O episódio 8 da 3ª temporada de Euphoria, intitulado “In God We Trust”, já foi exibido pela HBO e pela HBO Max e funciona como um finale de peso incomum até para os padrões da série. Com cerca de 93 minutos, o capítulo abandona qualquer ilusão de saída limpa e transforma a reta final de Rue em uma tragédia construída sobre vício, fé, culpa e violência.
Mais do que encerrar uma temporada, o episódio parece pensado como fechamento de ciclo. A morte de personagens centrais, a forma como a história de Rue é concluída e o esvaziamento de vários eixos dramáticos deixaram a crítica americana tratando o capítulo como um possível fim de série, ainda que uma confirmação formal de continuidade siga dependendo da HBO.
Resumo completo do último episódio de Euphoria
O finale começa retomando diretamente o colapso do episódio anterior. Rue ainda tenta sobreviver às consequências de sua ligação com Laurie, Alamo e a operação monitorada pela DEA, mas já não existe a fantasia de que ela controla esse jogo.
A primeira grande virada envolve Laurie. Uma das figuras mais ameaçadoras da trajetória de Rue desde a 2ª temporada, Laurie chega ao fim quando o cerco policial e a guerra criminosa tornam sua posição insustentável.
A cobertura do finale destaca que a personagem morre logo no início do episódio, encerrando um arco que sempre funcionou como sombra constante sobre Rue.
Rue sai viva desse primeiro momento de caos, mas completamente destruída. Ferida e abalada, ela vai para a casa de Ali, a figura que a série mais aproximou de um mentor moral e espiritual.
O episódio insiste nessa ironia cruel: quando Rue parece enfim se aproximar de alguém capaz de acolhê-la fora da lógica do crime, o que ela carrega consigo já tornou a salvação quase impossível.
É aí que o golpe final se instala. Alamo havia entregado a Rue comprimidos vendidos como Percocet, mas contaminados com fentanil.
O finale mostra que ela toma os comprimidos acreditando estar apenas tentando aliviar a dor física e emocional depois do que viveu. Na manhã seguinte, Ali a encontra morta no sofá.
A morte de Rue muda totalmente o centro dramático do capítulo. A partir dali, Euphoria deixa de acompanhar sua luta por sobrevivência e passa a observar o impacto devastador que ela causa em quem fica.
Ali testa os comprimidos, confirma a presença de fentanil e entende que aquilo não foi uma recaída banal, mas consequência direta da violência e do controle de Alamo.
Tomado pela dor, ele abandona a postura de conselheiro e parte para o confronto. A crítica descreve a sequência no Silver Slipper quase como um duelo de faroeste neon: Ali enfrenta Alamo no clube, e a balança muda quando Bishop interfere, retirando as balas da arma do traficante. Sem munição e sem o domínio que acreditava ter, Alamo é morto por Ali.
Enquanto isso, o episódio também lida com o rastro deixado por Nate, morto no capítulo 7. Cassie e Maddy seguem vivas, mas profundamente alteradas pela cadeia de violência que passou a cercá-las.
A cobertura do finale destaca que as duas terminam tentando imaginar uma existência possível fora da órbita dos homens que as destruíram ou exploraram, embora sem qualquer sensação de redenção completa.
O último movimento do episódio leva Ali a uma reunião e a uma mesa em família marcada por oração e imaginação espiritual. É nesse ponto que a série fecha com a imagem de Rue sentada à mesa.
A cena não sugere sobrevivência literal, mas paz simbólica: Ali não a vê mais como o corpo que encontrou morto, e sim como uma presença finalmente livre da dor que a consumiu por tanto tempo.
Final explicado: por que a morte de Rue é o verdadeiro ponto final de Euphoria
O final de Euphoria confirma que Rue Bennett morre por intoxicação causada por comprimidos contaminados com fentanil. O episódio trata isso não como susto barato nem como gancho artificial, mas como desfecho definitivo de uma personagem que passou a série inteira oscilando entre autodestruição, fé, recaída e desejo de redenção.
A decisão foi defendida publicamente por Sam Levinson, que a descreveu como uma consequência “honesta” para o universo da série.
É justamente por isso que o finale é tão devastador. Rue vinha tentando acreditar que sua sobrevivência recente significava algum tipo de destino ou proteção divina. O episódio desmonta essa ideia. Em Euphoria, a fé não apaga o peso do trauma, do vício nem das pessoas perigosas que alguém permitiu entrar na própria vida.
A morte de Alamo pelas mãos de Ali reforça outra tragédia importante. Durante anos, Ali funcionou como símbolo de recuperação, disciplina e autocontrole.
Quando ele mata o homem responsável pela morte de Rue, Euphoria mostra que nem mesmo sua figura mais espiritual sai intacta do impacto que a protagonista deixa. Não é só vingança; é também ruptura de identidade.
O episódio também transforma o destino de Rue em chave para reler toda a 3ª temporada. Nate já estava morto, Laurie cai no começo do finale, Alamo morre no confronto final e a própria Rue desaparece.

Esse acúmulo de mortes esvazia quase todos os grandes polos de conflito da fase atual e ajuda a explicar por que tanta gente leu “In God We Trust” como algo muito próximo de um encerramento total.
No fim, o sentido do final é cruel, mas muito claro: Rue não foi derrotada apenas pelas drogas. Ela foi vencida por uma combinação de dependência, exploração, violência e uma crença cada vez mais desesperada de que ainda teria tempo para consertar tudo.
A imagem final à mesa oferece a única graça que Euphoria permite a ela: não a vida, mas algum descanso depois de temporadas inteiras de guerra interna.
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