Viradas de ano costumam render boas histórias no cinema, ainda mais quando há uma garrafa misteriosa envolvida. É justamente essa combinação que move One More Shot, novidade australiana ambientada na noite de 31 de dezembro de 1999.
A produção aposta no popular recurso do loop temporal, mas, em vez de risadas, entrega uma jornada marcada por frustrações. A anestesista Minnie, interpretada por Emily Browning, bebe um mezcal que a faz reiniciar a festa sempre que toma um gole — e o resultado está longe de ser uma celebração.
Enredo: bebida “do capeta” prende protagonista em 1999
One More Shot acompanha Minnie Vernon, personagem que já começa a trama afundada em problemas pessoais. Ela mora de favor no sofá dos amigos Flick e Max, esquece compromissos importantes e evita refletir sobre o alcoolismo que a consome. Mesmo sem ânimo, decide ir à festa de Ano-Novo de Rodney e Pia ao descobrir que Joe, ex-namorado, está de volta de Nova York.
Antes de entrar no evento — um baile à fantasia recheado de referências aos anos 1990 — Minnie engole um gole de “The Devil’s Piss”, mezcal com formato de Lúcifer no gargalo. O líquido, porém, não só queima a garganta como também a transporta ao momento em que deu o primeiro trago. A partir daí, cada nova dose reinicia a comemoração.
Objetivo nada nobre
Convencida de que o fenômeno é um sinal para reconquistar Joe, Minnie investe em diversas táticas para separar o ex do novo romance com Jenny. O plano, claro, desanda repetidas vezes, e a personagem só se afunda ainda mais na própria teimosia.
Tom sombrio atrapalha o que deveria ser leve
Filmes de loop temporal como Feitiço do Tempo e Palm Springs conquistam o público ao mostrar etapas de diversão antes dos dilemas existenciais. Em One More Shot, no entanto, esse estágio descontraído é praticamente ignorado. Minnie passa a maior parte das 95 minutos em crise, tropeçando nos próprios erros.
O humor, dependente das trapalhadas autodestrutivas da protagonista, esgota-se rápido e entrega poucas piadas realmente eficazes. O longa flerta com a ideia de campanha antiálcool, reforçando lições de moral em vez de deixar que o público tire conclusões.
Ambientação nostálgica limita a narrativa
A escolha de situar a história na virada para o ano 2000 adiciona elementos como fantasias de Pulp Fiction, Ace Ventura e Kurt Cobain, além do medo — hoje folclórico — de um possível colapso de computadores pelo Y2K. Porém, a nostalgia serve mais como adereço visual do que motor dramático.
Pouco se explora o clima de incerteza tecnológica da época, e o risco do bug vira detalhe que não altera o rumo da festa. O cenário de 1999 poderia ser substituído por qualquer outro ponto do calendário sem grande impacto na trama.
Emily Browning se destaca em meio aos tropeços
A atuação carismática de Emily Browning é o principal ponto positivo. A atriz sustenta o filme ao dar camadas de vulnerabilidade a Minnie, mesmo quando o roteiro, assinado por Alice Foulcher e Gregory Erdstein, insiste em transformá-la num poço de autossabotagem.
Imagem: Imagem: Divulgação
Entre os coadjuvantes, aparecem Sean Keenan como o ex-namorado Joe, Aisha Dee como Jenny e Anna McGahan ao lado de Contessa Treffone no papel do casal anfitrião Flick e Max. Apesar do elenco esforçado, poucos personagens recebem desenvolvimento suficiente para ir além da caricatura.
Direção e ritmo comprometem a diversão
Comandado por Nicholas Clifford, o longa tenta equilibrar elementos de comédia e ficção científica, mas o ritmo irregular prejudica a experiência. Ao repetir a mesma noite demasiadas vezes sem variações criativas, o diretor deixa a narrativa previsível.
O potencial para situações hedonistas e momentos de leveza, tão comuns em histórias de loops temporais, praticamente desaparece. Sem essa válvula de escape, a jornada de Minnie torna-se penosa tanto para ela quanto para quem assiste.
Ficha técnica e lançamento
Produzido por Nick Batzias e Virginia Whitwell, One More Shot tem roteiro de Alice Foulcher e Gregory Erdstein. A estreia internacional está marcada para 7 de março de 2025, com 95 minutos de duração e classificação como comédia sci-fi.
O elenco ainda inclui Pallavi Sharda, Oliver Coleman, Ashley Zukerman e Hamish Michael. Até o momento, a produção não confirmou data de chegada aos cinemas brasileiros.
Avaliação resumida
As boas ideias — garrafa de mezcal que manipula o tempo e a virada para o ano 2000 — funcionam no papel, mas tropeçam na execução. Falta ritmo, sobra lição de moral e a diversão, essencial em comédias de loop temporal, aparece de forma tímida.
O resultado final recebeu nota 4/10 na avaliação original, refletindo a combinação de humor escasso, nostalgia mal aproveitada e protagonista que carrega o filme sozinha. Ainda assim, quem acompanha as novidades via o 365 Filmes pode se interessar em conferir a produção para formar a própria opinião.
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