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Bailarina na Prime Video: spin-off de John Wick amplia o universo, mas tropeça no próprio ritmo

Por Thaís Amorim5 Minutos de leitura
Bailarina
Imagem: Divulgação

Bailarina já está disponível na Prime Video e chega com uma missão ingrata: expandir o universo de John Wick sem depender dele, mas também sem parecer um capítulo “menor”. A boa notícia é que o filme entende isso desde o começo. Ele não tenta copiar a mesma energia do Baba Yaga em escala máxima e, quando acerta, entrega uma aventura com identidade própria, ainda que irregular.

Com 2h04 de duração e nota 6,8 no IMDb, o longa dirigido por Len Wiseman aposta em ação e suspense neo-noir para apresentar Eve MaCarro, vivida por Ana de Armas. A história se passa entre John Wick: Capítulo 3 – Parabellum e John Wick: Capítulo 4, e usa esse intervalo como um corredor narrativo: dá para avançar a mitologia, mas também dá para sentir que o filme ainda está encontrando o jeito certo de caminhar.

Bailarina na Prime Video e o lugar do filme dentro do universo John Wick

O maior acerto de Bailarina é escolher um recorte específico do mundo de John Wick: a Ruska Roma e o treinamento que mistura disciplina, ritual e violência com uma estética que parece dança. O filme não precisa explicar tudo desde o zero, porque parte do público já reconhece essas engrenagens, mas também se preocupa em colocar Eve no centro, como alguém que não nasceu lenda e ainda está se tornando uma.

Esse encaixe temporal, entre o terceiro e o quarto filme, funciona como um sinal de trânsito. A presença de personagens conhecidos, como Winston (Ian McShane) e a Diretora (Anjelica Huston), reforça que estamos no mesmo tabuleiro. A participação especial de Keanu Reeves como John Wick entra como lembrete de escala, mas não toma o filme para si, o que é saudável para um spin-off que precisa existir por mérito próprio.

Ana de Armas como Eve MaCarro

Ana de Armas é o motor que mantém Bailarina em movimento mesmo quando o roteiro hesita. Ela explora a fisicalidade de um jeito que raramente vemos em personagens que precisam “nascer” na ação. Eve não parece invencível desde a primeira cena. Ela erra, apanha, repete, volta para o treino e aprende no corpo, o que aproxima o filme de uma jornada mais clássica de formação.

Essa escolha dá um sabor particular ao longa. A vingança pela morte do pai é o gatilho, mas o que segura a atenção é o processo: como alguém vira arma. Há uma energia de insistência em cada sequência, como se Eve estivesse sempre tentando provar que merece estar ali. Para o 365 Filmes, esse é o tipo de protagonismo que funciona porque não depende apenas de carisma, depende de esforço visível.

Direção de Len Wiseman: ação coreografada como dança

Len Wiseman conduz a ação com a consciência de que John Wick criou um padrão: coreografias limpas, ritmo agressivo e inventividade visual. Bailarina não supera esse patamar, mas encontra bons momentos quando transforma combate em performance.

As cenas de luta têm intenção, e isso é mais importante do que quantidade. O problema é que a direção nem sempre consegue manter o mesmo nível de precisão entre os blocos de ação e os trechos de transição. Em alguns momentos, o filme acelera demais; em outros, parece travar para explicar o que já estava entendido no olhar.

Roteiro, ritmo e mitologia: expansão interessante, mas com tropeços

O roteiro de Shay Hatten e Derek Kolstad tem boas ideias, principalmente na maneira como amplia a mitologia das assassinas treinadas sob regras rígidas. A ideia da academia de balé que funciona como escola de mercenários segue sendo uma das imagens mais fortes do universo John Wick, e aqui ganha mais espaço.

Mas Bailarina sofre com um problema comum de spin-offs: a necessidade de equilibrar apresentação e entrega. O filme quer contar a origem, quer mostrar o treino, quer construir a conspiração e ainda quer encaixar participações que o público espera ver. O resultado é um ritmo que se repete em alguns trechos, com ida e volta de motivação, como se a narrativa estivesse sempre “calibrando” a própria intensidade.

Ainda assim, há um mérito claro: Bailarina tenta caminhar com as próprias pernas. E se você gosta de acompanhar esse tipo de análise de franquia e derivação, vale explorar a seção de críticas e também as páginas de catálogo em Prime Video.

Vale a pena assistir Bailarina na Prime Video?

Bailarina
Imagem: Divulgação

Vale, especialmente para quem curte o universo de John Wick e quer ver um capítulo que expande o mundo sem depender totalmente do protagonista original. O filme tem personalidade visual, bons momentos de ação e uma protagonista que sustenta a tela com intensidade e entrega física.

Agora, se a sua expectativa é encontrar a mesma precisão narrativa e a mesma escalada impecável de John Wick, é melhor ajustar o olhar. Bailarina ainda está nos primeiros passos como spin-off: ele amplia, ele testa, ele acerta em várias cenas, mas tropeça no ritmo e na amarração. Mesmo assim, como porta de entrada para novas histórias desse universo, ele deixa uma impressão honesta e curiosa.

Thaís Amorim

Sou Thais dos Santos Amorim, redatora profissional e co-fundadora do portal 365 Filmes. Formada em Marketing, especializei-me na criação de conteúdos estratégicos e curadoria de entretenimento, unindo a análise crítica de séries e filmes às melhores práticas de comunicação digital. Com uma trajetória de mais de 5 anos no mercado, consolidei minha experiência editorial no portal MasterDica, onde desenvolvi um olhar apurado para as tendências do streaming e comportamento da audiência. No 365 Filmes, atuo na intersecção entre a técnica narrativa e a experiência do usuário, garantindo informações de alta relevância e credibilidade para o público cinéfilo.

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