Quase duas décadas separam as duas produções mais populares de Doze é Demais, mas não é só o tempo que transforma a história. O longa estrelado por Steve Martin em 2003 e o remake lançado em 2022 no Disney+ contam a mesma premissa: pais tentando equilibrar trabalho e uma casa lotada. Ainda assim, cada versão reflete o momento social em que foi criada.
Neste artigo do Resumo de Novelas, examinamos as principais diferenças entre Doze é Demais. Do elenco às questões de representatividade, tudo foi revisto para dialogar com um público mais diverso. Confira a seguir como o enredo foi atualizado.
Família Baker ganha nova cara
Na comédia de 2003, Tom e Kate Baker formam um casal tradicional, juntos desde a faculdade e pais biológicos de doze crianças. É o retrato clássico de um clã barulhento que vive sob o mesmo teto desde o primeiro filho até o caçula.
O remake de 2022 rompe esse modelo. Paul e Zoey Baker chegam ao casamento com filhos de relacionamentos anteriores, mantêm contato constante com seus ex-cônjuges e ainda adotam Haresh, menino sul-asiático. A intenção é refletir as novas configurações familiares e destacar a diversidade que hoje marca a sociedade norte-americana.
Quantos filhos, afinal?
Se o original honra o título mostrando 12 irmãos desde o início, o novo filme faz brincadeira com os números. Paul e Zoey somam nove crianças em casa; a “dúzia” só se completa quando o sobrinho Seth passa a morar com eles, chegando a 10 filhos, mais o casal de pais.
Essa contagem criativa ganha até homenagem no nome do restaurante da família: Bakers Dozen, expressão típica que indica treze itens, mas que aqui simboliza a soma afetiva de todos os membros.
Profissões e conflitos de carreira
No roteiro de 2003, Tom aceita o cargo de técnico de futebol americano em outra cidade e obriga a mudança da família, gerando toda sorte de confusões. Kate, por sua vez, coloca a carreira de escritora em pausa para administrar a casa e depois publica um livro sobre a experiência.
Já em 2022, Paul é chef, dono de um restaurante e quer transformar um molho de café da manhã em produto nacional. O sonho empreendedor o afasta de casa, espelhando o dilema do longa original, mas dentro de um universo de startups e pequenos negócios. Zoey aplica sua expertise em marketing para impulsionar a marca, mas se sente preterida quando ele viaja sozinho para negociar o investimento.
Esporte segue presente
Embora Paul não seja treinador, o esporte não some completamente. Dom, ex-marido de Zoey, é astro do futebol americano e rivaliza com Paul pela atenção das crianças, garantindo que o tema esportivo siga relevante.
Mudanças de cenário reforçam tema social
A primeira versão situa os Bakers no interior de Illinois antes de migrar para a cidade universitária de Evanston. A mudança causa atritos típicos de adaptação, mas sem grandes choques de classe.
No remake, a família sai do bairro plural de Echo Park, em Los Angeles, para o abastado Calabasas. O deslocamento escancara conflitos socioeconômicos: vizinhos ricos estranham uma casa cheia de crianças e formada por diferentes etnias. A locação californiana, portanto, serve de palco para discutir preconceito e sensação de não pertencimento.

Imagem: Divulgação
Personagens mais velhos trocam de papel
Em 2003, Charlie, interpretado por Tom Welling, é o filho mais velho e craque do time de futebol. Ele luta por vaga na universidade e carrega o peso de ser exemplo para os irmãos.
Dezenove anos depois, a liderança muda de mãos. Deja, vivida por Journee Brown, é a primogênita e estrela do basquete escolar. A inversão de gênero reforça empoderamento feminino e mostra uma jovem determinada a conquistar espaço dentro e fora de casa.
Diversidade racial em destaque
A diferença mais evidente entre as versões está na composição racial. Zoey é negra, Paul é branco e os filhos representam múltiplas origens, algo inexistente no longa de 2003. O filme de 2022 usa situações do cotidiano, como bullying sofrido por Haresh, para abordar discriminação.
Além disso, Dom teme que os filhos percam referências culturais ao morar com Paul. O roteiro não aprofunda o debate, mas insere o tema na narrativa, tornando-o mais alinhado com discussões atuais sobre identidade e representatividade.
Humor dos anos 2000 versus tom contemporâneo
A comédia pastelão domina o filme de 2003, com pegadinhas envolvendo tinta, pegadas pelo chão e muita correria. Era a marca registrada das produções familiares daquele período.
No remake, o humor existe, mas divide espaço com drama leve e diálogos sobre inclusão. Essa mescla torna o resultado menos escancaradamente engraçado, mas oferece reflexão sobre a ideia de família moderna. As diferenças entre Doze é Demais ficam claras quando se compara a intensidade do caos no original com a busca por equilíbrio emocional na releitura.
Duas décadas, mesmo coração
Apesar das mudanças, ambos os filmes mantêm a essência: amor incondicional em meio à bagunça doméstica. Seja no caos barulhento de 2003 ou na diversidade acolhedora de 2022, a mensagem permanece que, independentemente do formato, família é construída todos os dias.
As diferenças entre Doze é Demais ilustram como o cinema familiar evolui para dialogar com novas gerações. Enquanto o clássico diverte pelo exagero, o remake se dedica a representar a pluralidade dos lares atuais, mostrando que há espaço para todos embaixo do mesmo teto.
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