
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