Quase 17 anos após sua primeira exibição, o final de The Sopranos ainda provoca debates acalorados. A polêmica sequência que corta para o preto virou assunto dominante sempre que alguém menciona a série da HBO.
Esse foco, porém, acaba ofuscando outras passagens marcantes de Made in America, transmitido em 10 de junho de 2007. O episódio derradeiro entrega ao menos seis cenas perfeitas que ajudam a entender por que The Sopranos permanece relevante.
Relembrando o impacto do final de The Sopranos
Quando a tela ficou escura ao som cortado de Don’t Stop Believin’, milhões de espectadores pensaram que o aparelho havia pifado. Segundos depois, os créditos surgiram, selando o fim abrupto da história de Tony Soprano.
Críticas foram divididas na época; mesmo assim, o final de The Sopranos ganhou reavaliações positivas nos anos seguintes. O criador David Chase nunca explicou oficialmente o desfecho, permitindo interpretações variadas sobre o destino do mafioso de Nova Jersey.
Reunião no esconderijo: a família de volta
A primeira cena de Made in America mostra Tony, Carmela, Meadow e A.J. juntos em um local seguro, pouco antes do funeral de Bobby Baccalieri. A reunião destaca o núcleo que sempre sustentou a trama: a família.
Nesse encontro, cada personagem assume seu papel clássico. Tony tenta manter a paz, Carmela demonstra preocupação, A.J. pensa apenas em si e Meadow surge como voz ponderada. É um retrato fiel do que fez tantos leitores do 365 Filmes acompanharem a série com afinco.
Visita a Janice evidencia o vazio após Bobby
Logo após o funeral, Tony vai à casa de Janice para verificar como ela está lidando com a perda. A relação entre os irmãos sempre foi tensa, e a cena reforça essa ambiguidade.
Enquanto Janice tenta assumir o controle da situação, Tony percebe que os filhos de Bobby não a suportam. O momento escancara a cegueira da personagem diante de sua nova realidade familiar, gerando compaixão e desconforto simultaneamente.
Explosão do carro de A.J. quebra expectativas
Em muitas produções de máfia, explosões selam o destino do protagonista. No final de The Sopranos, a única detonação serve para provocar riso: o carro de A.J. pega fogo segundos antes de ele e a namorada se beijarem.
A gag reforça a veia cômica da série, lembrando que problemas podem surgir até nos menores detalhes — e que nem todo incêndio tem ligação direta com os negócios de Tony.
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Morte de Phil Leotardo: violência com humor ácido
Phil Leotardo era um dos antagonistas mais perigosos de Tony. Forte, implacável e cheio de rancor, ele parecia inatingível. Sua queda, contudo, acontece de forma grotesca e irônica.
Alvejado em um posto de gasolina, o mafioso ainda tem a cabeça esmagada pelo SUV da própria esposa, que dá ré sem perceber que o corpo está no chão. A sequência resume a abordagem da série sobre violência: brutalidade misturada a um humor sombrio.
Paulie assume o comando e encara o destino
Com Carlo ausente, Tony oferece a Paulie Gualtieri a liderança da crew Aprile. A promoção, à primeira vista lucrativa, vem carregada de riscos. Paulie reluta, lembrando quantos chefes anteriores morreram no cargo.
Apesar do medo, ele aceita. O momento, sustentado pelo olhar desconfiado de Tony Sirico e a persuasão de James Gandolfini, evidencia o pacto que esses homens fazem: mais poder em troca de uma morte quase certa.
Despedida de Tony e Junior emociona fãs
Uma das cenas mais tocantes do final de The Sopranos ocorre quando Tony visita o tio Junior, internado e sofrendo de demência. O protagonista descobre que o parente já não reconhece mais o sobrinho nem lembra dos velhos tempos.
Ao notar a desconexão, Tony exibe rara vulnerabilidade. As lágrimas silenciosas de Gandolfini e o olhar perdido de Dominic Chianese traduzem a dor de ver um ente querido se apagando em vida, adicionando mais peso ao episódio derradeiro.
Cena final em preto continua dividindo opiniões
Depois de atravessar esses seis momentos inesquecíveis, o público chega à mesa de jantar no restaurante Holsten’s. Tony examina clientes suspeitos enquanto espera Meadow estacionar. Assim que ela entra pela porta, a imagem some.
Para uns, o corte-preto indica que Tony foi assassinado; para outros, simboliza a paranoia permanente do protagonista. Independentemente da teoria, o final de The Sopranos garantiu presença contínua nos debates culturais, mantendo vivo o interesse pela série e pelos detalhes às vezes ignorados de seu último episódio.
