Dois anos após a estreia de “The Marvels”, a diretora Nia DaCosta falou abertamente sobre o resultado de bilheteria do filme, considerado o maior tropeço financeiro do Universo Cinematográfico Marvel (MCU). A cineasta, porém, prefere destacar as parcerias que surgiram nos bastidores e o empenho de todo o time envolvido.
O longa arrecadou US$ 206 milhões, bem abaixo do orçamento estimado em US$ 270 milhões, mas ainda assim serviu de ponte para outras produções da franquia. Em conversa com a revista Deadline sobre seu novo projeto, “28 Years Later: The Bone Temple”, DaCosta relembrou o caminho até aqui, sem lamentações e com foco nas relações profissionais que se mantêm vivas.
Os bastidores de “The Marvels” e a manutenção de vínculos profissionais
Na entrevista, a diretora revelou que costuma visitar sets da Marvel, inclusive o de “Avengers: Doomsday”, onde reencontrou produtores e colegas de elenco. DaCosta contou que ver os Irmãos Russo em ação e conversar com velhos conhecidos ajuda a reforçar a sensação de comunidade dentro do estúdio, apesar dos números decepcionantes do longa que comandou.
Segundo ela, cada profissional “fez o melhor possível” para entregar um filme à altura do legado do MCU. Esse discurso ganha força quando se observa que, mesmo diante das críticas, a cineasta segue convidada a circular por bastidores importantes, sinalizando respeito mútuo entre os criadores.
A performance do trio protagonista em foco
Do ponto de vista artístico, “The Marvels” vive e respira pelas atuações de Brie Larson, Iman Vellani e Teyonah Parris. Larson reprisa Carol Danvers com energia contida; seu carisma funciona como âncora emocional. Vellani rouba a cena ao trazer leveza, timing cômico e entusiasmo genuíno na pele de Kamala Khan. Já Parris constrói uma Monica Rambeau à flor da pele, equilibrando vulnerabilidade e firmeza.
A química entre o trio foi amplamente destacada por quem defendeu o filme, justificando a avaliação de 79% do público no Rotten Tomatoes, superior aos 63% da crítica especializada. Mesmo críticos que apontaram falhas narrativas reconheceram entregas sólidas de elenco coadjuvante, caso de Zawe Ashton como a antagonista Dar-Benn e de Park Seo-joon em participação breve, mas marcante.
Direção de Nia DaCosta: entre limitações e autenticidade
DaCosta assumiu a cadeira de direção depois do bem-sucedido “Candyman” (2021), mas enfrentou desafios distintos dentro de uma engrenagem bilionária. A própria realizadora já admitiu, em entrevistas anteriores, lidar com versões do roteiro que mudavam com frequência. Essa dinâmica, típica de megaproduções, pode diluir a visão autoral, algo que ela tenta recuperar no terror “The Bone Temple”.
Imagem: Imagem: Divulgação
No entanto, a cineasta não se mostra ressentida. Para 365 Filmes, chama atenção a maturidade com que DaCosta revisita a experiência: ela a vê como etapa de aprendizado, tanto técnico quanto humano. Ao destacar que as relações “continuam boas”, a diretora indica que seu nome segue bem-visto no estúdio e que a porta permanece aberta para futuras colaborações.
Roteiro, efeitos e ligação com o futuro do MCU
Escrito por DaCosta, Megan McDonnell e Elissa Karasik, o roteiro foi criticado pela sensação de pressa e pela dependência de ganchos para produções futuras. Ainda assim, cumpriu papel estratégico ao reintroduzir Hank McCoy/Beast (Kelsey Grammer) em cena pós-créditos. Essa passagem pavimenta o terreno para “Avengers: Doomsday” e, mais adiante, para “Avengers: Secret Wars”, peça-chave da Saga do Multiverso.
Nos aspectos técnicos, “The Marvels” combina efeitos visuais competentes a um ritmo ágil, consequência da duração enxuta de 105 minutos — uma raridade em blockbusters atuais. A fotografia colorida dialoga com o tom aventuresco, mas em alguns momentos falta coesão entre a estética vibrante e a gravidade de certos conflitos. Mesmo assim, a direção de arte acerta ao criar mundos distintos que exploram o potencial cósmico da franquia.
Vale a pena assistir?
Para quem busca cenas de ação dinâmicas, interações calorosas entre personagens e pontos de conexão com próximos capítulos do MCU, “The Marvels” entrega valor. O longa sustenta a trama na química do elenco principal e, apesar de tropeços narrativos, oferece diversão competente. Se o interesse estiver em entender como a história avança rumo a “Avengers: Doomsday”, a sessão faz sentido — especialmente para fãs que acompanham a saga completa.
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