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Wicked: For Good corta piadas políticas, mas mantém crítica atual sobre poder e propaganda

Por Matheus Amorim5 Minutos de leitura

O novo filme Wicked: For Good chega aos cinemas em 21 de novembro de 2025 carregando altas expectativas dos fãs do musical da Broadway. A produção dirigida por Jon M. Chu, com Cynthia Erivo e Ariana Grande nos papéis principais, atualiza a história de Oz sem perder sua essência contestadora.

Ao adaptar o enredo para as telas, o roteiro optou por retirar duas piadas políticas que faziam sucesso em 2003, mas mantêm firme a crítica à manipulação de narrativas. A decisão torna a obra mais atemporal e conversa diretamente com discussões sobre fake news e confiança na mídia em pleno 2025.

Quais linhas foram cortadas em Wicked: For Good

Na montagem original, Nessarose — a irmã de Elphaba — afirmava não poder “abrigar um fugitivo” por ser uma “autoridade não eleita”. A plateia de 2003 captava na hora a alusão ao então presidente George W. Bush e à eleição contestada de 2000. Mais adiante, Glinda descrevia a queda da casa de Dorothy sobre Nessarose como “mudança de regime”, expressão utilizada à época para justificar a Guerra do Iraque.

Esses trechos foram suprimidos da versão cinematográfica. De acordo com os produtores, as referências soariam datadas para espectadores que não viveram aquele contexto político. Além disso, o objetivo da adaptação é dialogar com questões universais sobre poder, propaganda e construção de imagem, sem prender o público a eventos específicos do início dos anos 2000.

Mensagem política continua relevante em 2025

Mesmo sem as piadas originais, Wicked: For Good preserva a espinha dorsal política do musical. O Mágico de Oz controla a população graças a uma campanha de relações públicas impecável: cria inimigos, repete narrativas e abafa qualquer versão dos fatos que ameace sua autoridade. A máxima “percepção é realidade” ganha peso quando animais falantes são taxados de subversivos e presos sob acusação de sedição.

Elphaba, rotulada como “Bruxa Má do Oeste”, torna-se a face do medo coletivo. A personagem percebe que a verdade pouco importa quando o discurso oficial já foi internalizado pela sociedade. Para muita gente em 2025, esse retrato de manipulação lembra algoritmos que filtram informações e reforçam bolhas ideológicas, o que torna a crítica ainda mais pungente.

Detalhes de produção que interessam ao fã de musicais e doramas

A adaptação tem 137 minutos e roteiro assinado por Winnie Holzman, Dana Fox e Gregory Maguire, autor do romance original. A fotografia aposta em tons vibrantes para Munchkinland e cores mais sombrias quando a perseguição a Elphaba ganha força. Marc Platt e David Stone, produtores do espetáculo da Broadway, repetem a parceria no cinema, garantindo fidelidade à obra que arrebatou plateias mundo afora.

Para quem acompanha novelas e doramas, a narrativa de Wicked: For Good traz elementos familiares: rivalidade feminina transformada em amizade, triângulo amoroso com o galante Fiyero (interpretado por Jonathan Bailey) e reviravoltas emocionais dignas de qualquer folhetim. No portal 365 Filmes, o título já figura entre os mais aguardados da temporada.

Por que a escolha faz sentido hoje

Atualizar o texto sem as piadas de 2003 permite que a obra fale com um público mais amplo. Jovens que só conhecem vagamente os acontecimentos da época podem focar na narrativa de empoderamento e resistência. Ao mesmo tempo, a crítica à desinformação e ao culto à imagem dialoga com problemas contemporâneos, como deepfakes e discursos de ódio viralizados.

Wicked: For Good corta piadas políticas, mas mantém crítica atual sobre poder e propaganda - Imagem do artigo original

Imagem:  Giles Keyte

Elenco e personagens centrais

• Cynthia Erivo — Elphaba: a jovem de pele verde cuja luta por justiça vira ameaça ao status quo.

• Ariana Grande — Glinda: a bruxa popular que aprende a questionar os próprios privilégios.

• Jonathan Bailey — Fiyero: príncipe que desafia expectativas ao escolher o lado de Elphaba.

• Michelle Yeoh — Madame Morrible: porta-voz sombria do Mágico, fiel à lógica do medo.

• Jeff Goldblum — O Mágico de Oz: mestre da retórica, símbolo da manipulação midiática.

Oz como metáfora da batalha por narrativas

O roteiro reforça que instituições sustentadas por mentiras se defendem com ferocidade. Ao criar crises fabricadas, o Mágico controla emoções coletivas, prática comparável a campanhas de desinformação que inundam redes sociais. A estratégia ecoa a lógica “diga uma mentira cem vezes e ela vira verdade”, mostrando que o perigo reside tanto em quem mente quanto em quem se dispõe a acreditar.

Quando Elphaba entende que não vencerá apenas com a verdade, passa a agir nos bastidores enquanto Glinda assume a linha de frente pública. A solução lembra tramas de doramas políticos, nas quais personagens alternam papeis para driblar sistemas opressores. Essa dinâmica mantém o ritmo ágil e sustentado por diálogos cortantes.

Expectativa de bilheteria e legado do musical

Wicked estreou na Broadway em 2003 e já faturou mais de 1,5 bilhão de dólares, entrando para o topo dos espetáculos mais lucrativos da história. A Universal pretende transformar Wicked: For Good em um evento cinematográfico, com previsão de sequências e lançamento global em formato premium.

A força da marca, aliada à popularidade do elenco, deve impulsionar a bilheteria inicial. Além disso, a temática sobre poder e propaganda atrai desde fãs de musicais até espectadores interessados em reflexões políticas. A mistura de fantasia, drama e romance promete ampliar o alcance entre amantes de novelas e doramas, público que busca narrativas emocionantes e bem construídas.

Serviço

Título original: Wicked: For Good

Direção: Jon M. Chu

Estreia: 21 de novembro de 2025 (cinemas)

Duração: 137 minutos

Gêneros: Drama, fantasia, romance

Classificação indicativa: PG (livre para todos os públicos)

Com a retirada de piadas datadas e foco em temas que transcendem épocas, Wicked: For Good preserva o espírito questionador da obra original e reforça discussões urgentes sobre quem controla a verdade — dentro e fora das paredes brilhantes da Cidade das Esmeraldas.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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