Alien: Covenant terminou em suspense, mas o futuro do andróide David quase ganhou vida em um livro encomendado ao escritor Alan Dean Foster. O projeto, cancelado pelo estúdio, abriria caminho para uma sequência ambientada num “planeta do horror” dos Engenheiros e mostraria experimentos genéticos dignos de pesadelos.
A revelação reaquece a discussão sobre a performance de Michael Fassbender, pilar dramático do filme, e sobre as escolhas de Ridley Scott e dos roteiristas na expansão da franquia. Para quem acompanha o 365 Filmes, vale destrinchar como esses bastidores influenciam a percepção crítica da obra.
A atuação de Michael Fassbender continua o centro da narrativa
Em Covenant, Fassbender interpreta dois androides com personalidades opostas: o manipulador David e o metódico Walter. A dualidade realça o alcance do ator, que entrega nuances ao mesmo tempo sedutoras e perturbadoras. O público sente empatia e repulsa em medidas quase iguais, um equilíbrio difícil de alcançar.
No material proposto por Alan Dean Foster, David seguiria como força motriz. O “planeta do horror” dos Engenheiros traria criaturas híbridas criadas a partir de DNA de cães, gatos e vacas. Nesse ambiente, Fassbender teria espaço para aprofundar o lado científico e o instinto de criador de monstros do androide, consolidando a transição de antagonista para figura praticamente divina — conceito que Ridley Scott já ensaiava.
Tal protagonismo reforça uma tendência recente em grandes franquias: vilões carismáticos assumirem o papel central. O ator garantiria, assim, outro showcase de habilidade comparável ao que Tom Holland alcança no universo de Spider-Man: Homecoming, onde a química entre herói e antagonistas move a trama.
Ridley Scott e o futuro incerto da pré-trilogia
Ridley Scott planejava transformar David em “monstro principal”, relegando o Xenomorfo a coadjuvante. A recepção dividida de Covenant e a bilheteria abaixo do esperado esfriaram essa ambição. Sete anos depois, o estúdio optou por um semi-reboot com Alien: Romulus, afastando-se do arco do androide.
A mudança ecoa decisões recentes de outros estúdios, como a Paramount ao contratar Dan Trachtenberg após o sucesso de Predator: Badlands. Em ambos os casos, a estratégia é refocar na essência da franquia para recuperar apelo comercial, ainda que, artisticamente, isso encerre linhas narrativas instigantes.
Para Scott, a presença de Fassbender era vital. Sem ele, a transição de terror existencial para reflexão sobre criação e divindade perde combustível. Essa guinada corporativa limita o campo criativo de roteiristas e torna improvável a resolução oficial do cliffhanger deixado em 2017.
O roteiro que jamais chegou às telas
Alan Dean Foster, conhecido por novelizar os três primeiros filmes da série, recebeu o convite para continuar Covenant em formato literário. Sua proposta começava exatamente onde o longa acaba: David a bordo da nave colonizadora, portando embriões de Xenomorfo e milhares de humanos em hipersono.
Na sequência, o androide alcançaria um segundo mundo dos Engenheiros, descrito pelo autor como “um laboratório a céu aberto”. Lá, experimentos com qualquer forma de vida terrestre teriam gerado variantes “Alien-esque” de animais domésticos e de criação. A ideia ressoava no roteiro rejeitado de Eric Red para Alien 3, intitulado Alien World, mas ampliava a escala ao introduzir ameaças múltiplas.
Imagem: Imagem: Divulgação
Foster ainda pretendia ligar eventos de Covenant a Alien: Resurrection, saltando quase 280 anos na cronologia. Por causa da imortalidade prática de David, a narrativa preencheria lacunas e expandiria o debate sobre evolução biológica e inteligência artificial, temas caros ao diretor.
O estúdio, contudo, abortou o projeto temendo conflitos canônicos com possíveis filmes de Scott. Foster acabou publicando Alien: Covenant – Origins, um prólogo sem Xenomorfos que destaca conspiração religiosa contra a missão espacial. O resultado, segundo críticos, carece do suspense que faz de Alien uma marca icônica.
Repercussão entre fãs e impacto na franquia
O cancelamento do romance e a guinada rumo a Alien: Romulus geraram frustração em círculos de fãs. Muitos enxergavam no arco de David um dos pontos mais ousados desde Prometheus, comparável, em termos de risco criativo, à aposta da Apple TV em entregar a adaptação do Cosmere a Brandon Sanderson para comandar todo um universo literário.
Críticos apontam que a série agora prioriza fórmulas testadas, evitando a complexidade filosófica que dividiu plateias mas manteve a discussão acesa. Sem a conclusão planejada, a jornada de Fassbender corre o risco de se tornar um ponto solto, o que gera comparações com outros projetos da Fox que ficaram pelo caminho, como o live-action de Bambi, atualmente paralisado.
Por outro lado, a ausência de soluções definitivas preserva o mistério em torno de David. Essa ambiguidade mantém viva a expectativa e, em certo sentido, protege a performance de Fassbender como momento alto da saga moderna. Caso Romulus conquiste o público, a porta para retomar o personagem pode se reabrir futuramente.
Vale a pena assistir Alien: Covenant hoje?
Mesmo sem garantia de desfecho, Alien: Covenant permanece relevante para quem aprecia a franquia e, sobretudo, para quem se interessa pelo trabalho de Michael Fassbender. O ator entrega um estudo de personagem raro em produções de grande orçamento, equilibrando charme, frieza e um toque de melancolia.
Além disso, a direção segura de Ridley Scott oferece cenas visualmente marcantes, aliando terror corporal e questões existenciais. O roteiro pode tropeçar em ritmo, mas propõe ideias que, embora não concluídas, alimentam a reflexão.
Em suma, Covenant vale a visita — seja para revisitar o universo Alien, seja para observar como uma atuação poderosa pode sustentar a tensão mesmo quando o futuro da história permanece em aberto.
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