Oliver Laxe, diretor espanhol que ganhou destaque com o thriller psicológico Sirāt, prepara seu próximo projeto. O filme, premiado no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026, acompanha a busca desesperada de um pai pela filha desaparecida no deserto norte-africano, entre raves e paisagens áridas.
Em entrevista recente, Laxe revelou que pretende elevar ainda mais a aposta no novo trabalho, apostando em uma experiência sensorial e audiovisual mais intensa, com foco na liberdade artística e uma narrativa carregada de imagens e sons hipnóticos.
A performance dos atores em Sirāt
O elenco de Sirāt entrega atuações densas e carregadas de emoção que dão corpo à trama envolvente. Sergi López interpreta o pai com uma intensidade contida, passando a angústia e a urgência que movem a narrativa. Bruno Núñez, no papel do filho, contribui com uma presença que reforça o drama familiar ao redor da busca pela filha desaparecida.
A química entre os atores auxilia a construção de um ambiente imersivo, marcado pela tensão crescente e o desespero, elementos essenciais para a atmosfera do filme que envolve o público em uma jornada angustiante e apocalíptica.
Análise da direção e roteiro de Oliver Laxe
Na direção, Oliver Laxe aposta em uma linguagem visual intensa, priorizando a composição de planos que dialogam diretamente com o clima obsessivo da história. Sua abordagem minimalista e sensorial reforça o aspecto psicológico e paradoxalmente mitológico do roteiro, escrito em parceria com Santiago Fillol.
O roteiro mistura elementos de thriller com uma narrativa quase épica sobre família, colocando o espectador em uma experiência imersiva que privilegia o ambiente e o som acima de diálogos convencionais. Isso rende sequências que são verdadeiras viagens sensoriais, próximas de um “ensaio audiovisual” – que Laxe pretende aprofundar em seu próximo longa.
O novo projeto de Oliver Laxe: uma obra além de Sirāt
Animado pelo reconhecimento de Sirāt, Oliver Laxe revelou que tem “algumas ideias” para seu próximo filme e planeja dobrar a aposta do ponto de vista artístico. Ele busca um projeto que vá além da narrativa tradicional, descrevendo seu desejo de criar uma “sinfonia” hipnótica que confie plenamente nas imagens, no som e na experiência cinematográfica.
Laxe mencionou querer proporcionar uma experiência que devolva ao público a sensação de catarse, com um filme que dialogue diretamente com a liberdade e a necessidade do público por riscos e liberdade artística. Ele se inspirou claramente no impacto e na ousadia de obras monumentais como 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Imagem: Imagem: Divulgação
Sirāt no cenário global e o impacto para o cinema contemporâneo
Sirāt conquistou amplo reconhecimento, incluindo o Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2025 e uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional. O filme também acumula 93% de aprovação no Rotten Tomatoes e concorre na categoria de melhor som, evidenciando sua qualidade técnica e artística.
A produção enfrenta concorrentes fortes, como o brasileiro The Secret Agent e norueguês Sentimental Value, também distribuídos pela Neon. Apesar das chances menores de conquistas no restante da temporada de prêmios, Sirāt deve ampliar seu público com a distribuição mais ampla prevista para fevereiro de 2026.
Vale a pena assistir Sirāt e esperar pelo próximo filme de Oliver Laxe?
Sirāt é uma obra que demanda atenção total do espectador. Sua combinação de atuações intensas, direção sensível e roteiro quase experimental oferece uma experiência diferente das produções convencionais. A atmosfera, o som e as imagens configuram um filme que, apesar da complexidade, conecta o público com emoções profundas.
Para quem acompanha a carreira de Oliver Laxe, o novo filme promete repetir e ampliar essa experiência, mergulhando no universo da liberdade criativa e da hipnose audiovisual. No catálogo do 365 Filmes, obras que desafiam o espectador, como esta, dialogam com a busca por experiências cinematográficas autênticas e impactantes.
Quem gosta de explorar diferentes estilos narrativos pode ainda aproveitar para revisitar outros trabalhos que investem em direção e performance como Varanasi: análise da direção e performances dos protagonistas no épico de SS Rajamouli para comparar abordagens do cinema autoral e épico.
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