Guy Ritchie é conhecido por sua marca registrada em filmes de crime e ação, mas ao longo da carreira, algumas de suas obras parecem ter sido deixadas de lado pelo público e pela crítica. Apesar disso, muitos desses filmes apresentam elementos interessantes que valem a atenção, seja pelas atuações, pela direção ou pelas tentativas do diretor em se reinventar dentro de gêneros variados.
Neste texto, vamos revisitar cinco produções menos lembradas do cineasta britânico, destacando a performance dos atores principais, o trabalho da direção e as decisões do roteiro que influenciaram a recepção desses filmes, oferecendo uma visão detalhada dessa fase nem sempre bem-sucedida, porém essencial para entender a trajetória de Ritchie.
Swept Away (2002): o romance naufragado na atuação e na direção
Produzido em um período em que Guy Ritchie experimentava um estilo diferente, o filme Swept Away traz Madonna no papel de uma socialite mimada que acaba encalhada numa ilha com o funcionário de seu iate. A trama promete um drama romântico, mas falha na construção da química entre os protagonistas, resultando em uma narrativa que não engaja emocionalmente.
Madonna apresenta uma atuação bastante criticada pela falta de autenticidade, gerando baixa empatia. Ritchie, ainda que tenha buscado aplicar seu estilo visual característico, não conseguiu dar ao filme o charme necessário para que o público se envolvesse. O roteiro, um remake pouco inspirado, não oferece profundidade aos personagens, ocasionando críticas severas e baixos resultados comerciais.
Revolver (2005): tentativa arriscada com ótimas sequências e atuações subestimadas
Com Jason Statham como protagonista, Revolver representa a fase mais experimental de Ritchie, unindo elementos de thriller existencial a seu habitual cenário de crime. O roteiro, carregado de diálogos densos e temas filosóficos, divide opiniões e atrapalha o ritmo.
Apesar do tom pretensioso e das críticas negativas à obra, a direção mantém algumas cenas visuais bastante criativas, especialmente as sequências de ação, como o tiroteio mockumentary envolvendo Mark Strong. Statham oferece uma de suas performances mais discretas e sutis, embora subestimada, conferindo um interesse adicional ao longa.
King Arthur: Legend of the Sword (2017): grandioso, mas com roteiro irregular
Após o sucesso da Marvel e a popularização de universos cinematográficos, Ritchie tentou emplacar sua versão da lenda do Rei Arthur com King Arthur: Legend of the Sword. O filme conta com Charlie Hunnam no papel-título e Jude Law em seu antagonista, cuja atuação se destaca positivamente em meio ao roteiro confuso.
A direção investe pesado na estética e na ação, porém o roteiro é inconsistente, alternando entre momentos que parecem se arrastar e cenas que avançam depressa demais, comprometendo a compreensão da trama. Apesar das tentativas de criar um universo maior, a produção acabou sendo um fracasso de bilheteria e recebeu críticas pelas escolhas narrativas e pelo que Hunnam classificou como “erro de elenco”.
Aladdin (2019): uma virada na carreira com direção leve e elenco carismático
Guy Ritchie surpreendeu ao assumir a direção do live-action Aladdin, uma produção distante de seu estilo usual. Com alto orçamento e potencial comercial, o filme se tornou seu maior sucesso de bilheteria. A direção equilibrada destaca o tom musical e divertido, com atenção às cores vibrantes e à fantasia do clássico da Disney.
Imagem: Imagem: Divulgação
O elenco entregou performances agradáveis, ainda que sem grandes riscos. Ritchie conseguiu adaptar o roteiro para o público familiar, mantendo a essência do original animado sem sobrecarregar a narrativa. O filme demonstra a versatilidade do diretor e sua habilidade em manejar diferentes gêneros.
Operation Fortune: Ruse de Guerre (2023): diversão e química em meio a roteiro folgado
Após uma pausa de 15 anos, Ritchie e Jason Statham voltaram a trabalhar juntos em Operation Fortune: Ruse de Guerre, um filme de espionagem e roubo com tom descontraído e elenco diversificado, incluindo Aubrey Plaza, Josh Hartnett e Cary Elwes. A dinâmica entre os atores é um dos pontos altos, com improvisos que trazem leveza ao roteiro.
Embora com duração um pouco excessiva para o gênero, a direção mantém o ritmo com cenas criativas, remetendo a filmes estilo Ocean’s Eleven. O roteiro, focado mais no entretenimento do que na profundidade, foi suficiente para atrair um público fiel, mesmo com críticas mornas. Por enquanto, a sequência planejada permanece incerta.
Vale a pena assistir aos filmes esquecidos de Guy Ritchie?
A filmografia menos lembrada de Guy Ritchie reflete uma busca por reinvenção e experimentação, mesclando momentos de brilhantismo com falhas evidentes. Para fãs do diretor ou interessados em analisar sua evolução artística, esses filmes oferecem material interessante em termos de atuação e direção.
Algumas obras destacam-se pela performance dos atores, como o trabalho de Jude Law em King Arthur ou a química da equipe em Operation Fortune. Outros títulos, apesar dos deslizes no roteiro, apresentam cenas inovadoras e visuais criativos. Assim, revisitar esses filmes pode ampliar o entendimento sobre as escolhas criativas de Ritchie ao longo do tempo.
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