A confirmação de Jackass 5 colocou novamente o grupo de dublês mais conhecido do início dos anos 2000 sob os holofotes. Desta vez, porém, a conversa gira menos em torno de inventar façanhas inéditas e mais sobre quem ainda topa arriscar a integridade física em nome da piada.
Com parte do elenco original afastada por lesões, idade ou controvérsias, o quinto longa promete equilibrar nostalgia e renovação. Enquanto a Paramount mantém detalhes do roteiro sob sigilo, já é possível mapear participações praticamente certas, presenças remotas e baixas definitivas.
Johnny Knoxville segue como fio condutor de Jackass 5
Desde a série exibida pela MTV, Johnny Knoxville assumiu o papel de maestro do caos. Aos 53 anos, ele próprio revelou nas redes sociais que o novo filme está em pré-produção, tornando-se o único nome 100% confirmado até agora. Mesmo que a intensidade de seus saltos diminua, a presença dele continua vital para costurar as esquetes, coordenar o ritmo narrativo e manter o espírito de camaradagem no set.
Knoxville também divide os créditos de criação da franquia com Jeff Tremaine e Spike Jonze, dupla que deverá retornar à direção e produção executiva. A assinatura autoral dos três dá unidade ao projeto: cortes rápidos, trilha punk e estrutura episódica. Se o roteiro optar por focar mais em bastidores, Knoxville deve aparecer tanto como apresentador quanto em cenas controladas, repetindo a dinâmica vista em Jackass Forever.
Ausências já confirmadas mudam a química do elenco
A grande perda continua sendo Ryan Dunn, falecido em 2011, cuja ausência emocional molda cada novo projeto. A possibilidade de inserir imagens de acervo, homenagem habitual na saga, permanece no radar da produção. Já Bam Margera, desligado no longa anterior após quebrar a cláusula de sobriedade, declara publicamente que não volta “por dinheiro nenhum”. Os realizadores negociam apenas o uso de cenas antigas, o que resolveria compromissos legais sem reacender conflitos internos.
A saída de Bam altera o equilíbrio cômico: ele era o elo entre as sequências de destruição física e pegadinhas familiares. Sem sua participação, o humor nervoso recai mais sobre Knoxville, Chris Pontius e Steve-O, exigindo ajuste fino de roteiro para evitar repetição. Para quem acompanha o 365 Filmes, vale prestar atenção se a montagem buscará ritmo mais coletivo, diluindo o protagonismo que Margera exercia em algumas brincadeiras de skate e terror psicológico.
Veteranos ponderam limites do corpo — e da piada
Steve-O, agora estrelando podcasts e turnês de stand-up, tem falado abertamente sobre receio de se machucar de forma irreversível. Ele não deve recusar a participação, mas tende a vetar manobras de alto impacto. Caso aceite, o roteiro pode explorar sua veia verbal: narrativas de bastidores, comentários irônicos e desafios comedidos — recurso que Jackass Forever já ensaiou.
Imagem: Imagem: Divulgação
Chris Pontius, por outro lado, demonstra empolgação em voltar ao set. Para ele, o filme anterior ficou aquém do potencial por causa das restrições da pandemia, que limitaram plateia e locações. Pontius aposta em setups maiores, onde sua energia de palco brilha. Dave England, Jason “Wee Man” Acuña, Preston Lacy e Ehren McGhehey sinalizam retorno, mas com a ressalva de ajustar intensidade. England costuma preferir resistência bizarra a impactos extremos; Ehren, após lesões na coluna, deve ficar restrito a piadas de baixo risco, como as infames batidas na região da virilha que já viraram sua marca.
Novos rostos devem sustentar o fôlego cômico
Jackass Forever introduziu performers mais jovens justamente para aliviar o peso sobre o elenco veterano. A estratégia deve ser ampliada, permitindo que os fãs vejam desafios inéditos enquanto os veteranos assumem função quase de mentores. Isso abre espaço para experimentos de narrativa: mostrar o treinamento por trás do “simples” tropeço ou usar cortes paralelos que contrastem gerações.
Para a direção, equilibrar nostalgia e frescor será o principal desafio criativo. Spike Jonze carrega repertório de vídeos musicais e longas autorais, o que pode resultar em enquadramentos mais estilizados. Já Jeff Tremaine, com DNA de documentarista, tende a capturar reações cruas. Se ambos mantiverem a parceria de roteiro, Jackass 5 provavelmente recorrerá a estrutura em capítulos, alternando grandes set-pieces com vinhetas curtas, formato que permite inserir veteranos em atos pontuais sem sobrecarregá-los fisicamente.
Vale a pena assistir?
Para quem acompanha Jackass desde o início, o quinto longa desponta como possível despedida em grande estilo, mas com fôlego extra graças aos talentos novatos. A presença confirmada de Knoxville garante coerência, enquanto a provável participação seletiva de Steve-O, Pontius e companhia mantém a essência. Já a substituição de acrobacias mortais por gags criativas pode atrair curiosos que sempre olharam a franquia com receio. Em suma, o filme se anuncia como mistura de celebração e transição, prometendo humor físico temperado com uma dose de maturidade jamais vista nesse grupo.
