Quem assistiu ao documentário Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime em 2021 sabe que o caso deixou perguntas sem resposta. As câmeras mostraram julgamento, depoimentos, reconstituição policial. O que acontecia dentro do apartamento, dentro do casamento, no espaço privado entre Elize e Marcos, ficou em aberto. É exatamente nesse espaço que a Netflix entra agora com Elize: Sombras de Uma Mulher, filme de ficção que estreia em 22 de julho de 2026 exclusivamente na plataforma.
Com roteiro de Raphael Montes e Mariana Torres e direção de Felipe Vellas, o longa mistura drama e suspense para reconstruir a trajetória de Elize, desde o relacionamento com Marcos Matsunaga até os acontecimentos que culminaram no crime. O filme tem duração de duas horas e é produzido pela Boutique Filmes, a mesma responsável pelo documentário de 2021, também disponível na Netflix.
O que muda em relação ao documentário de 2021
A diferença não é apenas de formato. O documentário operava com entrevistas, documentos e reconstituições externas. O filme não foca no crime em si. Em vez disso, olha para o que aconteceu antes: um casamento em colapso, traição e uma deterioração psicológica lenta.
A história narra a trajetória de Elize, uma mulher de origem humilde que enfrenta dificuldades até se casar com um rico empresário de São Paulo. Por trás da aparência de família perfeita, o relacionamento é marcado por conflitos, abusos e segredos que levam o casal ao limite. À medida que a violência se intensifica, Elize acaba envolvida em um dos crimes mais emblemáticos da história recente do Brasil.
A ficção permite dramatizar cenas que nenhuma câmera registrou. É o argumento criativo central da produção, e os roteiristas foram diretos sobre isso ao falar do projeto.
O que Raphael Montes quis dizer com o filme
Segundo o roteirista, a intenção era ir além do crime. “O objetivo era contar uma história que também fizesse refletir. Queríamos trazer a violência como discussão: o que levou Elize a esse ato tão brutal?”
Mariana Torres completa a perspectiva: “A gente quis mostrar a dualidade dessa mulher. É uma história que pode até ser identificável em alguns aspectos, mas tem o pior desfecho possível.” O ponto central da aposta criativa é esse: aproximar o público de situações reconhecíveis antes de conduzir a história ao seu resultado mais brutal.
Raphael Montes já explorou relações destrutivas e violência doméstica em Bom Dia, Verônica. Aqui, ele trabalha com um caso real e amplamente conhecido, o que eleva o risco narrativo: o público já sabe o desfecho. A pergunta do filme não é o que aconteceu, mas como se chegou até lá.

Lorena Comparato interpreta Elize Matsunaga, enquanto Henrique Kimura vive Marcos Matsunaga. O elenco ainda reúne Miwa Yanagizawa, Julia Shimura e Denise Weinberg.
Felipe Vellas, cujos créditos incluem a série brasileira DNA do Crime na Netflix, dirige o longa. A produção tem Gustavo Mello como produtor, com produção executiva de Renata Artigas, Marcelo Máximo e Adriana Gaspar, e Raphael Montes também como produtor associado.
O intervalo de cinco anos entre o documentário e o filme não é casual. O caso Matsunaga voltou ao debate público mais de uma vez nesse período, e a ficção chega em um momento em que o interesse pelo tema se mantém.
O longa deve entregar uma história psicológica de ritmo mais lento, focada em traição, trauma emocional, manipulação e as consequências devastadoras da violência. Em vez de um thriller de ação, o foco está nos eventos emocionais e psicológicos por trás de um crime notório.
O filme estreia em 22 de julho, exclusivamente na Netflix. Quem quiser revisitar o contexto factual antes de assistir pode voltar ao documentário de 2021, que ainda está no catálogo da plataforma.
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