Em Girl, o diretor belga Lucas Dhont mergulha no cotidiano de Lara, adolescente que sonha em tornar-se bailarina profissional enquanto atravessa a transição de gênero. A produção, lançada em 2018 e agora no catálogo da Netflix, apresenta uma rotina marcada por disciplina rígida, silêncio e dor física.
Com uma abordagem quase documental, o longa evita discursos explicativos e foca na experiência íntima da protagonista, vivida por Victor Polster. O resultado é um retrato devastador que recebeu avaliação 9/10 e chamou a atenção de quem busca narrativas sensíveis além das tradicionais novelas e doramas.
Sinopse de Girl: dedicação e conflito em cena
Logo de início, o público vê Lara ingressando em uma renomada escola de balé. Determinada a alcançar um nível técnico elevado, ela se submete a treinos exaustivos em salas espelhadas que não perdoam imperfeições. Enquanto o corpo responde com sangue nas sapatilhas, a mente se agarra a um ideal de excelência que parece inegociável.
O drama belga Girl mostra que esse esforço, longe de ser glamourizado, expõe a fricção entre limites biológicos e o desejo de superação. A cada nova pirueta, pequenas fraturas emocionais emergem, numa narrativa que recusa atalhos sentimentais e mantém a câmera colada às expressões contidas da jovem.
Transição de gênero e balé se cruzam
O roteiro situa Lara num momento em que o uso de hormônios se intensifica, funcionando como ponto de inflexão. A mudança de escola e de apartamento reforça o sentimento de ruptura, enquanto colegas demonstram pouca habilidade para lidar com diferenças. Nesse contexto, o drama belga Girl desvenda como a pressão externa se soma às demandas internas da transição.
Coube a Arieh Worthalter, no papel do pai, estabelecer uma presença firme, mas sempre ciente de que seu alcance é limitado. Já Milo, o irmão caçula, surge como lembrança de uma etapa da vida em que as fissuras ainda não existiam. Essa dinâmica familiar garante respiro ao roteiro sem se afastar do foco principal.
Núcleo familiar como ponto de apoio
Embora Dhont não aprofunde todas as consequências emocionais para além de Lara, a relação com o pai oferece instantes de humanidade que equilibram a rigidez das aulas de balé. O diretor evita dramatizar excessivamente os diálogos e opta por gestos mínimos, como olhares no café da manhã ou caronas silenciosas até a escola.
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Atuação de Victor Polster e debate sobre representatividade
Victor Polster, ator cisgênero, interpreta Lara com contenção que impressiona. Cada gesto reforça a tentativa de racionalizar a dor, seja ao tirar a fita das sapatilhas encharcadas de suor, seja ao hesitar antes de entrar no chuveiro do vestiário. Essa entrega sustenta o drama belga Girl sem recorrer a fórmulas melosas.
Fora das telas, levantou-se o debate sobre a escolha de um intérprete não trans para o papel. O filme, porém, não se propõe a defender tese normativa; limita-se a acompanhar a trajetória singular da personagem. A controvérsia, portanto, acontece mais no âmbito externo do que dentro da narrativa.
Estilo narrativo e recepção do público
Lucas Dhont prefere a câmera próxima, quase clínica, a qualquer trilha emocional excessiva. A ausência de motivações explicitadas para a paixão de Lara pela dança cria um vazio dramático que pode incomodar parte da audiência. Ainda assim, essa lacuna reforça a sensação de realismo: nem toda escolha tem justificativa clara.
O desfecho abrupto mantém o tom de incerteza. Sem respostas fáceis, o drama belga Girl ecoa a ideia de que certos percursos não terminam; apenas mudam de fase. Essa opção narrativa conquistou elogios em festivais e fez o filme chegar com força à Netflix, onde encontra novos públicos curiosos por histórias fora do eixo hollywoodiano.
Girl no catálogo e a experiência de 365 Filmes
Para quem acompanha lançamentos por meio do site 365 Filmes, vale lembrar que a produção de Dhont está classificada como drama e recebeu nota 9/10 na avaliação crítica. Disponível na plataforma de streaming, a obra se destaca ao combinar estética elegante, temática contemporânea e forte apelo emocional.
