“Tremembé”, produção nacional do Prime Video, chegou ao catálogo levantando curiosidade sobre o presídio paulista que recebeu detentos célebres.
Entre tramas de bastidores e disputas de poder, a série mistura acontecimentos confirmados com situações criadas só para a narrativa ganhar ritmo.
O triângulo amoroso que realmente existiu
Um dos pontos mais comentados da série “Tremembé” é o relacionamento entre Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga e Sandrão. Segundo o jornalista Ulisses Campbell, autor dos livros que inspiraram o roteiro, a aproximação das três ocorreu de fato dentro da penitenciária.
Suzane manteve namoro com Sandrão, considerada influente entre as internas, e isso gerou ciúmes em Elize, que também se envolveu com a mesma detenta. Na produção, o triângulo amoroso é mostrado como motor de conflitos e, pelo que dizem as fontes, esse ponto específico não foi inventado.
Romance de Cristian Cravinhos com outro preso
A trama masculina também traz um caso verídico. Cristian Cravinhos, condenado pelo assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, teve um relacionamento com outro detento enquanto cumpria pena. O parceiro ganhou o nome fictício de Luka na série, interpretado por João Pedro Mariano.
A diretora Vera Egito revelou que a equipe reorganizou a linha do tempo para encaixar o romance na estrutura de cinco episódios, mas manteve o núcleo central. Resultado: o telespectador vê um envolvimento que realmente constou em registros do sistema penitenciário.
Roger Abdelmassih e a tentativa de enganar a Justiça
Outro fato confirmado envolve o ex-médico Roger Abdelmassih. Condenado por dezenas de estupros, ele tentou conseguir benefícios fingindo estar gravemente doente. A estratégia era usar laudos médicos para trocar a cela por um hospital.
Em “Tremembé”, Abdelmassih aparece simulando fragilidade para obter privilégios — abordagem que espelha, quase cena a cena, o expediente adotado na vida real.
A rebelião que nunca ocorreu
Se há verdades, também surgem invenções. O primeiro episódio mostra Suzane sendo transferida para Tremembé após uma rebelião na Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto colocar a vida dela em risco. Esse motim, no entanto, jamais aconteceu.
Na realidade, a mudança de unidade foi motivada por questões administrativas e de segurança, sem qualquer levante violento. A sequência foi criada unicamente para dar maior impacto dramático logo na estreia.
Imagem: Divulgação
Convivência simultânea de todos os condenados
A série ainda coloca, num mesmo período e espaço, nomes como Suzane, Elize, Anna Jatobá, Alexandre Nardoni, os irmãos Cravinhos e Roger Abdelmassih. Essa reunião é ficcional. Na prática, nem todos cumpriram pena ao mesmo tempo ou na mesma ala.
Alguns personagens já tinham sido transferidos quando outros chegaram, e havia diferenças de regime. Para efeito de roteiro, os criadores optaram por juntar os famosos no mesmo cenário, transformando o presídio em microcosmo de crime, manipulação e poder.
Por que misturar fato e ficção?
Vera Egito define “Tremembé” como híbrido de jornalismo e dramaturgia. A diretora explica que compressão de eventos e criação de situações inéditas ajudaram a dar ritmo sem alterar a essência dos crimes e perfis dos condenados.
Ulisses Campbell reforça a verossimilhança: segundo ele, as passagens mais difíceis de acreditar foram justamente as colhidas em entrevistas e processos. Ainda assim, ajustes eram necessários para caber no formato de minissérie.
Resumo: três verdades e duas mentiras da série
- Verdade: Relacionamento entre Suzane, Elize e Sandrão existiu.
- Verdade: Cristian Cravinhos teve romance com outro detento.
- Verdade: Roger Abdelmassih fingiu doença para tentar sair da prisão.
- Mentira: Rebelião que teria motivado a transferência de Suzane.
- Mentira: Convivência simultânea de todos os réus famosos na mesma ala.
Impacto no público e no debate sobre o sistema prisional
Ao equilibrar realidade chocante e licença poética, “Tremembé” reforça discussões sobre privilégios, segurança e relações de poder dentro das cadeias. Para quem acompanha novelas, doramas e outras obras de dramaturgia, a série surge como experiência intensa e diferente.
No 365 Filmes, a chegada do título ao catálogo já figura entre os lançamentos mais buscados, sinal de que curiosidade e polêmica continuam lado a lado quando o assunto é o chamado “presídio dos famosos”.
Com cinco episódios, produção e elenco apostam na tensão permanente para prender a atenção. Cabe ao espectador distinguir, agora munido de informações, o que é documento e o que é ficção.
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