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    Cinema

    Roteirista explica por que “Bugonia” manteve o final sombrio do original coreano

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimdezembro 24, 2025Nenhum comentário5 Minutos de leitura
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    O thriller de ficção científica “Bugonia”, estrelado por Emma Stone, chama atenção por suas escolhas ousadas, mas uma delas permaneceu intocada: o final apocalíptico herdado do longa sul-coreano “Save the Green Planet”.

    Em entrevista recente, o roteirista Will Tracy explicou por que jamais cogitou suavizar a conclusão, onde a personagem de Stone confirma ser alienígena e extermina a humanidade.

    Como nasceu o remake “Bugonia”

    Tracy conta que só conheceu o filme original de 2003 depois que o produtor Ari Aster lhe enviou uma cópia. O roteirista, conhecido por “Succession” e “The Menu”, viu ali material para discutir política e cultura contemporâneas, temas que também permeiam seu trabalho.

    A ideia rapidamente atraiu o diretor Yorgos Lanthimos, cinco vezes indicado ao Oscar, que assumiu o projeto após a saída do cineasta coreano Jang Joon-hwan por motivo de saúde.

    Mudanças de gênero deram novo fôlego ao roteiro

    A primeira grande alteração foi transformar a executiva sequestrada em mulher. Essa simples troca de gênero, diz Tracy, abriu espaço para debates sobre poder, imagem pública e manipulação.

    O roteirista também inverteu o sexo do cúmplice do sequestrador. O personagem Don, vivido pelo estreante Aidan Delbis, passou a ser o elo emocional da história, reforçando a dinâmica de amizade obsessiva entre os primos que planejam salvar o planeta.

    A química no set

    Delbis, que se identifica como autista, conquistou a equipe com naturalidade diante de astros como Stone e Jesse Plemons. Segundo Tracy, foram feitos apenas ajustes pontuais nos diálogos para preservar o ritmo e a autenticidade do ator iniciante.

    Por que o final sombrio ficou intocado

    Mesmo com tantas mudanças estruturais, o desfecho de “Bugonia” segue fiel ao original: Michelle revela ser alienígena, classifica a humanidade como falha e extermina nossa espécie, preservando apenas a fauna e flora.

    Tracy revela ter considerado um “plot twist” menos devastador, no qual tudo seria fruto da imaginação do sequestrador, mas descartou a ideia por achar “esperta demais” e pouco impactante. Para ele, o choque final amplia a discussão, permitindo que o público reflita sobre o futuro do planeta sem nós.

    Final é sombrio ou provocativo?

    Na visão do roteirista, chamá-lo de “bleak” não é totalmente justo. Ele enxerga na cena derradeira um convite a questionar a forma como nos relacionamos entre nós e com a Terra: “Há muita possibilidade no quadro aberto que o filme deixa”, pontua.

    Recepção da crítica e apostas em premiações

    Desde a estreia no Festival de Veneza, “Bugonia” coleciona elogios e mantém 87% de aprovação no Rotten Tomatoes. O desempenho alimenta expectativas de indicações ao Oscar para Emma Stone, Jesse Plemons, Lanthimos e o próprio Tracy.

    Com lançamento em streaming marcado para 26 de dezembro, o longa alimenta buzz nas redes e pode ganhar ainda mais fôlego na temporada de prêmios.

    Roteirista explica por que “Bugonia” manteve o final sombrio do original coreano - Imagem do artigo original

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Trama em poucas linhas

    Na história, Teddy (Plemons) acredita que a poderosa CEO Michelle (Stone) é uma alienígena infiltrada cujo povo planeja destruir o planeta. Ele e o primo Don a sequestram para obter confissões. Durante 119 minutos, o filme mistura humor ácido, tensão psicológica e ficção científica, até chegar ao clímax devastador.

    A versão de Lanthimos mantém monólogos densos e cenas de interrogatório em porões abafados, recurso que reflete o interesse de Tracy por peças quase teatrais, sustentadas por longas conversas em um único ambiente.

    Detalhes de bastidores e produção

    “Bugonia” foi filmado em 35 mm, preferência de Lanthimos para garantir textura orgânica. A produção reúne nomes como Andrew Lowe e Emma Stone, que além de atuar, assina como produtora.

    No elenco, destacam-se ainda Will Poulter, Margaret Qualley e Hong Chau em participações pontuais. A trilha sonora usa cordas tensas e ruídos industriais para acentuar a atmosfera paranoica.

    A participação de 365 Filmes

    Para quem acompanha o 365 Filmes, vale lembrar: a obra chega ao streaming da Peacock em 26 de dezembro, data ideal para maratonar e tirar suas próprias conclusões sobre o controverso final.

    O que vem por aí para Will Tracy

    Após “Bugonia”, o roteirista tem vários projetos em desenvolvimento, incluindo um longa que pretende dirigir. Ele afirma querer fugir de temas recorrentes como poder e política, mas reconhece que essas questões o perseguem.

    Enquanto novos roteiros não ganham forma, Tracy segue observando diretores no set para acumular experiência prática antes de sentar na cadeira de diretor.

    Flashbacks em preto e branco

    Uma das marcas visuais do filme são as memórias em preto e branco, recurso que surgiu já no roteiro. Lanthimos transformou as cenas em pequenos sonhos abstratos, ajudando a desvendar o trauma de Teddy sem recorrer a explicações didáticas.

    O efeito, segundo Tracy, evita o temido “exposition dump” e reforça a sensação de realidade distorcida que permeia todo o enredo.

    Conclusão natural dos fatos

    Combinando mudanças de gênero, interpretação afiada de Emma Stone e um final que não faz concessões, “Bugonia” se firma como uma das adaptações mais comentadas do ano. Resta ver como o público reagirá quando o filme chegar às telas domésticas e o debate sobre o destino da humanidade ganhar novos espectadores.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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