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    Criticas

    Crítica de O Patrão: Radiografia de um Crime

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimjaneiro 29, 2026Nenhum comentário5 Minutos de leitura
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    O Patrão: Radiografia de um Crime
    Imagem: Divulgação/Prime Video
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    É difícil encontrar uma cinematografia na América Latina que consiga dissecar as mazelas sociais com a precisão cirúrgica, e muitas vezes cruel, do cinema argentino. Enquanto muitas produções buscam o caminho do melodrama lacrimoso para gerar empatia pela pobreza, diretores como Sebastián Schindel, de O Patrão: Radiografia de um Crime, preferem o caminho do desconforto, transformando a realidade econômica em um thriller psicológico que beira o horror.

    Em O Patrão: Radiografia de um Crime (El Patrón: Radiografía de un crimen, 2014), disponível no catálogo do Prime Video, essa abordagem atinge um nível de sofisticação narrativa que perturba não pelo que esconde, mas pelo que escolhe mostrar em detalhes gráficos e putrefatos. E nós do 365 Filmes, trouxemos essa crítica detalhada!

    Schindel mostrou que está pronto para sair dos documentários

    Vindo de uma carreira sólida em documentários, Schindel adapta o livro de Elías Neuman baseado em um caso real, e essa origem documental é palpável em cada frame.  O filme não perde tempo tentando romantizar a jornada do herói ou criar esperanças falsas. Desde os primeiros minutos, somos jogados em uma Buenos Aires cinzenta e burocrática, onde o crime já aconteceu.

    A estrutura narrativa, que intercala o presente forense com flashbacks da rotina no açougue, funciona como um quebra-cabeça mórbido. Não estamos ali para descobrir quem matou, mas sim para compreender como um ser humano pode ser desconstruído psicologicamente até o ponto em que a violência se torna a única linguagem possível. É um “whydunit” (por que fez?) em vez de um “whodunit” (quem fez?), e essa escolha diretorial coloca o espectador na incômoda posição de júri silencioso.

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    A estética da podridão como linguagem narrativa

    A trama acompanha Hermógenes Saldívar, interpretado por um irreconhecível Joaquín Furriel, um homem humilde, analfabeto e com uma perna manca, que migra de Santiago del Estero para a capital em busca de sobrevivência. Ele acredita encontrar a salvação ao ser contratado por Don Latuada (Luis Ziembrowski), proprietário de uma rede de açougues. O que se segue é uma descida gradual e claustrofóbica ao inferno.

    A promessa de casa e comida se revela uma armadilha: Hermógenes e sua esposa são alojados num barraco imundo nos fundos da loja, sem ventilação, sem dignidade e, logo descobrimos, sem saída.

    O aspecto mais marcante da obra, e onde Schindel demonstra seu domínio sobre a linguagem cinematográfica, está na construção sensorial do ambiente. O açougue não é apenas um cenário; é um organismo vivo e doente. A direção de arte e a fotografia de Alejandro Giuliani trabalham em sintonia para criar uma estética da podridão.

    As luzes fluorescentes esverdeadas, as paredes manchadas de umidade e o foco constante na textura viscosa da carne crua geram uma repulsa física. Há cenas específicas que testam o estômago do público, como o momento em que Hermógenes é ensinado a “lavar” pedaços de carne estragada com água sanitária e produtos químicos para disfarçar o cheiro e a cor.

    O som da faca sendo amolada, o barulho da carne sendo jogada no balcão e o zumbido das moscas compõem uma sinfonia de degradação que serve como metáfora perfeita para a relação trabalhista apresentada: tudo ali é podre, mascarado por uma fina camada de normalidade comercial.

    Atuações que transcendem a mimese

    No centro desse pesadelo está a atuação monumental de Joaquín Furriel. Para quem conhece o galã de outras produções argentinas, o choque é imediato. Furriel não apenas atua; ele se transfigura.

    O uso de próteses dentárias, a alteração na postura corporal e o olhar evasivo de quem foi treinado para nunca encarar a autoridade constroem um personagem complexo. Hermógenes não é um homem estúpido, mas um homem enjaulado pela sua própria honra e pela falta de ferramentas intelectuais para combater a exploração.

    A sua lealdade ao patrão, mesmo diante dos abusos mais flagrantes, é dolorosa de assistir porque reflete uma mentalidade de servidão enraizada em séculos de desigualdade estrutural. Ele é a representação física da força de trabalho invisível que sustenta as metrópoles, moída diariamente até não restar nada além do instinto de sobrevivência.

    Do outro lado, Luis Ziembrowski entrega um vilão que assusta pela banalidade. Latuada não é um monstro de filme de terror, nem um gângster caricato. Ele é o “cidadão de bem”, o comerciante respeitável da esquina.

    O terror burocrático e a falência do Estado

    O contraponto a essa escuridão surge na figura do advogado Marcelo Di Giovanni, vivido por Guillermo Pfening. Ele serve como o avatar da audiência, o forasteiro que entra naquele mundo e vai, camada por camada, descobrindo o horror escondido atrás das portas do açougue.

    A subtrama jurídica é essencial para dar ritmo ao filme e para expandir a crítica social. Através da luta de Di Giovanni contra a burocracia e o preconceito do sistema judiciário, Schindel expõe como o Estado muitas vezes é cúmplice dessa exploração.

    O Patrão: Radiografia de um Crime
    Imagem: Divulgação/Prime Video

    Veredito: O Patrão: Radiografia de um Crime é mais do que apenas um true crime

    Sendo direto e honesto: O Patrão: Radiografia de um Crime é um filme indispensável, mas exige estômago forte e preparação mental. Eu não recomendo a sessão se você estiver procurando um entretenimento leve para esquecer dos problemas da semana ou um suspense policial convencional cheio de reviravoltas mirabolantes.

    A obra é densa, opressiva e desenhada meticulosamente para incomodar. A tensão é construída de forma magistral, transformando um simples ambiente de comércio em um cenário de horror psicológico mais eficiente do que muitos filmes de terror sobrenatural. Joaquín Furriel entrega, sem sombra de dúvidas, uma das melhores atuações do cinema latino-americano da última década, carregando nas costas curvadas de Hermógenes o peso de milhões de invisíveis.

    Ao final da projeção, a sensação é de um soco no estômago necessário, lembrando-nos que os verdadeiros monstros muitas vezes estão atrás do balcão, sorrindo e oferecendo um corte de carne “fresca” enquanto destroem vidas nos bastidores. É cinema de denúncia em sua forma mais elevada e artística.

    Crítica de O Patrão: Radiografia de um Crime

    9.0 Bom

    O Patrão: Radiografia de um Crime é muito mais do que um true crime bem executado.

    • NOTA 9
    • User Ratings (2 Votes) 8.2

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Críticas O Patrão: Radiografia de um Crime Prime Video Sebastián Schindel
    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim e dedico meus dias a decifrar as narrativas que moldam o mercado digital. Minha escrita é guiada pelo rigor técnico, mas sempre com foco na experiência de quem assiste. Com passagens por portais de referência como o G1, Cultura Genial e MasterDica, aprendi que a verdadeira autoridade se constrói com honestidade intelectual e zero clichês. Desde 2021, meu compromisso é um só: entregar críticas fundamentadas e uma curadoria que você não encontra em qualquer lugar.

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