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    Cinema

    Tommy, do The Who, antecipou o conceito de multiverso décadas antes da Marvel

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimdezembro 12, 2025Nenhum comentário4 Minutos de leitura
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    Em 1969, quando o álbum Tommy chegou às lojas, o público via ali apenas uma ousada ópera-rock. Meio século depois, fica evidente que o trabalho do The Who lançou as bases para a lógica do multiverso que hoje domina cinema, TV e quadrinhos.

    A obra saltou de formato, alterou tom, ganhou novas leituras e se manteve coesa, algo que só se tornaria regra em franquias pop muito tempo depois. Com o filme de 1975 completando 50 anos, vale revisar como cada reinvenção adicionou camadas à narrativa.

    Do vinil às telas: a primeira metamorfose de Tommy

    Lançado em maio de 1969, Tommy apresentou uma trama centrada em trauma, transformação e renascimento simbólico. O protagonista, Tommy Walker, torna-se cego, surdo e mudo após um choque psicológico, mas encontra significado ao dominar o pinball. O disco trouxe 24 faixas e formou um arco narrativo completo.

    Seis anos depois, o diretor Ken Russell adaptou o enredo para o cinema. A versão de 1975, estrelada por Roger Daltrey e com participações de Elton John, Tina Turner e Ann-Margret, expandiu o universo da história. As canções ganharam visual psicodélico, figurinos exuberantes e cenários surrealistas, transformando a ópera-rock em espetáculo operático.

    De limitação a habilidade sobre-humana

    A cegueira de Tommy era um obstáculo que virava poder metafórico, algo que ecoaria no Demolidor da Marvel, criado poucos anos antes. Assim como Matt Murdock converte a falta de visão em percepção aguçada, Tommy interpreta o mundo de maneira singular, alcançando status de “pinball wizard”.

    Reboots que lembram quadrinhos

    A segunda grande reinvenção veio em 1993, quando The Who’s Tommy estreou na Broadway. Dirigida por Des McAnuff, a montagem reordenou faixas, apertou conflitos e clareou motivações. Foi um verdadeiro reboot, comparável a eventos como Crisis on Infinite Earths (1985), que reorganizaram a continuidade da DC Comics.

    Em vez de substituir versões anteriores, o musical criou linha paralela. Essa lógica espelha séries de quadrinhos como Ultimate Marvel, que modernizou heróis sem descartar versões clássicas. Tommy passou a existir em múltiplas interpretações simultâneas — cada uma válida dentro do seu recorte.

    Tommy, do The Who, antecipou o conceito de multiverso décadas antes da Marvel - Imagem do artigo original

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Novas montagens e público multiverso-literate

    Entre os anos 1990 e 2000, diferentes diretores revisitaram a peça com leituras próprias. Esse processo continuou no século XXI: em 2023, a história voltou aos palcos em Chicago; em 2024, reabriu na Broadway. Hoje, espectadores acostumados a três Homem-Aranha ou vários Batman entendem a coexistência de versões sem estranhamento.

    Linha do tempo: paralelos entre Tommy, Marvel e DC

    A trajetória de Tommy acompanha marcos dos quadrinhos de super-herói.

    • 1969 – Álbum Tommy: nasce uma mitologia original em áudio.
    • 1975 – Filme: expansão visual e tonal, à semelhança da “revolução Marvel” dos anos 1960, que apostou em tramas mais ousadas.
    • Turnês dos anos 1970: performances remodelam significado, lembrando a “Era de Bronze” da DC, famosa por temas mais adultos.
    • 1993 – Musical: reboot estrutural análogo a Crisis on Infinite Earths.
    • Décadas de 1990 e 2000: diretores criam variações, tal qual Ultimate Marvel e Elseworlds.
    • 2023-2024 – Revival: versão moderna convive com as demais, assim como o multiverso de MCU e DCU.

    Os paralelos mostram que a ópera-rock não apenas sobreviveu a mudanças, mas adotou antes dos quadrinhos a ideia de ramificar narrativas. Hoje, o conceito é central no entretenimento audiovisual.

    Por que Tommy continua referência 50 anos depois

    Ao longo de cinco décadas, Tommy provou ser flexível como qualquer super-herói clássico. A obra já foi álbum conceitual, filme cult, peça premiada e revival contemporâneo. Cada encarnação dialoga com seu tempo e reforça a lenda de um protagonista que transforma limitações em poder.

    Para o leitor do 365 Filmes, entender essa cronologia ajuda a enxergar a evolução da cultura pop: muito antes de termos “Fase 1” ou “Terra-199999”, The Who mostrava que uma boa mitologia pode renascer indefinidamente sem perder a essência.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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