Legião, filme de ação e terror sobrenatural de 2010, reapareceu com força no streaming e ocupa o 2º lugar no Top 10 da HBO Max. É um retorno curioso, porque o longa nunca foi tratado como clássico, mas tem um daqueles conceitos que fisgam rápido: anjos como ameaça, apocalipse à espreita e um grupo de pessoas comuns encurraladas no meio do nada.
Com 1h40 de duração e nota 5,3 no IMDb, Legião é o tipo de filme que você entende por que volta a circular: a premissa é ousada, diferente e tinha potencial para virar algo memorável. O problema é que, quando a execução falha, o filme deixa a sensação de oportunidade perdida. Ele tem boas ideias, sim, só que raramente transforma essas ideias em uma história bem amarrada e tensa do começo ao fim.
A premissa de Legião: um apocalipse que começa onde ninguém está olhando
A história parte de um gancho grandioso e, ao mesmo tempo, íntimo: Deus perde a fé na humanidade e envia o arcanjo Michael, junto de uma legião de anjos, para dar início ao apocalipse. Só que Michael decide se opor às ordens recebidas e proteger os humanos. Esse detalhe muda tudo, porque transforma o “fim do mundo” em uma guerra de escolhas, não apenas em uma sentença inevitável.
O palco dessa batalha é deliberadamente pequeno: uma lanchonete no interior dos Estados Unidos, gerenciada por Bob Hanson e seu filho Jeep. Ali, um grupo improvável tenta sobreviver aos ataques sobrenaturais, incluindo Charlie, uma garçonete grávida, e Percy Walker.
Direção e roteiro de Scott Stewart
Scott Stewart dirige e também assina o roteiro, o que costuma dar unidade ao projeto, mas aqui o efeito é o oposto: a ideia é boa, porém o ritmo é instável. Legião alterna entre momentos que deveriam acelerar e trechos que se arrastam sem construir suspense de verdade. Em um filme de ataque e sobrevivência, isso é um problema sério, porque a tensão precisa crescer de forma contínua.
O que mais pesa é a forma como o filme preenche os intervalos entre as sequências de ação. Em vez de desenvolver os personagens por ações e decisões, Legião recorre a diálogos melodramáticos e histórias pessoais despejadas de modo apressado, como se a narrativa quisesse forçar conexão emocional. Só que isso não funciona quando os personagens ainda parecem rasos.
Elenco: nomes fortes, personagens fracos
O elenco tem rostos conhecidos e capazes. Paul Bettany assume Michael com presença e postura de protagonista, trazendo uma energia de “guerreiro cansado” que combina com a ideia de um anjo em desacordo com a ordem divina. Ele é, sem dúvida, o elemento mais sólido quando o filme tenta soar épico.
Dennis Quaid, como Bob Hanson, e Lucas Black, como Jeep, seguram o núcleo da lanchonete e representam a parte mais “humana” do conflito: gente comum tentando manter algum controle quando tudo desaba.
O resultado é que o filme pede que você se importe com perdas e sacrifícios sem ter construído laços. Quando a história tenta emocionar, soa apressada. Quando tenta chocar, falta aquele investimento emocional que faria o perigo doer mais.
Ação e terror: lampejos divertidos em um filme mal amarrado
Legião tem cenas de ataque que divertem e ideias que impressionam pela criatividade. Há momentos em que o filme parece encostar na versão melhor de si mesmo, aquela em que o apocalipse seria uma experiência de tensão constante, com violência estilizada e atmosfera pesada. O problema é que essas cenas são poucas, curtas e espaçadas demais.
Entre uma sequência e outra, a narrativa fica presa em repetições, explicações e pausas que não geram mistério. Quando o filme volta para a ação, ele corre, como se tentasse compensar o tempo perdido. E aí tudo soa apressado, sem o impacto que deveria ter.
A sensação final é a de um projeto com potencial enorme e execução irregular. Isso não apaga os méritos da premissa, nem os momentos em que a imaginação aparece com força. Só confirma que ideia forte, sozinha, não carrega um filme até o fim.

Vale a pena assistir Legião na HBO Max hoje?
Vale se você gosta de terror sobrenatural com clima de apocalipse e não se incomoda com um filme cheio de falhas, mas com conceitos diferentes do padrão. Legião tem um ponto de partida original, e só isso já pode ser motivo para dar play.
Agora, se você busca tensão bem construída, personagens com profundidade e ação bem distribuída, é melhor ajustar a expectativa. Legião derrapa no ritmo, exagera no melodrama e desperdiça boa parte do próprio potencial. Ainda assim, dá para entender por que ele reapareceu no Top 10 da HBO Max: é um conceito chamativo, fácil de vender e difícil de esquecer.
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