Lançado em dezembro de 2015, The Hateful Eight, conhecido no Brasil como Os Oito Odiados, chega à marca de dez anos mantendo fama de obra singular na carreira de Quentin Tarantino.
Entre bastidores conturbados, elenco de peso e um roteiro que valoriza diálogos cortantes, o faroeste fechado segue conquistando novos olhares, inclusive aqui no 365 Filmes. A seguir, relembre os motivos que sustentam esse status.
Uma gestação turbulenta antes da estreia
The Hateful Eight quase não saiu do papel. A produção começou como possível continuação de Django Livre, mas tomou rumo próprio quando Tarantino decidiu explorar um faroeste de câmara.
O projeto foi abruptamente interrompido após o vazamento do roteiro em 2014. Indignado, o diretor cogitou engavetar tudo. Meses depois, uma leitura ao vivo do texto, com Samuel L. Jackson e Michael Madsen no elenco, reacendeu a chama e confirmou a filmagem definitiva.
Filmagem em 70 mm e clima de palco
Diferente da paisagem épica de Django, o cineasta optou por 70 mm para registrar praticamente um único cenário: a loja de adesivos Minnie’s Haberdashery, isolada por uma nevasca.
Elenco estelar domina o espaço fechado
Reunindo veteranos de sua filmografia, como Jackson, Madsen, Tim Roth e Zoë Bell, Tarantino adicionou nomes inéditos ao time: Jennifer Jason Leigh, Demián Bichir, Walton Goggins, Kurt Russell e Channing Tatum.
No enredo, oito estranhos se abrigam na hospedaria enquanto o caçador de recompensas John Ruth (Russell) transporta a criminosa Daisy Domergue (Leigh). A tensão explode quando suspeitas de conluio surgem.
Destaques de interpretação
Samuel L. Jackson entrega um Major Marquis Warren irônico e calculista, considerado por críticos um dos picos de sua carreira. Leigh recebeu indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante pelo retrato visceral de Daisy. Já Walton Goggins rouba atenções, passando de antagonista bufão a figura quase simpática.
Roteiro focado em diálogo e suspeita
Enquanto filmes anteriores do diretor apostavam em homenagens visuais — samurais em Kill Bill, grindhouse em À Prova de Morte —, The Hateful Eight privilegia conversas longas, reminiscentes de Cães de Aluguel.
Cenas como o debate investigativo entre Warren e Chris Mannix (Goggins) transformam o longa em um quase whodunnit. Cada fala aumenta o clima de paranoia sobre quem ajudará Daisy a escapar.
Imagem: Imagem: Divulgação
Peso de temas sensíveis
O roteiro não escapa de polêmicas. Linguagem racista — encaixada no contexto pós-Guerra Civil — gera desconforto, assim como a violência constante contra Daisy. Tarantino e Leigh defenderam a igualdade de tratamento entre personagens, mas o debate persiste.
Criticada duração vira trunfo para a tensão
Com 188 minutos na versão de cinema, o filme foi tachado de longo. Ainda assim, poucos trechos soam dispensáveis. O diretor aproveita cada minuto para construir tensão, como no confronto verbal entre Warren e o General Smithers (Bruce Dern).
A Netflix chegou a dividir o corte estendido em quatro episódios, evidenciando como o ritmo se sustenta em formato seriado ou contínuo.
Filmagem contida, impacto máximo
Mesmo limitado a um único ambiente, o trabalho de câmera do diretor de fotografia Robert Richardson passeia pela cabana, destacando rostos e armas prontas a disparar. A trilha original de Ennio Morricone, vencedora do Oscar, sela o clima claustrofóbico.
Recepção de público e números de produção
The Hateful Eight chegou aos cinemas em 25 de dezembro de 2015, com orçamento estimado entre US$ 44 e 62 milhões, distribuído pela The Weinstein Company. A bilheteria mundial ultrapassou US$ 155 milhões.
No agregador IMDb, o longa mantém nota 7,8/10, reflexo de aprovação consistente e longe de ser unanimidade, mas suficiente para garantir lugar de destaque na obra do cineasta.
A posição no ranking de Tarantino
Sem grandes falhas na filmografia, escolher o “melhor Tarantino” é tarefa pessoal. Ainda assim, críticos notam que, dez anos depois, The Hateful Eight se mantém entre os títulos mais lembrados, graças ao elenco afiado e ao roteiro que valoriza substância acima do estilo.
Ficha técnica resumida
- Direção e roteiro: Quentin Tarantino
- Gênero: Faroeste, drama, mistério
- Duração: 188 minutos (corte teatral)
- Estúdio: Visiona Romantica e parceiros
- Elenco principal: Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Tim Roth, Michael Madsen, Demián Bichir, Bruce Dern, Channing Tatum
- Lançamento: 25 de dezembro de 2015
