Guillermo del Toro colocou Mia Goth no centro de seu mais recente projeto, Frankenstein, produção que chegou ao catálogo da Netflix e já agita o público amante de suspense gótico. No longa, a atriz britânico-brasileira assume não um, mas dois papéis cruciais, algo que se tornou a grande atração nos bastidores da obra.
Enquanto muita gente esperava vê-la apenas como Elizabeth, o amor de Victor Frankenstein, a artista também surge como Claire, a mãe falecida do cientista. A sobreposição das figuras femininas injeta camadas simbólicas à trama e garante uma performance carregada de emoção.
Mia Goth em Frankenstein: a dobradinha Elizabeth e Claire
Logo que foi confirmada no elenco, Mia Goth imaginou que daria vida somente a Elizabeth. A mudança de planos ocorreu após uma conversa direta com Guillermo del Toro, que enxergou uma oportunidade de profundidade dramática. O diretor, tocado pelo fato de a atriz ter se tornado mãe recentemente, decidiu conectar as duas personagens. Resultado: Elizabeth espelha Claire de forma quase espectral, reforçando as perdas e esperanças do protagonista interpretado por Oscar Isaac.
A solução criativa faz de Mia Goth o coração emocional do filme. Claire representa a inocência e a infância de Victor, enquanto Elizabeth aparece como a chance de redenção na vida adulta do cientista. Ao sustentar essas duas faces do afeto — o amor materno e o amor romântico —, a atriz transita entre fragilidade e força, oferecendo nuances que prendem o espectador do início ao fim.
Camada simbólica reforça a jornada de Victor
Graças à escolha de del Toro, o público acompanha a dor da perda (Claire) e a esperança de renovação (Elizabeth) através do mesmo semblante. Essa fusão faz Victor Frankenstein confrontar o passado a todo momento, gerando um conflito interno que se reflete nas decisões científicas e morais do personagem.
Uma visão única sobre o monstro
Dentro da narrativa, Elizabeth é a única pessoa capaz de enxergar beleza e compaixão na criatura feita por Victor, vivida na tela por Jacob Elordi. Ao reconhecer humanidade no monstro, ela se torna a âncora moral da trama. Mesmo diante do horror, sua empatia ilumina ambientes escuros e revela que, por trás da monstruosidade, há reflexos do próprio criador.
Esse olhar compassivo contrasta de forma direta com a frieza de outros personagens, destacando a mensagem de que criação e destruição podem caminhar lado a lado. Mais uma vez, Mia Goth em Frankenstein se apresenta como guia afetiva do público dentro de um universo repleto de dilemas éticos.
Costumes que contam histórias
Kate Hawley assina o figurino de Elizabeth, apostando em tecidos diáfanos, tons suaves e referências à natureza — especialmente cores de insetos. A escolha reforça a aura etérea da personagem, ao mesmo tempo em que sugere uma intensidade emocional latente. Cada dobra de tecido e cada tonalidade foram pensadas para refletir a dualidade entre delicadeza e poder, ampliando a presença de Goth em cada quadro.
Decisão de elenco reflete maternidade da atriz
Guillermo del Toro justificou a escalação dupla ao comentar que a recente experiência de maternidade de Mia Goth poderia acrescentar verdade às cenas. Segundo o cineasta, a atriz compreende intimamente a dinâmica entre mãe e filho, algo que iria transbordar para a relação de Victor com as duas figuras femininas que definem seu passado e futuro.
A atriz confirmou essa troca nos bastidores, explicando que, a princípio, não tinha ideia de que apareceria como Claire. O convite para interpretar a mãe de Victor a pegou de surpresa e redefiniu sua preparação. Ela mergulhou em estudos sobre luto e memória para compor uma figura que surgiria em flashbacks, carregando pureza e melancolia na mesma medida.
Trabalho de voz e postura diferencia personas
Para distinguir Elizabeth de Claire, Goth usou sutilezas vocais, mudanças na postura e gestos específicos. Enquanto Elizabeth fala de maneira suave, porém firme, Claire surge com um timbre quase sussurrado, remetendo à lembrança distante. Essa variação evita confusões visuais e fortalece ainda mais a proposta simbólica da narrativa.

Imagem: Netflix
Elenco estelar reforça a proposta de del Toro
Além de Mia Goth em Frankenstein, o projeto reúne Oscar Isaac como Victor e Jacob Elordi como a criatura. O trio oferece dinamismo à trama, apoiado pela direção sempre detalhista de del Toro, conhecido por obras como A Forma da Água e O Labirinto do Fauno. A química entre os atores evidencia o cuidado na construção de cada relação, sobretudo quando Elizabeth interage com o monstro, provocando tensões afetivas que mexem com o público.
A fotografia escura e a direção de arte carregada de texturas completam o clima gótico. Nessas atmosferas densas, a duplicidade de Mia Goth ganha ainda mais destaque, já que seus figurinos claros e a luz suave que a acompanha contrastam com laboratórios sombrios e paisagens hostis.
Papel duplo exige energia redobrada
Ao falar sobre o desafio, a atriz não escondeu que alternar entre Elizabeth e Claire no mesmo dia de filmagem demandava concentração extrema. Era preciso “habitar duas almas”, comentou, ressaltando que a troca rápida de mentalidade poderia ser exaustiva, mas recompensadora.
Impacto na recepção do público
Desde que o filme desembarcou na Netflix, discussões sobre a performance de Mia Goth tomaram conta das redes sociais. Usuários do X (antigo Twitter) e fóruns de cinema elogiam a delicadeza dela ao retratar personagens tão diferentes em essência. Para muitos, a atriz entrega uma atuação que se equipara às versões clássicas de Elizabeth, agora com um tempero contemporâneo graças à adição de Claire.
No portal 365 Filmes, diversos leitores destacam que o longa se beneficia dessa aposta arriscada, acrescentando frescor a uma história repetidamente adaptada. Ainda segundo comentários, a decisão de colocar a mesma intérprete em papéis materno e romântico chama atenção para o debate sobre criação, perda e responsabilidade.
Conexão entre amor e ciência
Guillermo del Toro sempre explorou monstros que refletem sentimentos humanos. Em Frankenstein, esse conceito atinge novo patamar quando Elizabeth/Claire, encarnada por Mia Goth, simboliza o elo que une a ousadia científica de Victor aos limites éticos de seus experimentos. A criatura, por sua vez, se torna espelho literal do criador, despertando compaixão na mesma mulher que representa tudo que ele ama.
Conclusão: dois papéis, uma única emoção
Sem recorrer a artifícios exagerados, Mia Goth entrega complexidade ao equilibrar amor materno e paixão romântica em dois corpos que compartilham o mesmo rosto. Guillermo del Toro, ao reconhecer essa potência, potencializa a narrativa clássica, oferecendo ao espectador um Frankenstein revigorado, onde criação, perda e esperança se entrelaçam em tela.
Com mais de duas horas de duração, o filme prova que ainda há espaço para releituras criativas do mito, sobretudo quando apoiadas em escolhas de elenco ousadas. A performance dupla de Goth já figura entre os papéis mais comentados do ano e promete continuar inspirando debates sobre identidade, memória e limites da ciência.
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