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A Morte de Um Unicórnio chega ao Prime Video e vira hit improvável: sátira sombria com Jenna Ortega no centro do caos

Por Thaís Amorim5 Minutos de leitura
A Morte de um Unicórnio
Imagem: Divulgação

A Morte de Um Unicórnio chegou ao Prime Video e rapidamente entrou na conversa como um dos títulos mais assistidos do momento. Não é o tipo de filme que viraliza por ser “fácil”: ele mistura fantasia sombria, terror, comédia e suspense numa sátira que cutuca o público onde dói, especialmente quando o assunto é dinheiro, poder e a mania de transformar tudo em produto.

Com 1h48 e nota 5,8 no IMDb, o longa dirigido e roteirizado por Alex Scharfman carrega a assinatura do cinema de risco da A24 e aposta em uma ideia tão absurda quanto eficiente: atropelar um unicórnio e, em vez de recuar, acelerar rumo ao pior. O resultado é um filme que pode dividir opiniões, mas dificilmente passa batido.

Uma premissa bizarra que vira retrato de ganância em tempo real

A história acompanha Elliot (Paul Rudd) e a filha, Ridley (Jenna Ortega), a caminho de uma cúpula de gerenciamento de crise. Na pressa, eles atropelam um unicórnio mágico. O que poderia ser apenas choque e culpa vira decisão prática e errada: levar o corpo para o retiro onde o chefe de Elliot, Dell Leopold, está reunido com a família.

Mas o unicórnio morto não é só um evento estranho. Ele vira um objeto de disputa. Assim que os Leopold descobrem o cadáver, a curiosidade e a ambição assumem o comando, e a ideia de “resolver” a situação se transforma em exploração. Quando surgem evidências de que carne, sangue e chifre têm propriedades curativas sobrenaturais, o roteiro acelera para o coração da sátira: a ciência a serviço do lucro, a ética empurrada para o canto e a certeza arrogante de que, se algo cura, então pode ser vendido, patentado e monetizado.

Alex Scharfman e a direção que troca o susto fácil pelo desconforto

Alex Scharfman conduz o filme como quem monta uma armadilha moral. O horror aqui não depende só de criatura ou sangue. Ele nasce da naturalidade com que os personagens atravessam limites. O riso aparece, mas é um riso nervoso, porque o filme faz questão de mostrar que o absurdo tem raiz humana.

Há um cuidado claro em equilibrar gêneros. A comédia existe, mas ela nunca anula o suspense. A fantasia sombria existe, mas ela não romantiza o mágico. E o terror entra como consequência, quase como correção do mundo, quando a exploração passa do ponto.

Elenco afiado: Paul Rudd e Jenna Ortega sustentam a história no detalhe

Paul Rudd dá a Elliot um tom de homem comum em situação impossível, alguém que tenta se convencer de que está “administrando a crise” enquanto, na prática, só empilha erros. Ele funciona porque evita a caricatura do pai atrapalhado. A tensão dele é real: proteger a filha, preservar a carreira e, ao mesmo tempo, lidar com o peso do que fizeram.

Jenna Ortega, como Ridley, é a âncora emocional. A personagem observa o mundo adulto com desconfiança e reage com uma lucidez que incomoda. Isso dá equilíbrio ao filme: quando tudo ao redor vira ganância performática, Ridley se mantém como régua moral e como termômetro do perigo. Richard E. Grant e Will Poulter completam o quadro como peças essenciais do “mecanismo Leopold”, reforçando a sensação de elite blindada que acredita estar acima de qualquer consequência.

A24, originalidade e o tipo de filme que fica na cabeça

A Morte de Um Unicórnio carrega uma das marcas mais reconhecíveis da A24: a coragem de apostar em conceito arriscado e transformar isso em comentário social. O filme é original, às vezes irregular, mas raramente previsível. Ele sabe que o público já viu muitas histórias sobre “ganância que dá errado” e tenta reenquadrar isso por um ângulo estranho o bastante para parecer novo.

O resultado é um thriller psicológico disfarçado de fantasia macabra. O unicórnio, que no imaginário popular costuma ser pureza, vira corpo, recurso, mercado. Essa inversão é o centro do desconforto. E quando o filme deixa o sobrenatural reagir, ele não faz isso como espetáculo vazio, e sim como resposta ao abuso.

Para acompanhar análises nesse mesmo tom no 365 Filmes, vale conferir a editoria de críticas, onde esse tipo de lançamento costuma render comparações com outros títulos de terror e comédia sombria que dividiram o público.

A Morte de um Unicórnio
Imagem: Divulgação

Vale a pena assistir A Morte de Um Unicórnio no Prime Video?

Vale, principalmente, para quem gosta de filmes que misturam gêneros sem pedir desculpas. Aqui, a comédia não suaviza o horror, e o horror não elimina a ironia. O filme aposta em uma ideia absurda para falar de algo bem concreto: o impulso de explorar qualquer coisa que pareça lucrativa, mesmo quando isso destrói tudo ao redor.

Agora, é bom entrar sabendo que não é um terror tradicional e nem uma comédia leve. A Morte de Um Unicórnio é uma sátira sombria, e parte do impacto vem justamente do incômodo. Para quem curte A24, é o tipo de experiência na Prime Video que provoca, divide e, no fim, fica ecoando na cabeça muito depois dos créditos.

Thaís Amorim

Sou Thais dos Santos Amorim, redatora profissional e co-fundadora do portal 365 Filmes. Formada em Marketing, especializei-me na criação de conteúdos estratégicos e curadoria de entretenimento, unindo a análise crítica de séries e filmes às melhores práticas de comunicação digital. Com uma trajetória de mais de 5 anos no mercado, consolidei minha experiência editorial no portal MasterDica, onde desenvolvi um olhar apurado para as tendências do streaming e comportamento da audiência. No 365 Filmes, atuo na intersecção entre a técnica narrativa e a experiência do usuário, garantindo informações de alta relevância e credibilidade para o público cinéfilo.

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