Poucas combinações empolgam tanto o público quanto best-sellers transformados em produções grandiosas. Quando se fala em filmes de fantasia baseados em livros, a expectativa cresce ainda mais, já que o gênero permite liberdade criativa para diretores, roteiristas e, claro, para atuações marcantes.
Com estreias previstas entre 2026 e 2027, dez adaptações chamam a atenção por elencos estrelados, cineastas premiados e promessas de efeitos visuais de primeira. A seguir, veja como cada equipe pretende levar essas narrativas do papel para a tela, destacando performances, escolhas de direção e os maiores desafios de adaptação.
Renovação mítica: Children of Blood & Bone e Lore
Children of Blood & Bone, primeiro volume da trilogia Legacy of Orïsha, chega aos cinemas em 15 de janeiro de 2027. Dirigido por um nome ainda mantido em sigilo, o longa carrega peso dramático nas interpretações: Thuso Mbedu assume a protagonista Zélie com a mesma intensidade vista em seu trabalho na série The Underground Railroad. Ao lado dela, Amandla Stenberg e Tosin Cole formam um trio de heróis jovens, enquanto Viola Davis e Idris Elba reforçam o elenco com autoridade incontestável. A expectativa é ver como cada ator irá equilibrar o tom épico da narrativa com as nuances de opressão racial que permeiam o livro.
No roteiro, a própria autora Tomi Adeyemi colaborou, garantindo fidelidade às origens iorubás e à ambientação de uma Nigéria alternativa sem colonização. A fotografia deve explorar paletas quentes e contrastes de luz que evoquem a magia ancestral, recurso fundamental para que o público sinta a força dos clãs divîners. Para quem busca filmes de fantasia baseados em livros que trazem representatividade negra, essa produção surge como forte candidata a destaque de bilheteria e premiações.
Na mesma toada de renovação mítica, Lore, de Alexandra Bracken, encontra na Universal um terreno fértil. Os roteiristas Joe Shrapnel e Anna Waterhouse tentam condensar a tensão da “caça aos deuses” em duas horas de projeção. O casting ainda não foi divulgado, mas executivos dão sinais de que a escolha de Lore Perseous priorizará talento jovem com presença física para cenas de ação. A produção promete lutas coreografadas ao estilo de Jogos Vorazes, porém com a brutalidade das lendas gregas recontadas para o século XXI.
Animação autoral: The Buried Giant e Piranesi
Guillermo del Toro, depois de Pinóquio, mergulha em stop-motion novamente para adaptar The Buried Giant, romance de Kazuo Ishiguro. A decisão de usar animação quadro a quadro reforça o tom melancólico do livro, onde a névoa do esquecimento se torna personagem. Dennis Kelly divide o roteiro com del Toro, apostando em silêncios e simbolismos visuais que permitam aos dubladores — ainda não anunciados — entregarem atuações contidas, quase teatrais. Entre os filmes de fantasia baseados em livros, esta será uma rara oportunidade de ver o diretor mexicano revisitar a lenda arturiana sem perder a carga de humanidade típica de sua obra.
Quem também segue a estética stop-motion é a Laika, que comprou os direitos de Piranesi, de Susanna Clarke. Travis Knight dirige e Dave Kajganich escreve, tarefa complexa diante da narrativa labiríntica e filosófica. A escolha do estúdio faz sentido: em Coraline e Kubo, a Laika exibiu a mesma paciência artesanal necessária para representar corredores infinitos e estátuas colossais. Embora não se saiba quem dará voz a Piranesi, espera-se que o protagonista seja interpretado por um ator capaz de transitar entre ingenuidade e obsessão em poucos diálogos.
