O catálogo da Netflix ganhou um reforço latino-americano com a chegada de “A Onda”, produção chilena exibida fora de competição no Festival de Cannes de 2025. Dirigido por Sebastián Lelio, o longa mescla drama e números musicais para revisitar o Maio Feminista que mobilizou universidades e ruas do Chile em 2018.
Exibido pela primeira vez na Croisette, “A Onda” chama atenção por colocar em pauta assédio, feminicídio e machismo estrutural em ritmo de canções compostas por Matthew Herbert e coreografias de Ryan Heffington. Agora, o público brasileiro pode conferir o título em streaming sem custo adicional para assinantes.
Do Festival de Cannes para a Netflix
Lançado mundialmente durante o Festival de Cannes 2025, “A Onda” foi apresentado na mostra Un Certain Regard e, desde então, circulou por mostras especializadas. O interesse internacional garantiu ao filme distribuição global, culminando na estreia simultânea em vários territórios pela Netflix nesta semana.
Com cerca de duas horas de duração, o filme chega à plataforma com áudio original em espanhol e opções de dublagem e legendas em português. A classificação indicativa é 16 anos, devido a cenas de violência sexual e linguagem adulta.
Enredo focado no Maio Feminista de 2018
O roteiro assinado por Sebastián Lelio, Josefina Fernández, Manuela Infante e Paloma Salas acompanha Julia, estudante de música da fictícia Universidade Nacional do Chile. Embora dedicada a alcançar notas impossíveis nas aulas, a jovem prefere distância de assembleias e piquetes universitários.
Essa postura muda quando Julia participa de uma festa, bebe além da conta e acorda no quarto do colega Max (Nestor Cantillana) sem memória clara dos acontecimentos. O episódio desencadeia uma acusação de abuso e coloca a personagem no centro de um abalo sísmico social, ecoando as reivindicações do Maio Feminista por educação não sexista e punição a agressores.
Protagonista dividida entre música e ativismo
A interpretação da estreante Daniela López confere vulnerabilidade a Julia, cuja rotina se divide entre o conservatório e o trabalho na mercearia administrada pela mãe. Esse detalhe, pouco explorado no início, torna-se crucial para compreender seus conflitos internos ao longo da narrativa.
Enquanto colegas organizam assembleias, a protagonista tenta equilibrar expectativas acadêmicas, a pressão familiar e a avalanche de julgamentos virtuais que se seguem à denúncia. O andamento da história ganha forma nas coreografias coletivas que tomam os corredores da universidade.
Imagem: Imagem: Divulgação
Elenco, direção e trilha sonora
Reconhecido por retratar personagens femininas complexas em “Gloria” (2013) e “Desobediência” (2017), Sebastián Lelio explora pela primeira vez a linguagem do musical. O diretor confia a trilha a Matthew Herbert, responsável por canções que se alternam entre batidas eletrônicas e arranjos corais, enquanto Ryan Heffington (de “La La Land”) assina as danças.
O elenco traz ainda Claudia Cabezas, em participação curta porém decisiva, além de um grande coro de estudantes que aparecem em performances pontuais. A direção de arte aposta em cenários universitários realistas, contrastando a vitrine colorida das manifestações com a rotina cinzenta da sala de aula.
Recepção de público e crítica
A avaliação média do longa tem ficado em torno de 7/10 em sites especializados. Críticos elogiam a ousadia de tratar temas sérios em formato musical, embora alguns apontem excesso de personagens secundários e pouca margem de defesa ao acusado. Daniela López, por sua vez, recebeu comentários positivos por transmitir insegurança sem recorrer a grandes discursos.
Nos circuitos de festivais, “A Onda” foi aclamado por estudantes e discutido em painéis sobre representatividade de gênero no cinema latino-americano. A chegada à Netflix promete ampliar esse debate, colocando o filme ao alcance de públicos que acompanham séries, novelas e doramas — perfil que o portal 365 Filmes observa crescer entre seus leitores.
Por que assistir “A Onda” agora
Para quem busca produções que misturam denúncia social e espetáculo, o filme chileno “A Onda” surge como alternativa fora do eixo hollywoodiano. A obra funciona tanto como retrato da efervescência política de 2018 quanto como reflexão sobre limites do consentimento em tempos de redes sociais.
Além disso, o formato musical adiciona camadas de emoção a um tema delicado, sem descuidar da discussão sobre autonomia feminina. A estreia no streaming facilita o acesso e convida o espectador a comparar a experiência com outras histórias de luta por igualdade presentes em séries latinas disponíveis na plataforma.
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