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Kristen Stewart surpreende Cannes com “The Chronology of Water” em estreia arrebatadora na direção

Por Matheus Amorim5 Minutos de leitura

Quem acompanhou a programação de Cannes em maio de 2025 saiu impactado por um título que dominou as conversas nos corredores: “The Chronology of Water”.

Dirigido por Kristen Stewart e protagonizado por Imogen Poots, o filme adaptado do livro de memórias de Lidia Yuknavitch foi exibido na prestigiada seção Un Certain Regard, destinada a obras de linguagem pouco convencional.

A produção, que dura 128 minutos e foi captada em película 16 mm, narra a jornada de uma nadadora promissora que precisa reconstruir a própria voz após enfrentar abuso, vícios e derrotas esportivas.

Para quem gosta de tramas densas, “The Chronology of Water” entrega um fluxo de lembranças fragmentadas, vívido como um diário íntimo. O espectador acompanha cada queda e cada respiro da protagonista, guiado por escolhas visuais que esfumaçam as fronteiras entre realidade e lembrança.

Não à toa, o longa arrancou elogios calorosos da crítica internacional — e este redator do 365 Filmes assegura: o comentário é merecido. A seguir, destrinchamos os pontos-chave da produção sem revelar surpresas importantes.

Uma narrativa dividida em cinco mergulhos

A trama se organiza em cinco capítulos — holding breath, under blue, the wet, resuscitations e the other side of drowning. Cada segmento funciona como um mergulho específico na mente de Lidia, interpretada com visceralidade por Imogen Poots.

A campeã juvenil, a quem todos previam carreira olímpica, precisa encarar o abuso sofrido pelo pai (Michael Epp) e lidar com a culpa quando o alcoolismo a faz perder a bolsa de estudos. O colapso, porém, não é o fim: é o ponto de partida para a reconquista da própria agência.

Direção de Kristen Stewart: coração, coragem e ritmo frenético

Conhecida pelo público de blockbusters como “Crepúsculo” e por dramas indies como “Seberg”, Kristen Stewart assume aqui a cadeira de diretora com surpreendente segurança. Ao lado do roteirista Andy Mingo, ela descarta a linearidade tradicional e aposta em uma montagem que reproduz a desordem da memória.

Essa opção criativa cria encontros sensoriais impactantes: da fotografia granulada de Corey C. Waters, que empresta texturas quase documentais, ao desenho de som que alterna silêncio absoluto e ruído ensurdecedor. O resultado mantém a audiência tão submersa quanto a protagonista em cada braçada.

Imogen Poots domina a tela

Segurar 128 minutos de emoção bruta exige entrega total, e Imogen Poots convence em cada enquadramento. A atriz traduz angústia sem melodrama e celebrações sem pieguice, permitindo que o público vivencie a escalada do fundo do poço até a escrita catártica orientada pelo professor Ken Kesey (vivido por Jim Belushi).

Segundo relatos do set, Stewart ofereceu liberdade total ao elenco, e essa confiança transparece. Poots não interpreta Lidia; ela parece respirar no mesmo ritmo da autora que transformou dor em arte.

Visual vibrante em contraste com o caos interno

A produção de Jennifer Dunlap evita a paleta sombria típica de histórias de trauma. Ao contrário, a tela exibe cores saturadas que reforçam a vitalidade pulsando nas veias da personagem, mesmo quando tudo parece perdido. Esse contraste aprofunda o embate entre luz e sombra, vida e destruição.

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Imagem: Imagem: Divulgação

Filmado em 16 mm, o longa ganha caráter atemporal, como se fosse uma lembrança projetada diretamente na retina do espectador. A textura orgânica ajuda a borrar limites entre ator e personagem, convidando o público a sentir o cloro da piscina e o amargor do álcool.

Montagem que espelha a mente fragmentada

A edição alterna cenas rápidas com sequências contemplativas, reforçando a ideia de lembranças desordenadas. Esse quebra-cabeça exige atenção, mas recompensa com uma imersão profunda na psique de Lidia.

Temas de “The Chronology of Water” ecoam além da piscina

Apesar do pano de fundo esportivo, o filme fala sobre muito mais que triunfos atléticos. Stewart foca em temas universais: abuso, vício, sexualidade, luto e, sobretudo, autonomia. O roteiro destaca que a protagonista só encontra voz quando decide narrar a própria história — etapa vital para qualquer processo de cura.

Esse enfoque ressoa com espectadores interessados em novelas, doramas e outras narrativas de superação, pois reforça a importância de se reconhecer fragilidades sem esconder cicatrizes.

Recepção em Cannes e possibilidades futuras

Exibido em 18 de maio de 2025, “The Chronology of Water” saiu de Cannes com críticas entusiasmadas e expectativa de carreira sólida em festivais. Muitos jornalistas apontaram a produção como forte candidata a prêmios de estreia na direção.

O desempenho confirma que Kristen Stewart encontrou terreno fértil atrás das câmeras. Se optar por continuar nessa função, a atriz tem tudo para enriquecer o cinema contemporâneo com projetos igualmente ousados.

Elenco e equipe de peso

A força do longa passa também pela participação de Thora Birch como a irmã solidária, além da produção assinada por Charles Gillibert, Ridley Scott e Dylan Meyer. A união de produtores experientes garante recursos para que a visão autoral de Stewart floresça em cada detalhe.

Por que vale a pena assistir

Combinando narrativa não convencional, atuações intensas e uma estética que gruda na pele, “The Chronology of Water” oferece experiência cinematográfica rara. Para fãs de histórias pessoais que beiram a catarse — incluindo o público ávido por grandes dramas familiares presentes em novelas e doramas — o filme promete impactar profundament​e.

Se você busca uma obra que explore dores e renascimentos sem receio de linguagem poética, anote esse título na lista. A estreia de Kristen Stewart como diretora mostra que a arte pode transformar traumas em combustível para voos altos.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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