Clássicos revisitados: The Magician’s Nephew e The NeverEnding Story
Greta Gerwig, após o sucesso de Barbie, aposta em The Magician’s Nephew, prelúdio das Crônicas de Nárnia, com estreia marcada para 2026. Rumores indicam mudança temporal para os anos 1950, recurso que pode acomodar o estilo visual colorido da diretora. A grande curiosidade é como ela apresentará Aslan e Jadis sem recorrer ao realismo digital exaustivo dos filmes anteriores. A direção de atores deve privilegiar expressões faciais próximas à câmera IMAX — confirmada nas duas primeiras semanas de exibição —, valorizando cada nuance de poder ou tentação.
Imagem: Imagem: Divulgação
Já The NeverEnding Story, agora sob coordenação da See-Saw Films e da Michael Ende Productions, tenta finalmente honrar a totalidade do romance de Michael Ende. A nova abordagem divide a história em mais de um filme, permitindo que Bastian Bux se desenvolva além de mero leitor passivo. Produtores ainda negociam nomes para Atreyu e para a Imperatriz Criança, mas o consenso é buscar atores mirins com forte capacidade de improviso, a fim de traduzir o aspecto meta-literário do livro. Para quem cresceu com o filme dos anos 1980, há curiosidade em ver como a direção de arte recriará Fantasia sem cair em nostalgia vazia.
Fantasias de autor: Addie La Rue, Klara & The Sun, Lightlark e The Odyssey
Entre os filmes de fantasia baseados em livros mais aguardados pela comunidade BookTok, The Invisible Life of Addie La Rue se destaca. V.E. Schwab acompanha de perto a adaptação na Lionsgate, elogiando o trabalho dos roteiristas Augustine Frizzell e David Lowery. A seleção do elenco principal permanece em sigilo, mas a protagonista imortal exige uma atriz capaz de alternar sotaques e maneirismos de três séculos diferentes. A produção não tem pressa: a própria autora revelou que a equipe prefere atrasar a estreia a comprometer a complexidade emocional da história.
No campo da ficção científica com tintas mágicas, Klara & The Sun ganha direção de Taika Waititi. Jenna Ortega, Amy Adams e Steve Buscemi lideram o elenco, com Mia Tharia na pele da frágil Josie. Waititi promete equilibrar humor e contemplação, mantendo a espiritualidade solar que sustenta o livro de Ishiguro. A fotografia deve abusar de cores quentes para reforçar a devoção de Klara ao astro-rei, enquanto a trilha sonora pode apostar em sintetizadores brandos para sugerir tecnologia sem perder a ternura.
Lightlark, de Alex Aster, avança sob tutela da mesma equipe de Crepúsculo, agora em parceria com a Universal. A autora participa como produtora executiva, fator que costuma agradar fãs. A trama de competição mortal entre seis reinos exige elenco diverso e domínio de coreografias de luta. Os produtores já adiantam que pretendem filmar em locações naturais para contrapor a opulência dos palácios digitais. Assim, a imersão do público nas maldições centenárias dos governantes ganha textura real.
Por fim, The Odyssey, dirigido por Christopher Nolan e previsto para 2026, reúne elenco estelar: Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o e Zendaya. Filmado integralmente com câmeras IMAX, o projeto aposta em paisagens marítimas grandiosas e criaturas práticas combinadas a efeitos visuais de ponta. Como roteirista, Nolan terá o desafio de condensar dez anos de viagem de Odisseu mantendo o vigor dramático dos cânticos homéricos. A performance de Damon como Odisseu deve mesclar pragmatismo militar e melancolia de herói exilado — combinação cara ao diretor desde Dunkirk.
Vale a pena ficar de olho?
Para o público do 365 Filmes, a próxima leva de filmes de fantasia baseados em livros parece oferecer variedade temática e risco criativo. Seja pela ousadia de del Toro no stop-motion, pela representatividade de Children of Blood & Bone ou pelo espetáculo tecnológico de Nolan, essas produções prometem aquecer debates sobre fidelidade literária, atuação e inovação visual. Fãs de bons elencos e diretores autorais podem anotar as datas: a jornada do papel para a tela está apenas começando.
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