Em oito anos, o BLACKPINK quebrou recordes de vendas, lotou estádios e se firmou como fenômeno cultural. Nesse intervalo, três das quatro integrantes deixaram o palco para testar o talento na dramaturgia televisiva.
Jennie, Jisoo e Lisa estrelaram produções muito diferentes entre si. Do drama pop de alto orçamento à sátira zumbi, cada projeto trouxe desafios de atuação, escolhas ousadas de direção e recepção variada do público. Veja como elas se saíram.
Jennie segura The Idol nos ombros
Primeira a se arriscar fora do K-pop, Jennie Ruby Jane mergulhou em The Idol, série criada por Sam Levinson em 2023. A trama acompanha Jocelyn (Lily-Rose Depp) e seu mergulho num relacionamento abusivo com o enigmático Tedros (Abel Tesfaye). Jennie vive Dyanne, dançarina e confidente que, pouco a pouco, demonstra ambição capaz de corroer a protagonista.
O roteiro aposta em reviravoltas chocantes, mas peca pelo excesso de cenas sexualizadas e pela falta de sutileza. Nesse ambiente polêmico, a performance de Jennie desponta como ponto de equilíbrio. A artista alterna doçura e frieza sem carregar nos gestos, dando volume a uma personagem que poderia ter sido apenas figurante de luxo.
Levinson, conhecido pela estética de Euphoria, usa iluminação neon e takes longos para destacar dança e expressões faciais. Jennie responde com micro-reações que mantêm Dyanne interessante mesmo em silêncio. Críticos, porém, apontaram falhas de desenvolvimento na escrita: o arco da personagem cresce rápido demais, tornando algumas motivações pouco críveis.
O cancelamento após a primeira temporada impediu aprofundar essa construção, mas consolidou a imagem de Jennie como força dramática capaz de sobreviver a roteiros turbulentos. Para a indústria ocidental, ficou a prova de que estrelas do K-pop podem entregar atuação sólida mesmo em material contestado.
Snowdrop coloca Jisoo no olho do furacão histórico
Lançado no fim de 2021, Snowdrop transporta o espectador para a Coreia do Sul de 1987, período marcado por repressão política e protestos estudantis. Dirigido por Jo Hyun-tak, o drama tenta equilibrar romance proibido e thriller histórico, mas tropeça na reconstrução dos fatos.
Jisoo interpreta Eun Yeong-ro, estudante que abriga um agente norte-coreano ferido dentro do dormitório feminino. A atriz, estreante, opta por naturalismo: voz contida, olhar inquieto e gestual pouco expansivo. Essa escolha cria contraste com o parceiro de cena Jung Hae-in, mais intenso, causando sensação de química desigual em momentos chave.
A fotografia impecável em tons pastel, assinada por Kim Hyun-woo, reforça o clima nostálgico, mas o roteiro de Yoo Hyun-mi comprime acontecimentos políticos complexos em diálogos expositivos. O resultado é uma trama que alterna tensão e didatismo. A recepção local foi dura: acusações de distorção histórica e petições pedindo cancelamento.
Apesar da polêmica, o desempenho de Jisoo revela potencial dramático desperdiçado pelo texto repetitivo. Toda vez que a narrativa concede cenas intimistas, a atriz demonstra sutileza ao expressar culpa e desejo de liberdade. No entanto, a avalanche de subtramas políticas impede o romance de respirar, enfraquecendo o impacto emocional pretendido.
Newtopia explora o lado 4D de Jisoo
Dois anos depois, Jisoo retornou com a comédia apocalíptica Newtopia, exibida em 2025. A série acompanha Kang Young-joo, jovem determinada a encontrar o ex-namorado durante um surto zumbi que devasta Seul. O criador Lee Woo-jeon aposta numa mistura de humor absurdo e terror em ritmo acelerado.
Nesse ambiente, a atriz demonstra timing cômico surpreendente. Gestos amplos, improvisos verbais e expressões faciais exageradas casam com o texto debochado. Ao lado de Park Jeong-min, forma dupla que lembra road movies de sobrevivência, mas com toques de pastelão ao estilo Zombieland.
Imagem: Imagem: Divulgação
A direção mantém câmera na mão e cortes rápidos, enfatizando correria e sustos pícaros. A fotografia, repleta de cores neon, cria identidade visual distinta dentro do subgênero. Alguns críticos reclamaram da repetição de piadas, mas reconheceram que Jisoo parece mais à vontade aqui do que em Snowdrop.
Para quem busca tensão mais visceral, a abordagem leve pode soar superficial. Ainda assim, a criatividade lembra como um suspense escolar, tal qual Alarme de Incêndio, pode surpreender ao torcer clichês. Newtopia entrega exatamente o que promete: entretenimento rápido, sardônico e, sobretudo, vitrine para o carisma multifacetado de Jisoo.
Lisa estreia com elegância em The White Lotus 3
Depois de dominar palcos globais, Lalisa Manobal fez sua primeira aparição dramática na terceira temporada de The White Lotus, gravada na Tailândia e lançada em 2025. Criada por Mike White, a antologia satiriza o turismo de luxo enquanto disseca privilégios e neuroses de hóspedes endinheirados.
Lisa vive Thidapon “Mook” Sornsin, especialista em bem-estar contratada pelo resort para conduzir retiros de ioga. Diferentemente dos grandes vilões e reviravoltas da franquia, Mook é presença suave, quase contemplativa. O roteiro dá poucas falas, mas constrói momentos visuais marcantes. Destaca-se a cena de dança tradicional, filmada em plano-sequência que evidencia a familiaridade da artista com coreografias.
A decisão de manter Lisa como coadjuvante fugiu da tentação de transformá-la em isca de audiência. A aposta em minimalismo revelou versatilidade: sem maquiagem carregada ou figurinos brilhantes, ela conduz energia serena que contrasta com o caos dos turistas. O trabalho de White na direção aproveita esse contraste para inserir sutis críticas ao consumo cultural superficial.
Embora alguns fãs esperassem reviravolta sangrenta, a escolha de tom revelou maturidade artística. A série já se consagrou entre as melhores produções da década, graças a diálogos mordazes e simbologia densa. Lisa adiciona camada de autenticidade às discussões sobre exotificação da cultura tailandesa, mesmo sem assumir protagonismo.
Vale a pena assistir aos projetos das integrantes do BLACKPINK?
Para quem acompanha o grupo, cada obra funciona como registro de evolução individual. Jennie mostra potência dramática em meio a um enredo controverso, Jisoo alterna do melodrama histórico à sátira zumbi com desenvoltura, e Lisa exibe controle cênico discreto, mas impactante. Não há produção livre de falhas, porém todas oferecem pistas do que essas artistas podem entregar em futuros papéis.
Do ponto de vista técnico, The White Lotus lidera em direção e roteiro, enquanto Newtopia traz frescor ao misturar gêneros. Snowdrop vale pelo retrato de época, apesar dos tropeços históricos, e The Idol serve de estudo sobre como boas atuações podem emergir de textos problemáticos.
Se o leitor do 365 Filmes busca conhecer os diferentes caminhos que um ídolo do K-pop pode trilhar na dramaturgia, esses quatro títulos formam panorama honesto. Cada série ressalta desafios distintos — da pressão cultural à experimentação cômica — e confirma que o talento das integrantes do BLACKPINK se estende bem além dos palcos.
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