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    Cinema

    Tomb Raider no cinema: 25 anos repetindo o mesmo erro com Lara Croft

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimjaneiro 27, 2026Nenhum comentário5 Minutos de leitura
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    Hollywood nunca resistiu ao apelo de Lara Croft. Desde que a arqueóloga invadiu a cultura pop nos anos 1990, qualquer estúdio que se depara com a franquia Tomb Raider tenta levá-la de volta à tela grande. Ainda assim, passadas mais de duas décadas, todas as versões live-action insistem em ignorar o material que tornou o nome da heroína mundialmente conhecido.

    Angelina Jolie, Alicia Vikander e, em breve, Sophie Turner vestiram – ou vão vestir – o icônico top verde, mas nenhuma adaptação mergulhou de verdade nos dois primeiros games, lançados em 1996 e 1997. O resultado é um ciclo de filmes tecnicamente competentes, mas sempre criticados pela mesma lacuna: a ausência das histórias que consagraram Lara.

    Angelina Jolie: carisma dominante, roteiro distante dos games

    Lara Croft: Tomb Raider (2001) marcou a estreia de Jolie como a aventureira, sob direção de Simon West e roteiro de Patrick Massett e John Zinman. A produção acertou ao destacar o magnetismo físico da atriz, treinada em artes marciais e acrobacias que transformaram sequências de ação em momentos espetaculares. Contudo, os roteiristas preferiram inventar uma narrativa própria envolvendo um artefato cósmico chamado Triângulo da Luz, sem relação direta com a Atlântida ou com o Scion, ponto central do primeiro jogo.

    No segundo filme, Lara Croft – Tomb Raider: A Origem da Vida (2003), Jan de Bont assumiu a direção. Jolie continuou entregue ao papel, exibindo segurança com pistolas duplas e humor sarcástico, porém o enredo sobre a mítica Caixa de Pandora desviou novamente do cânone inicial. A crítica reconheceu a presença hipnótica da atriz, mas apontou a falta de conexão com os adversários Natla e Larson, vilões originais que jamais deram as caras.

    Alicia Vikander: realismo físico que não bastou

    Quinze anos depois, Tomb Raider (2018) chegou sob comando do norueguês Roar Uthaug. O roteiro de Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons bebeu ligeiramente da trilogia de jogos reiniciada em 2013, reimaginando Lara como uma jovem sem experiência. Alicia Vikander se destacou pelas cenas intensas de parkour e pelo esforço físico palpável, distanciando-se da figura quase super-heroica de Jolie.

    Ainda assim, a produção preferiu recontar a lenda da Rainha Himiko em vez de explorar a corrida contra mafiosos pelo Dagger of Xian ou a disputa contra Natla. Críticos elogiaram a vulnerabilidade de Vikander, mas classificaram o roteiro como derivativo. Sem a mítica Atlântida ou o dragão escondido sob a Grande Muralha, o longa não ofereceu o senso de maravilha presente nos cenários dos games originais.

    Sophie Turner e a terceira chance em série da Prime Video

    Agora, a Amazon prepara uma produção seriada com Sophie Turner no papel principal, roteiro de Phoebe Waller-Bridge e foco em exibir Lara Croft sob nova ótica. A presença de personagens como Zip e Atlas DeMornay, vindos de fases posteriores dos jogos, indica que a adaptação deve repetir a tendência de pular a origem clássica. Se a ideia é abraçar a nostalgia dos anos 1990, causou estranheza entre fãs ver a trama começar já nos estágios intermediários da cronologia.

    Tomb Raider no cinema: 25 anos repetindo o mesmo erro com Lara Croft - Imagem do artigo

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Nesse cenário, a participação de Waller-Bridge promete diálogos afiados e ritmo televisivo moderno, mas resta saber se veremos, finalmente, a Atlântida ou a famosa passagem de Veneza, onde Lara pilota um barco em alta velocidade. Caso contrário, o seriado corre o risco de repetir a fórmula que manteve as produções anteriores longe de aclamação crítica consistente.

    Por que os primeiros jogos seguem ignorados?

    O primeiro Tomb Raider apresenta Jacqueline Natla, líder caída de Atlântida, rival à altura de Lara graças à combinação de charme e ambição desmedida. A narrativa envolve ruínas ancestrais, dinossauros e experimentos genéticos que resultam em mutantes, ingredientes cinematográficos prontos para set pieces exuberantes. Bastaria expandir motivações de Natla e aprofundar o conflito com Larson para preencher um longa ou temporada inteira.

    Já em Tomb Raider II, Lara disputa com mafiosos pela posse do Dagger of Xian. O roteiro do game atravessa a Grande Muralha, um palácio veneziano e plataformas de petróleo abandonadas, culminando numa batalha contra um dragão lendário. O jogo oferece locações variadas, vilões carismáticos e escala épica, tudo inerentemente “filmável”. Ao preferirem tramas autônomas, roteiristas de cinema abriram mão desse pacote completo, prática que o mercado repete há 25 anos.

    Vale a pena assistir?

    O trabalho de Angelina Jolie permanece referência pela entrega física da atriz e pela criação de uma ícone live-action, apesar do roteiro distante dos games. A versão com Alicia Vikander traz realismo e intensidade, mas não supera o fôlego limitado da narrativa. A série com Sophie Turner carrega expectativas altas, sobretudo pelo envolvimento criativo de Phoebe Waller-Bridge; entretanto, a hesitação histórica em adaptar as primeiras aventuras ainda é o maior obstáculo para conquistar de vez o público e a crítica.

    Enquanto isso, a cultura pop mostra apetite contínuo por reinterpretações. Basta observar iniciativas como The Wrecking Crew, que atualiza o espírito de Máquina Mortífera com novos astros. Se Tomb Raider aprender com a própria história e abraçar finalmente os títulos de 1996 e 1997, talvez Lara Croft ganhe a adaptação definitiva que fãs aguardam desde o começo, algo que o site 365 Filmes acompanhará de perto.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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