Um jovem camponês de olhar sereno desafia a lógica cruel do mundo moderno. Em Lazzaro Felice, a diretora Alice Rohrwacher relembra ao espectador que a pureza ainda pode ser revolucionária, mesmo quando tudo ao redor incentiva o cinismo.
O longa italiano, lançado em 2018 e recém-chegado ao catálogo da Netflix, apresenta uma fábula sobre exploração, fé e desigualdade que dialoga com quem gosta de tramas profundas, sejam elas filmes, novelas ou doramas. O 365 Filmes destaca os principais pontos dessa produção elogiada pela crítica.
Enredo mostra bondade em meio à exploração
No interior da Itália, uma comunidade de trabalhadores rurais vive sob controle da família De Luna, aristocratas que mantêm as práticas do passado para lucrar com a colheita de tabaco. Entre os residentes está Lazzaro, interpretado por Adriano Tardiolo, conhecido pela gentileza sem limites e pela solidariedade espontânea.
À medida que os De Luna manipulam dívidas e documentos, os moradores permanecem em situação análoga à escravidão. Nesse contexto, Lazzaro ajuda sem esperar retorno e acaba sendo visto como ingênuo. Quando um evento inesperado transporta parte da história para a cidade, a narrativa mostra que a exploração apenas muda de cenário, mantendo antigas desigualdades.
Filme italiano na Netflix quebra barreiras entre realidade e fantasia
A obra combina elementos de drama, fantasia e mistério. A diretora usa recursos visuais e cortes temporais para questionar a noção de progresso. Em determinado momento, Lazzaro sofre um acidente e retorna anos depois sem sinais de envelhecimento, artifício que reforça o caráter atemporal da bondade representada pelo personagem.
Essa decisão estética aproxima o título de contos folclóricos enquanto discute temas sociais contemporâneos, como desigualdade econômica, dívida bancária e marginalização de trabalhadores. O contraste entre campo e cidade deixa claro que a pobreza não desaparece; ela apenas adota novas formas.
Personagens simbolizam choque de valores
Além de Lazzaro, outro personagem central é Tancredi De Luna, herdeiro insatisfeito com a própria família. Ele cria amizade ambígua com o protagonista e usa essa proximidade para encenar um falso sequestro, tentativa de extorquir mais dinheiro da mãe, marquesa De Luna. A relação entre ambos revela a fragilidade de laços construídos em bases utilitárias.
A marquesa, por sua vez, personifica a elite que lucra com a ignorância alheia. Sua postura evidencia como antigas estruturas de poder se adaptam ao tempo sem perder a essência exploratória. Já os demais trabalhadores ilustram a dificuldade de reconhecer abusos quando eles são normalizados por gerações.
Figurino e fotografia reforçam discurso
A fotografia de Hélène Louvart aposta em tons terrosos no campo e cores esmaecidas na cidade, destacando mudanças de ambiente e percepção dos personagens. O figurino, simples nos trabalhadores e exuberante nos De Luna, sublinha a distância social que separa patrões e empregados.
Ao inserir elementos fantásticos, Rohrwacher evita um realismo puro e fortalece a sensação de lenda contemporânea. A presença simbólica de um lobo, que surge em momentos-chave, lembra ao público a conexão entre homem e natureza, tema recorrente na filmografia da diretora.
Relevância do título em 2024
Desde a estreia em 2018, Lazzaro Felice conquistou reconhecimento em festivais, incluindo o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes. A chegada ao streaming facilita o acesso e renova o debate sobre como sociedades atuais valorizam – ou descartam – gestos de solidariedade.
Com o público brasileiro acompanhando cada vez mais novelas, doramas e produções internacionais, o filme italiano na Netflix surge como opção para quem busca histórias que questionam estruturas de poder sem abrir mão de uma narrativa envolvente.
Imagem: Imagem: Divulgação
Onde assistir e avaliação
Lazzaro Felice está disponível no catálogo global da Netflix. O longa tem 2 horas e 5 minutos de duração e está classificado como drama/fantasia/mistério. Avaliações de usuários e críticos costumam girar em torno de 9/10, refletindo o cuidado estético e a força temática da obra.
Para quem deseja conferir uma produção que combina crítica social, toques sobrenaturais e reflexão sobre a pureza humana, o título representa aposta certeira. A adição reforça o compromisso da plataforma em oferecer filmes de diferentes culturas e épocas.
Ficha técnica resumida
Título original: Lazzaro Felice (Happy as Lazzaro)
Direção e roteiro: Alice Rohrwacher
Elenco principal: Adriano Tardiolo, Luca Chikovani, Agnese Graziani, Alba Rohrwacher
Duração: 125 minutos
País: Itália
Lançamento: 2018
Por que vale a pena assistir?
O filme italiano na Netflix oferece trama sensível, discussões sociais pertinentes e estética singular. Quem procura uma obra envolvente fora do circuito comercial encontrará em Lazzaro Felice uma experiência marcante.
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