Quentin Tarantino nunca escondeu suas opiniões fortes, mas, desta vez, o diretor de Pulp Fiction chamou atenção ao elogiar um filme que muitos fãs de terror detestam.
Em entrevistas recentes, o cineasta revelou preferir o remake de Psicose, comandado por Gus Van Sant em 1998, ao clássico de Alfred Hitchcock lançado em 1960, considerado por críticos uma obra-prima do suspense.
O que Tarantino disse sobre o remake de Psicose
Durante uma conversa pública sobre influências cinematográficas, Tarantino afirmou que jamais foi “extremamente apaixonado” por Hitchcock. Segundo ele, o famoso diretor britânico é visto como “superestimado” e, nesse contexto, o remake de Psicose ganhou pontos por ousar repetir a história plano a plano, mas em cores e com novo elenco.
No longa de Van Sant, Vince Vaughn interpreta Norman Bates, enquanto Anne Heche assume o papel de Marion Crane. A refilmagem chegou aos cinemas em 1998, mas recebeu críticas negativas e teve desempenho modesto de bilheteria. Mesmo assim, Tarantino defendeu o projeto como um “experimento válido”, ressaltando que “ao menos Van Sant estava tentando algo diferente”.
Exibições no New Beverly reforçam o apreço do diretor
Para provar que sua preferência não fica só no discurso, o cineasta exibiu o remake de Psicose mais de uma vez no New Beverly Cinema, sala de repertório que ele próprio administra em Los Angeles. As sessões serviram para resgatar o filme junto a um novo público, que pôde comparar as versões em tela grande.
Vale lembrar que o New Beverly costuma atrair cinéfilos interessados em redescobrir títulos controversos, o que combina com a postura de Tarantino de provocar debates sobre o valor de produções pouco queridas pela crítica mainstream.
Psycho II também supera o original, afirma Tarantino
O apreço de Tarantino pela franquia não para no remake. Ele declarou gostar mais de Psicose II, de 1983, dirigido por Richard Franklin, do que do primeiro filme de Hitchcock. O cineasta elogiou a escolha de focar na jornada de recuperação de Norman Bates, interpretação que, em sua visão, rendeu a Anthony Perkins uma das melhores atuações do gênero terror.
Para Tarantino, Franklin – apelidado por ele de “Hitchcock australiano” – teve coragem de transformar a continuação em uma história sobre redenção, em vez de repetir a estrutura original. O roteiro ficou a cargo de Tom Holland, futuro criador de Brinquedo Assassino.
Críticas de Tarantino aos clássicos de Hitchcock
Não é a primeira vez que o diretor de Kill Bill questiona a reputação do mestre do suspense. Ele já classificou filmes como Intriga Internacional e Um Corpo que Cai como “medianos” para a época em que foram lançados. Frenesi, de 1972, chegou a ser chamado de “lixo” pelo cineasta.
Tarantino argumenta que Hitchcock teria sido limitado pelo Código Hays, conjunto de regras morais que regulava o conteúdo de Hollywood até o fim dos anos 1960. Segundo ele, o diretor jamais pôde filmar finais realmente impactantes, o que teria enfraquecido os desfechos de suas produções.
Imagem: INSTARs
Por que a polêmica importa para fãs de suspense
A declaração de Tarantino reacende o debate sobre a validade de remakes e sequências, tema que também agita conversas entre quem acompanha novelas e doramas, sempre atentos a adaptações e releituras. No portal 365 Filmes, a discussão tem tudo para render comentários apaixonados.
Apesar de sua opinião dividir o público, Tarantino reforça a ideia de que cada geração pode reinterpretar clássicos sob novas lentes. No caso de Psicose, essa releitura passa tanto pelo remake de Van Sant quanto pela continuação de Franklin, duas obras que, segundo o diretor, merecem ser revisitadas sem o peso do pedestal crítico erguido ao filme de 1960.
Elenco e dados essenciais dos filmes citados
Psicose (1960): Dirigido por Alfred Hitchcock, estrelado por Anthony Perkins e Janet Leigh. Indicado a quatro Oscars.
Psicose (1998): Dirigido por Gus Van Sant, com Vince Vaughn e Anne Heche. Refilmagem plano a plano em cores.
Psicose II (1983): Direção de Richard Franklin, roteiro de Tom Holland, retorno de Anthony Perkins ao papel de Norman Bates.
Recepção crítica e legado
O original de 1960 domina rankings e possui 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, além de estar preservado no National Film Registry dos EUA. Já o remake de Psicose soma críticas negativas, com questionamentos sobre sua razão de existir.
Mesmo assim, Tarantino enxerga valor na experiência de Van Sant por atualizar a obra para os anos 1990. Ao elogiar abertamente a iniciativa, o diretor provoca novos olhares sobre filmes muitas vezes descartados, mostrando que a história do cinema é feita também de divergências e reavaliações.
O que vem a seguir
Com Tarantino prestes a rodar seu décimo longa, suas opiniões continuam a repercutir. Se ele já dividiu plateias ao preferir o remake de Psicose, é bem provável que futuras entrevistas tragam mais provocações, mantendo viva a conversa sobre clássicos, remakes e sequências nos corredores do entretenimento.
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