Você confiaria sua vida a um algoritmo? Essa é a pergunta que abre Justiça Artificial, destaque recente do Prime Video. No filme, Chris Pratt vive o detetive Chris Raven, criador de um sistema de julgamento automatizado chamado Tribunal da Misericórdia. Quando sua própria esposa é assassinada, ele se torna réu da tecnologia que ajudou a implantar — e tem apenas 90 minutos para provar a própria inocência.
A premissa é potente, atual e desconfortável. Mas o que realmente acontece no final? E quem matou Nicole Raven? Aviso de spoilers: o texto abaixo revela detalhes importantes do final de Justiça Artificial (Mercy, 2026).
Quem matou Nicole Raven e por que Chris foi incriminado?
O grande choque do terceiro ato é a revelação de que Chris não matou Nicole. O verdadeiro responsável é Robert “Rob” Nelson, que se apresenta ao longo do filme como amigo da família e padrinho de grupo de apoio do protagonista.
A motivação é vingança. Rob é irmão de David Webb, um dos primeiros homens executados pelo Tribunal da Misericórdia — sistema criado pelo próprio Chris após a absolvição de um criminoso que matou seu parceiro policial. Convencido de que o irmão foi condenado injustamente pela IA, Rob decide usar o mesmo mecanismo para destruir Chris.
O plano é frio e calculado. Ele invade a casa da família, espera o momento ideal e assassina Nicole após uma discussão entre o casal. Em seguida, manipula a cena do crime para que todas as evidências apontem para Chris. Como o detetive foi a última pessoa vista com a vítima, a acusação parece sólida.
O sistema automatizado entra em ação. A juíza digital Maddox, interpretada por Rebecca Ferguson, analisa dados e projeta o percentual de culpa em tempo real. A cada nova evidência, o número sobe — transformando estatística em sentença iminente.
O que o final revela sobre o Tribunal da Misericórdia
Conforme a investigação avança, surge um detalhe crucial: o caso anterior de David Webb também foi marcado por falhas humanas. A policial Jaq removeu o celular da sala de evidências, impedindo que o álibi fosse confirmado. A IA julgou com base em dados incompletos — e executou um inocente.
Essa é a principal crítica do filme: o sistema não é neutro. Ele depende das informações fornecidas por pessoas. Quando essas informações são manipuladas, descartadas ou mal interpretadas, a tecnologia apenas amplifica o erro.
Enquanto isso, Rob desenvolve um plano paralelo para destruir o centro de dados do Tribunal da Misericórdia, utilizando explosivos improvisados. Ele também sequestra Britt, filha de Chris, elevando a tensão do clímax.
No confronto final, Chris expõe a verdade e revela as inconsistências no caso. A própria IA recalcula os dados e reconhece a falha na acusação. O julgamento é interrompido. Rob é preso. Britt é resgatada.
Mas o desfecho não é apenas policial. Ele é moral.

Chris percebe que o sistema que criou — movido por sua própria dor e sede de justiça rígida — abriu caminho para injustiças irreversíveis. A morte de David Webb desencadeou o assassinato de Nicole. O ciclo de vingança nasce da confiança cega na tecnologia como solução definitiva.
Justiça Artificial encerra deixando uma pergunta no ar: quando um algoritmo condena alguém injustamente, quem é o verdadeiro responsável? O programador? O operador? O sistema?
O filme não mergulha tão fundo quanto poderia nesse dilema — especialmente se comparado a produções como Black Mirror —, mas entrega um suspense eficiente e uma reflexão direta sobre o risco de automatizar decisões de vida ou morte.
No fim, o Tribunal da Misericórdia falha não porque é tecnológico, mas porque foi criado por humanos imperfeitos. E talvez essa seja a ironia mais incômoda do filme.
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