Os programas de patinação artística dos Jogos de Inverno de 2026 transformaram a Arena de Milão-Cortina em uma sala de cinema a céu aberto. Entre saltos e piruetas, as trilhas de grandes produções ganharam novo fôlego diante de milhares de torcedores.
O fenômeno revela como diretores, roteiristas e, principalmente, compositores de Hollywood continuam influenciando o esporte. A seguir, um panorama dos longas que mais ecoaram nos alto-falantes olímpicos — e por que suas músicas continuam irresistíveis para os atletas.
A realeza de Hans Zimmer nas rotações olímpicas
Hans Zimmer voltou a provar que sua assinatura sonora atravessa fronteiras. O alemão, vencedor do Oscar por O Rei Leão (1994) sob direção de Roger Allers e Rob Minkoff, foi lembrado duas vezes neste ciclo. A canadense Madeline Schizas pinçou o medley que junta “Circle of Life” e “This Land”, apostando no impacto emocional construído por Zimmer e pelo letrista Elton John.
No mesmo evento, o italiano Matteo Rizzo escolheu a trilha de Interestelar (2014), obra dirigida por Christopher Nolan e roteirizada por Jonathan e Christopher Nolan. A partitura, escrita em parceria com o físico Kip Thorne, dialoga com a tensão dos saltos quádruplos. O arranjo minimalista de órgão e cordas amplia cada aceleração do programa livre, reafirmando a capacidade de Zimmer de traduzir vastidão espacial em ritmo esportivo.
Denis Villeneuve e a ficção científica que migrou para o gelo
Se Zimmer domina em quantidade, o impacto conceitual de Duna pertence a Denis Villeneuve. Adaptação do romance de Frank Herbert, o longa de 2021 teve roteiro assinado por Villeneuve, Jon Spaihts e Eric Roth, combinando política interplanetária e drama familiar. O cazaque Mikhail Shaidorov recriou a jornada de Paul Atreides com figurino inspirado no stillsuit e cortes de cabelo quase idênticos aos de Timothée Chalamet.
A continuação, Duna: Parte Dois, também ganhou espaço. Na dança no gelo, a dupla espanhola Olivia Smart e Tim Dieck explorará o score de Zimmer que chegará aos cinemas em 2025. A escolha antecipa a atmosfera épica do capítulo dirigido novamente por Villeneuve e roteirizado em parceria com Spaihts, reforçando a expectativa por um encerramento trilógico.
Amor, suspense e nostalgia: de Ghost a Tubarão
Com roteiro de Bruce Joel Rubin e direção de Jerry Zucker, Ghost: Do Outro Lado da Vida (1990) permanece sinônimo de romance trágico. A georgiana Anastasiia Gubanova apostou na versão para Broadway, enquanto o letão Deniss Vasiļjevs preferiu “Unchained Melody”, eternizada por Patrick Swayze e Demi Moore. As leituras distintas comprovam a elasticidade dramática criada por Rubin.
Na outra ponta emocional, Tubarão (1975) de Steven Spielberg carrega a tensão condensada em duas notas. A italiana Lara Naki aplicou cortes bruscos à coreografia para espelhar o suspense que o roteirista Peter Benchley adaptou de seu próprio livro. O vestido com recortes que simulam mordidas funcionou como extensão visual da partitura de John Williams.

Imagem: Imagem: Divulgação
Ícones pop e apostas inusitadas aquecem o público
Nenhum outro personagem atravessou tantas gerações quanto James Bond. Criado pelo escritor Ian Fleming, reinventado por roteiristas como Neal Purvis e Robert Wade, o agente aparece no programa do eslovaco Adam Hagara ao som de “Bond, James Bond”. O tema reforça a aura de sofisticação que o espião ganhou nos cinemas desde 007 Contra Goldfinger (1964).
O contraponto mais lúdico coube ao espanhol Tomàs-Llorenç Guarino Sabate, que precisou negociar até a véspera para liberar músicas de Minions. A trilha colorida dos pequenos amarelos, que ganharão novo rumo em “Minions & Monsters”, permitiu coreografias repletas de caretas e trechos falados em “bananês”. Foi o momento mais descontraído da sessão.
Vale a pena assistir às apresentações com trilhas de filmes?
A presença maciça de blockbusters reforça o vínculo histórico entre cinema e esporte. Obras como Gladiador, dirigidas por Ridley Scott e escritas por David Franzoni, William Nicholson e John Logan, funcionam como dramaturgia pronta para o gelo. O dueto japonês Riku Miura e Ryuichi Kihara mesclou o score original e composições inéditas de Gladiador 2, a ser lançado em 2026, mantendo a coerência épica de Scott.
Para quem acompanha 365 Filmes, a edição de Milão-Cortina serve de vitrine para revisitar roteiristas, diretores e elencos que marcaram época. Cada programa oferece uma leitura coreográfica de personagens já consagrados, dos conspiradores do thriller Conclave — roteiro de Peter Straughan e direção de Edward Berger — aos hackers de Matrix, criação das irmãs Wachowski cuja filosofia ainda dialoga com o presente digital.
Assistir às execuções torna-se, portanto, uma extensão da experiência cinematográfica. Entre um duplo axel e um spread eagle, o público revive diálogos, dilemas e memoráveis atuações. É arte em movimento, costurada pela mesma narrativa que lota salas de cinema há décadas.
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