O final de Santita, disponível na Netflix, evita soluções simples e escolhe um encerramento marcado por ambiguidade emocional e dilemas morais. A trama acompanha o reencontro entre Santita e seu ex-noivo Alejandro, uma relação atravessada por arrependimentos, traumas antigos e sentimentos que nunca foram totalmente resolvidos.
No último episódio, a história deixa de ser apenas sobre esse passado mal resolvido e se transforma em uma discussão mais delicada sobre culpa, responsabilidade e até onde alguém pode ir por amor. A morte de Alejandro concentra todo esse peso e muda completamente o destino da protagonista.
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Santita realmente matou Alejandro?
A resposta mais direta é: não exatamente, mas o envolvimento dela torna tudo muito mais complexo. Alejandro está internado, debilitado e vivendo um sofrimento intenso. Diante dessa condição, ele pede ajuda a Santita para morrer, deixando claro que não quer mais continuar daquela forma.
Movida por esse pedido e pelo vínculo emocional que ainda existe entre os dois, Santita consegue pentobarbital, uma substância letal que poderia encerrar aquele sofrimento. A intenção dela era ajudá-lo, mas quando o momento decisivo finalmente chega, ela hesita.
Santita não consegue administrar o ato diretamente. O peso moral da decisão se torna grande demais, e ela trava diante da possibilidade concreta de ser responsável pela morte dele.
É então que Alejandro assume o controle da situação e consome a substância por conta própria. Tecnicamente, o que acontece é um caso de suicídio assistido, já que foi ele quem executou o ato final, embora Santita tenha fornecido o meio necessário para isso.
Essa diferença é importante narrativamente, mas não elimina a gravidade da situação. A série constrói justamente essa zona cinzenta entre intenção, responsabilidade e consequência.
As acusações mudam completamente o destino de Santita
Depois da morte de Alejandro, Santita se torna imediatamente a principal suspeita. O contexto emocional entre os dois e o fato de ela estar diretamente ligada ao acesso da substância tornam impossível separar sua imagem da tragédia.
Quem reforça essa narrativa é Cecilia, esposa de Alejandro. Ela acusa Santita de forma direta, sustentando a ideia de que não houve apenas ajuda, mas sim um crime motivado por sentimentos antigos e mal resolvidos.
Essa acusação amplia ainda mais o peso dramático do final, porque a protagonista passa a carregar não apenas a culpa emocional da situação, mas também a possibilidade real de ser vista como responsável legal pela morte.
O histórico entre Santita e Alejandro funciona contra ela. O passado afetivo dos dois alimenta suspeitas e transforma um gesto complexo em algo que pode facilmente ser interpretado como homicídio aos olhos de quem está de fora.
Nesse cenário, apenas o pai de Santita demonstra compreender melhor o que realmente aconteceu. Ele entende que a filha não agiu por maldade ou vingança, mas por ter atendido ao desejo de alguém que já não queria continuar vivendo.

O verdadeiro significado do final de Santita
Mesmo compreendendo isso, o pai reconhece um padrão importante: Santita sempre acaba envolvida em situações emocionalmente destrutivas. Essa observação dá ao final um peso ainda maior, porque sugere que o problema não está apenas naquele episódio específico, mas em uma repetição de escolhas marcadas pela dor.
O desfecho da série não busca absolver completamente a protagonista nem condená-la de forma definitiva. O interesse está justamente nessa ambiguidade. Santita não é apresentada como assassina fria, mas também não sai ilesa da responsabilidade pelo que aconteceu.
A pergunta central deixa de ser “ela matou Alejandro?” e passa a ser “até onde o amor e a compaixão justificam uma decisão extrema?”. A série prefere deixar essa resposta nas mãos do público.
Esse tipo de encerramento torna Santita mais interessante do que um drama romântico convencional. O final não entrega conforto, mas desconforto — e é justamente isso que sustenta seu impacto.
No fim, Alejandro escolhe a própria morte, mas Santita permanece viva com o peso dessa decisão. E talvez essa seja a punição mais dura de toda a história.
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