A chegada de filmes asiáticos aos catálogos de streaming ocidentais tem se tornado uma grata surpresa para os fãs do gênero. Recentemente, a Netflix adicionou ao seu portfólio 96 Minutos, uma produção dirigida por Tzu-Hsuan Hung que promete prender o espectador na cadeira com uma premissa clássica, mas executada com rigor técnico impressionante.
O longa-metragem, que conta com quase duas horas de duração, desembarca na plataforma cercado de curiosidade. Apesar de uma bilheteria mundial modesta, que somou cerca de US$ 143.917, a produção carrega o prestígio de ter sido reconhecida em um dos festivais mais importantes do cinema oriental, o Golden Horse Film Festival.
Uma trama de alta velocidade e destinos cruzados
A premissa de 96 Minutos aposta na claustrofobia e na urgência temporal para criar suspense. A história se desenrola quase inteiramente dentro de um trem, um cenário que historicamente funciona muito bem para filmes de ação e policial, criando um ambiente onde não há para onde fugir.
O roteiro, assinado por um trio competente formado por Yi-Fang Chen, Wan-Ju Yang e pelo próprio diretor Tzu-Hsuan Hung, entrelaça as vidas de personagens distintos em uma situação limite. De um lado, temos um especialista em bombas e sua noiva, que embarcam na composição sem saber que ela carrega uma carga letal de explosivos.
Paralelamente, a trama nos apresenta um professor de física cuja vida pessoal está em frangalhos. Assolado por escândalos, ele pega o mesmo trem na esperança desesperada de se reconciliar com sua esposa, que partiu em uma viagem anterior.
Nós do 365 Filmes observamos que essa dualidade narrativa é o motor do filme. Enquanto o especialista lida com a ameaça física e imediata da bomba, o professor enfrenta a implosão de sua própria vida moral. Esses dois arcos prometem colidir de forma dramática à medida que o relógio avança.
O reconhecimento técnico no Golden Horse Film Festival
Se a trama parece seguir convenções do gênero, a execução técnica é onde 96 Minutos realmente brilha e se diferencia. O filme recebeu três indicações de peso no Golden Horse Award de 2025, o “Oscar” do cinema em língua chinesa, o que atesta a sua qualidade visual e estética.
A indicação para Melhor Fotografia (Best Cinematography), creditada a Jimmy Wong e Scott Hung, sugere um trabalho visual apurado. Filmar dentro de vagões de trem exige uma iluminação criativa e enquadramentos precisos para evitar a monotonia, e o reconhecimento do festival indica que a equipe superou esse desafio com louvor.
Além disso, a nomeação para Melhor Coreografia de Ação, também para Scott Hung, aponta para sequências de luta e tensão física bem elaboradas. Em um filme confinado, a coreografia precisa ser visceral e realista, aproveitando os espaços apertados para aumentar o impacto de cada golpe.
Por fim, a indicação para Melhor Direção de Arte (Best Art Direction), assinada por Hung-Hsun Lin, reforça a construção de um ambiente imersivo. A veracidade do trem, dos explosivos e dos cenários é fundamental para que o público compre a ameaça como real, e o filme parece ter investido pesado nesse quesito.
O contraste entre a nota do IMDb e a crítica especializada
Um ponto que chama a atenção e merece ser analisado com cautela é a recepção mista da audiência. Atualmente, 96 Minutos sustenta uma nota de 6.1 no IMDb. Para muitos, isso pode parecer uma “nota baixa”, mas no contexto de filmes de ação internacionais, é um indicativo de uma obra que divide opiniões.
Geralmente, essa pontuação sugere que, embora a parte técnica (fotografia, ação) seja irrepreensível, como provam as indicações ao Golden Horse, o roteiro ou o ritmo podem não ter agradado a todos.
É possível que a complexidade de misturar o drama pessoal do professor de física com a adrenalina do esquadrão antibombas tenha causado uma desconexão para parte do público que esperava apenas “tiro, porrada e bomba”.
A direção de Tzu-Hsuan Hung e o gênero policial
Tzu-Hsuan Hung é um nome que vem ganhando espaço ao trabalhar o gênero de ação e policial com uma roupagem moderna. Em 96 Minutos, ele parece buscar um equilíbrio entre o espetáculo visual e a tensão narrativa.
Gerenciar um filme de duas horas que se passa em um ambiente confinado é um teste de fogo para qualquer diretor. É preciso manter o interesse do público, alternando entre momentos de calmaria tensa e explosões de adrenalina.
O fato de o filme ter arrecadado pouco mais de US$ 143 mil em bilheteria mundial pode ser reflexo de uma distribuição limitada nos cinemas antes de chegar ao streaming. O mercado para filmes de ação não-hollywoodianos é feroz, e muitas joias acabam passando despercebidas nas telonas, encontrando seu verdadeiro público apenas na Netflix.
A aposta em um roteiro colaborativo também indica uma tentativa de amarrar as pontas soltas de uma trama que envolve conspiração, tecnologia e drama familiar. Se a bilheteria não foi estrondosa, a presença no catálogo da maior plataforma de streaming do mundo oferece uma nova vida e alcance global para a obra.

Vale a pena assistir 96 Minutos na Netflix?
Para quem é fã de cinema asiático e aprecia produções que prezam pela excelência técnica, a resposta é sim. As indicações ao Golden Horse são um selo de qualidade que garante, no mínimo, um espetáculo visual e sequências de ação de primeira linha.
96 Minutos é ideal para quem gosta de filmes de “corrida contra o tempo”, na linha de sucessos como Invasão Zumbi (pelo cenário) ou Velocidade Máxima. A mistura de suspense com a urgência dos explosivos cria uma atmosfera eletrizante.
Por outro lado, se você se guia estritamente por notas de agregadores ou prefere tramas mais diretas sem subtramas dramáticas complexas (como a do professor e seus escândalos), talvez sinta o ritmo pesar em alguns momentos das duas horas de projeção.
96 Minutos
Para quem é fã de cinema asiático e aprecia produções que prezam pela excelência técnica, a resposta é sim. As indicações ao Golden Horse são um selo de qualidade que garante, no mínimo, um espetáculo visual e sequências de ação de primeira linha.
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