A 4ª temporada de O Poder e a Lei, disponível na Netflix, faz uma escolha ousada: em vez de colocar Mickey Haller (o advogado que sempre parece estar um passo à frente) como o estrategista no controle, ela o joga no lugar mais humilhante possível. O homem que vive de defender os outros passa a ter que defender a si mesmo, com o próprio nome virando manchete e o próprio carro virando prova de um crime.
O resultado é uma temporada de nervo exposto, que adapta o livro A Lei da Inocência, de Michael Connelly, e explica oficialmente o caso que coloca Mickey no banco dos réus.
Alerta de Spoiler: o texto a seguir revela o desfecho da 4ª temporada e detalhes centrais do caso. Se você ainda não terminou os episódios e quer chegar ao final sem saber nada, pare por aqui.
O gancho da 3ª temporada e o crime que vira a vida de Mickey do avesso
O final da 3ª temporada já tinha deixado uma bomba no porta-malas: o corpo de Sam Scales é encontrado no carro de Mickey. E, a partir daí, a 4ª temporada não perde tempo tentando “enganar” o público com distrações. A série deixa claro que a pergunta principal é uma só: quem matou Sam e por que isso foi montado para cair nas costas do advogado? O ponto é que Mickey não está só tentando vencer um julgamento. Ele está tentando não ser engolido por uma narrativa pronta, daquelas que parecem resolver tudo com uma explicação simples: advogado conhecido, vítima ligada ao seu trabalho, corpo no carro dele.
Quem matou Sam Scales e por que incriminar Mickey era parte do plano
Conforme a defesa avança, a investigação revela o fio que liga Sam Scales a algo muito maior. Sam estava conectado a Alex Garizian, um mafioso da Armênia envolvido em um esquema de fraude conhecido como Bleeding the Beast, operado pela empresa Biogreen. Sam era motorista dentro desse esquema, uma peça útil, mas também uma peça frágil, porque gente assim costuma ouvir demais e ver demais.
O problema começa quando Sam decide desviar dinheiro. Ele passa do papel de funcionário para o de ameaça. Para Garizian, isso não é apenas traição, é risco. E o que ele faz é transformar o castigo em espetáculo: decide matar Sam e, ao mesmo tempo, aproveitar para se vingar de Mickey, que já tinha feito Garizian perder dinheiro e influência em um julgamento anterior. Em vez de executar Sam em qualquer lugar, Garizian escolhe a garagem do próprio Mickey. Assim, ele não só elimina o traidor como cria um cenário perfeito para incriminar o advogado.
Quando a verdade aparece, mas a política tenta abafá-la
O desfecho gira em torno de um movimento que muda o jogo. Em determinado momento, o FBI intervém e admite que Mickey não cometeu o crime. Só que essa admissão vem com um problema: eles não querem que seus agentes testemunhem, porque isso colocaria em risco uma investigação maior, ainda em andamento. É aqui que a série da Netflix acerta no tom de frustração realista. A inocência de Mickey não é uma questão moral para o sistema, é uma variável de estratégia.
Diante dessa pressão, o Ministério Público retira as acusações. Só que Mickey não aceita um simples arquivamento como se nada tivesse acontecido. Ele exige algo que, para ele, vale tanto quanto a liberdade: reputação. Por isso, condiciona o acordo a uma coletiva de imprensa em que a promotora Dana Berg declara publicamente a inocência dele.

A morte de Legal Siegel
Além do caso, a temporada marca a morte de Legal Siegel, um evento criado pela série para mostrar o colapso pessoal do protagonista. É a lembrança de que vencer no tribunal não impede a vida de cobrar de outro jeito. Mickey atravessa a temporada com a sensação de estar sempre apagando incêndio, e essa perda serve para deixar claro que a conta não fecha só com um caso resolvido.
A irmã de Mickey e a 5ª temporada confirmada
Nos minutos finais, a série ainda planta uma nova peça no tabuleiro: Mickey conhece uma mulher que se revela sua irmã, abrindo uma porta inesperada para o passado dele. Com a 5ª temporada confirmada, o final da 4ª funciona como encerramento do caso Sam Scales e, ao mesmo tempo, como recomeço emocional. No olhar do 365 Filmes, é o tipo de fechamento que satisfaz porque resolve o crime, mas incomoda porque mostra o custo: Mickey sai livre, sim, porém mais marcado do que quando entrou nessa história.
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