“Rebel Ridge” chegou discretamente ao catálogo da Netflix em setembro de 2024 e, em poucas semanas, virou um dos thrillers mais comentados do ano. O longa de Jeremy Saulnier somou mais de 31 milhões de visualizações, conquistou 95% de aprovação no Rotten Tomatoes e reacendeu o debate sobre filmes de ação com pegada à la Jack Reacher.
Mesmo assim, passados doze meses desde a estreia, o serviço de streaming ainda não deu sinal verde para Rebel Ridge 2. A ausência de anúncios surpreende quem esperava ver o ex-soldado Terry Richmond em novas missões contra a corrupção.
Por que Rebel Ridge 2 faz falta no catálogo da Netflix?
O primeiro filme entregou um suspense de ritmo lento, mas explosivo nos momentos-chave. Aaron Pierre vive Terry Richmond, veterano de guerra que enfrenta uma força policial corrupta em uma cidade pequena. A recepção positiva, aliada ao toque realista das cenas de ação, mostrou que há público sedento por produções adultas nesse formato.
Diferente de franquias mais “coloridas” como “Red Notice”, Rebel Ridge 2 poderia reforçar o posicionamento da plataforma em conteúdo adulto, algo que faz sucesso no Prime Video com “Reacher” e “The Terminal List”. Em 365 Filmes, por exemplo, a procura por informações sobre o longa disparou logo após a estreia.
Os obstáculos que atrasam Rebel Ridge 2
Além da ausência de marketing robusto, o projeto esbarrou em uma produção conturbada. O filme foi anunciado em 2019 com John Boyega no papel principal, mas a pandemia de 2020 paralisou as filmagens. Quando o set reabriu, Boyega deixou a produção após apenas um mês, alegando “motivos familiares”. Boatos de divergências sobre o roteiro circularam na época, embora a equipe do ator tenha negado.
A troca de protagonista foi só parte do desafio. Outros nomes, como James Badge Dale, também saíram do elenco, e a procura por um novo herói tomou meses. Só em 2022 Jeremy Saulnier encontrou Aaron Pierre, que acabaria se revelando escolha certeira.
Calendário apertado do elenco e da equipe
Pierre já está ligado à série “Lanterns”, da HBO, na pele de John Stewart, e ao filme “Star Wars: Starfighter”, previsto para 2027. O diretor, por sua vez, mergulhou no terror “October” e depois na série “Trigger Point”, também da Netflix. Com agendas cheias, fica difícil alinhar datas para Rebel Ridge 2.
Enredo fechado, mas portas entreabertas
O final do primeiro filme amarra bem as pontas: Richmond cumpre sua missão e se afasta do caos que deixou para trás. Ainda assim, qualquer roteirista experiente conseguiria colocar o personagem em outra enrascada. Vale lembrar que ele mantém uma regra de “não matar”, elemento que diferencia suas cenas de ação e renderia dilemas interessantes numa continuação.

Imagem: Imagem: Divulgação
Uma sequência também permitiria explorar o passado do ex-soldado e entender de onde vem sua forte aversão a tirar vidas. Para os fãs de thrillers, esses detalhes adicionariam camadas ao herói e manteriam o tom realista que tantos elogiam.
Netflix estaria perdendo uma franquia adulta de ação?
Com 31 milhões de views e crítica em peso ao seu lado, Rebel Ridge 2 parece uma aposta segura sob a ótica de retenção de assinantes. Além disso, a ausência de conteúdo R-rated de médio orçamento deixa uma lacuna que rivais já começam a preencher.
Enquanto isso, Alan Ritchson segue firme na pele de Jack Reacher na Amazon, e Chris Pratt deve voltar com “The Terminal List”. Nesse cenário, a Netflix corre o risco de ficar sem um equivalente para atrair o público que busca ação séria e pé no chão.
O que pode mudar o jogo?
Se “Trigger Point” ou “October” emplacarem, a confiança da plataforma em Saulnier pode crescer e abrir caminho para Rebel Ridge 2. Outra variável é a disponibilidade de Aaron Pierre após 2027, quando as filmagens de “Starfighter” estiverem concluídas.
Por ora, a estratégia da Netflix parece mirar em grandes blockbusters globais, deixando produções menores em segundo plano. Ainda assim, os números robustos de “Rebel Ridge” mostram que há demanda. Resta aguardar se o interesse do público falará mais alto e forçará a gigante do streaming a tirar a continuação do papel.
