Entre explosões de petróleo e brigas de família, Landman encontra no sarcasmo de Tommy Norris a faísca que mantém o público ligado. Billy Bob Thornton desfia piadas ácidas enquanto negocia milhões de dólares em barris ou repreende o próprio filho por decisões questionáveis.
O resultado é uma série que alterna suspense e comédia sem perder o ritmo. A seguir, examinamos como o elenco, a direção e o texto se juntam para entregar um neo-western que transita entre o grave e o hilário, atraindo leitores do 365 Filmes e curiosos por histórias que fogem ao padrão.
Performance de Billy Bob Thornton mantém Landman afiado
Thornton abraça Tommy Norris como um anti-herói que prefere um trocadilho torto a um abraço. Em cenas de hospital, funeral ou negociação com cartel, o ator dosa desdém e vulnerabilidade, especialmente quando joga frases como “I quit drinking. I’ll stick with beer” enquanto sorve uma Michelob Ultra.
Essa entrega natural transforma cada xingamento em comentário social sobre o Texas profundo. Quando descobre que a ex-esposa gastou dois mil dólares em trufas, ele reage com o clássico “You’re sh*tting me. For a mushroom?”, sintetizando frustração de trabalhador braçal que lida com luxos incompreensíveis.
O timing cômico do ator também ilumina momentos sombrios. No velório da mãe, Tommy sugere escolher outro caixão — desta vez para o próprio filho. A gargalhada do público nasce da ousadia em misturar luto e bronca paternal, recurso que só funciona pela segurança de Thornton em flutuar entre o trágico e o chistoso.
Elenco de apoio reforça o tom sarcástico
Ali Larter, como Angela, faz pouco caso das grosserias do ex-marido e devolve com ironia. A química entre os dois relembra comédias românticas encarando idade madura, mas acrescida de tiros, perfurações de solo e palavrões. Quando Angela aparece de biquíni em chamada de vídeo, Tommy dispara: “Enjoy the beach. Your t*ts look great. Don’t get syphilis.” O insulto carinhoso revela intimidade que sobrevive ao divórcio.
Jacob Lofland interpreta Cooper, o filho que busca aprovação cavando poços ilegais. A expressão confusa do jovem contrasta com a fúria contida de Thornton, criando um duelo em que cada palavra vira dardo. Já Michelle Randolph, a adolescente Ainsley, expõe um Norris protetor — lado raramente visto — e acrescenta leveza às investidas testosterônicas da série.
Até as participações especiais funcionam como alívio e tensão. Sam Elliott, no papel de T. L. Norris, troca máximas ríspidas com o filho, como no conselho surreal “Don’t ever put your d*ck in a woman’s omelette”. A frase soa absurda, mas o diálogo demonstra sintonia entre dois veteranos que dispensam discursos longos para deixar o espectador rindo de nervoso.
Direção e roteiro equilibram drama e humor
A atmosfera do oeste texano traz sujeira nos jeans e fumaça de cigarro em cada tomada. A direção investe em planos abertos de campos petrolíferos, pontuados por closes que capturam o riso torto de Thornton depois de mais uma provocação. Essa alternância reforça o contraste entre a vastidão do cenário e a pequenez das vaidades humanas.
Imagem: Imagem: Divulgação
Os roteiristas colocam o público dentro da “patch culture”, onde perfurar poços cegos é rotina e piadas de mau gosto servem como moeda de troca. Em Landman, a frase de abertura de cada episódio quase sempre dispara algum comentário ferino que já define o tom. O humor, portanto, não surge como pausa, mas como ferramenta de sobrevivência num ambiente hostil.
É o mesmo mecanismo que move filmes como “Sommersby” ou dramas ambientais como Um Lugar Bem Longe Daqui, onde o cenário molda comportamentos. Aqui, porém, a piada suja substitui o romantismo do pântano, mostrando que cada gênero encontra seu próprio antídoto para o desespero.
Humor como ferramenta de crítica social
Quando Tommy descreve italianos como pessoas que “drink wine, eat pasta and f*ck”, ele não está apenas reforçando estereótipos. A tirada precede uma discussão sobre açúcar versus tabaco, sugerindo que a verdadeira ameaça à saúde americana é diferente do que se imagina. O riso, portanto, convida à reflexão sobre hábitos de consumo.
Outro exemplo é a crítica à televisão diurna. Ao comparar um talk-show a “fart in church funny”, o protagonista ironiza a promessa de entretenimento “familiar” que, para ele, gera apenas constrangimento. A piada expõe divisões políticas sem discursar, confiando no público para completar o raciocínio.
A estratégia lembra títulos que transformam microcosmos em comentário cultural, como a trilogia iniciada por Antes do Amanhecer, mas Landman prefere britadeira a passeio por Viena. Ainda assim, ambos provam que diálogos ágeis podem sustentar narrativas aparentemente simples.
Vale a pena assistir Landman?
Para quem procura um drama contemporâneo que trata perfuração de poços com a mesma leveza de um stand-up, Landman é escolha certeira. Billy Bob Thornton entrega um protagonista repleto de falhas, apoiado por um elenco que entende o valor de uma boa cutucada verbal. A direção mantém o pé no chão em meio a milhões de dólares virtuais, enquanto o roteiro levanta temas como masculinidade, capitalismo e saúde pública sem soltar o cigarro da boca.
Se a mistura de neo-western, família disfuncional e humor politicamente incorreto parece arriscada, a série prova que risco pode render altas pressões — e bons barris de entretenimento.
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