Nem bem chegou às salas, “Melania” já coleciona números desastrosos e comentários inflamados. Com orçamento estimado em US$ 75 milhões, o documentário, estrelado por Melania e Donald Trump, atraiu holofotes pela escolha de Brett Ratner na direção e pelos obstáculos impostos à imprensa antes mesmo da estreia.
A nota de 8% no Rotten Tomatoes, registrada na data de hoje, resume a primeira leva de reações. Enquanto veículos importantes qualificam o filme como propaganda rasa, o público avalia se vale o ingresso para conferir bastidores prometidos da vida do casal que, segundo a produção, se prepara para um possível retorno à Casa Branca em 2025.
Direção de Brett Ratner reacende polêmicas
Ratner, conhecido por sucessos de bilheteria e por denúncias que mancharam sua reputação em Hollywood, volta ao centro do palco com o documentário. À frente da realização, ele opta por um formato híbrido, alternando entrevistas intimistas e imagens de arquivo. O resultado, segundo analistas, deixa a desejar no ritmo e na coesão narrativa.
Críticos apontam que o cineasta investe tempo excessivo em cenas protocolares, deixando de aprofundar conflitos internos. Essa abordagem, considerada superficial, distancia “Melania” de obras políticas recentes que conseguiram equilibrar empatia e investigação, como “The Final Year” ou “Fahrenheit 11/9”. O contraste fica nítido quando se comparam os recursos gastos: poucos documentários chegam perto da cifra de US$ 75 milhões para contar uma história predominantemente baseada em imagens já conhecidas.
Performance do casal Trump diante das câmeras
Embora um documentário não envolva atuação convencional, há expectativa de carisma, naturalidade e capacidade de conduzir a narrativa. Melania Trump surge sempre impecável, trajando figurinos de grife e discursando de forma contida sobre a pressão política. Ainda assim, especialistas em linguagem corporal citam distanciamento emocional, o que dificulta a criação de empatia com o espectador.
Donald Trump, por sua vez, assume papel secundário, aparecendo em depoimentos rápidos. Sua participação é pontuada por frases de impacto, mas faltam recordações inéditas ou revelações dignas de manchete. Para veículos que analisam cinema político, a ausência de momentos espontâneos fragiliza o poder dramático da obra.
Mesmo quem elogiou a produção reconhece lacunas. O London Evening Standard concedeu 3 de 5 estrelas, elogiando a “imagem estonteante” da ex-primeira-dama, porém sugeriu ao público manter mente aberta quanto às limitações do roteiro. Numa temporada em que projetos de entretenimento como Send Help surpreendem pelo boca-a-boca, “Melania” parece caminhar na direção oposta.
Recepção crítica e nota ínfima no Rotten Tomatoes
A proibição de entrada da imprensa na sessão especial no Kennedy Center, organizada pela Amazon, acendeu o alerta vermelho. Quando finalmente puderam assistir, jornais em peso dispararam adjetivos pouco amistosos. O The Guardian cravou “lixo”, classificando o longa como “um inferno sem fim”. Já The Atlantic cravou “vergonhoso”.
Contribuiu para o índice de 8% no Rotten Tomatoes a repetição de críticas a suposta agenda propagandística. Especialistas citam ausência de contrapontos, montagem que evita perguntas incômodas e trilha sonora épica que reforça imagem heroica do casal. A soma desses elementos destruiu a média, colocando “Melania” ao lado de produções de baixa aprovação lançadas nos últimos anos.
Imagem: Imagem: Divulgação
- Duração: 104 minutos
- Classificação indicativa: PG
- Lançamento nos EUA: 30 de janeiro de 2026
- Salas exibidoras: mais de 1.500 cinemas
Mesmo com a chuva de notas baixas, há vozes que defendem a relevância de conferir o título para compreender a construção de narrativas políticas no cinema contemporâneo. Nesse sentido, o interesse crítico por bastidores lembra debates recentes sobre franquias pop, como a busca por equilíbrio no Monsterverse comentada em Godzilla x Kong: Supernova mira corrigir desequilíbrio.
Distribuição ampla e impacto nas bilheterias
Lançar um documentário político em circuito de mais de 1.500 salas é manobra incomum. A estratégia, fruto de parceria entre produtores — entre eles Melania e o próprio Ratner — e exibidores, pretende alcançar eleitores em todo o país, capitalizando o debate sobre a corrida presidencial de 2024.
Porém a recepção negativa pode comprometer a permanência em cartaz. Analistas de mercado, consultados por 365 Filmes, avaliam que o longa precisará de forte mobilização de apoiadores para cobrir o investimento milionário. A situação lembra iniciativas de estúdios que apostaram alto em títulos controversos e enfrentaram rápida queda de público, caso dos dois novos projetos derivados de Road House, que ainda buscam comprovação de apelo.
Outro ponto que intriga o setor é o modelo de negócios: a Amazon, distribuidora global, limitou a cobertura jornalística na première e não confirmou data para streaming. A prática contraria tendências de lançamentos híbridos, mas pode servir como termômetro antes de disponibilizar o título em escala digital.
Vale a pena assistir ao documentário Melania?
O veredito preliminar da crítica aponta falhas graves de roteiro, direção e ausência de profundidade, refletidas na nota de 8% no Rotten Tomatoes. Ainda assim, interessados em marketing político ou na figura da ex-primeira-dama encontrarão material para observar estratégias de imagem pública e encenação midiática.
Já cinéfilos em busca de narrativa envolvente devem considerar que a produção prioriza mensagens institucionais em detrimento de conflitos dramáticos. Acompanhando o lançamento de blockbusters e franquias em alta, como o possível filme solo de Ben Solo, “Melania” surge como contraponto curioso: muito orçamento, pouca aprovação e um debate cultural que, por ora, supera o próprio conteúdo em tela.
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